Dakar 2017 - resumo da primeira semana de prova

A chuva, a altitude e a gasolina foram os elementos marcantes desta primeira parte da mais difícil prova do Mundo

andardemoto.pt @ 9-1-2017 11:48:47

A partida foi em Assunção a capital do Paraguai. Este foi o 5º país do continente americano a acolher o Dakar e o 29º país a ver desfilar a mítica caravana.

Cruzando a Argentina, a prova chegou à Bolívia, o país que vai ter maior protagonismo nesta 39ª edição, já que vai ser palco de cinco etapas, com a caravana a visitar zonas míticas como o Lago Titicaca e a ser anfitriã do dia de descanso, que que decorreu este fim-de-semana, em La Paz, a capital mais alta do mundo.

Afectada por uma grave seca, La Paz já se agitava com o consumo de água que a caravana do Dakar iria eventualmente afectar, tendo sido o facto instrumento político para manifestações populares de desagrado. Em resposta, os deuses prepararam um verdadeiro dilúvio que se abateu sobre o altiplano boliviano e que, para já, obrigou a cancelar parte da 5ª etapa e por completo a sexta etapa. A organização também anunciou medidas para minimizar os estragos, com alterações no percurso da 7ª etapa que começa hoje e na etapa de amanhã.

Metade das etapas desta 39ª edição do Dakar desenrolam-se acima dos 3.000 metros de altitude, com algumas especiais a decorrer mesmo acima dos 4.000 metros, tornando a condição física dos pilotos um dos elementos fundamentais para o sucesso.

Até agora os pontos mais marcantes foram a desistência de Toby Price (KTM) o piloto que venceu a prova no ano passado e que este ano era um sério candidato à vitória.

Entre os portugueses, primeiro David Megre (KTM) e depois Luis Portela de Morais (KTM) também foram obrigados a desistir em consequência de quedas.

Depois foi a questão dos abastecimentos da equipa Honda, no decorrer da 4ª etapa, e que ao que tudo indica causaram a ira da equipa KTM por terem abastecido numa bomba que não estava autorizada pela organização. A reclamação foi apresentada prontamente e o que é certo é que nem Joan Barreda, que na altura liderava a prova, nem Paulo Gonçalves que o seguia de muito perto, nem nenhum outro piloto Honda, se livrou de uma penalização de 60 minutos. Parece que a Honda reclamou da decisão, mas também parece que o assunto está encerrado e a penalização será para manter.

Entretanto os Portugueses continuam a “dar cartas”. Paulo Gonçalves continua igual a si mesmo, forçando o andamento desde o início, e parece que nem mesmo a penalização o afectou, pois continua a rolar bem na frente e mantém-se como o melhor português em prova. Ocupa o 9º lugar e está a escassos minutos do 7º, sendo que ainda há muita corrida pela frente, pelo que ainda nada está perdido e um lugar no pódio é perfeitamente plausível. Assim a sorte esteja ao seu lado.


Joaquim Rodrigues tem sido a grande revelação. Aos comandos de uma insuspeita Hero, preparada pela Speedbrain, conta com o apoio do seu técnico, o português Filipe Barbosa e com uma grande regularidade. Tem sido um verdadeiro gentleman, foi ele que deu apoio a  Alessandro Botturi na altura do acidente que obrigou o italiano da Yamaha a desistir da prova, e também já chamou a atenção de Laia Sanz. É o segundo melhor português em prova, e está practicamente colado a Paulo Gonçalves, no 10 lugar da geral.

Hélder Rodrigues continua cauteloso, a controlar a corrida num bastante confortável 12º lugar da geral, apesar de já somar um atraso superior a 1h20m. 

Mário Patrão segue igual a si próprio, e ocupa o 18º lugar da geral.

Os pilotos da equipa CRN Competition conseguem manter as suas Yamaha em prova. Rui Oliveira e Fausto Mota são 50º e 51º respectivamente. A equipa ainda conta com um terceiro piloto, o espanhol Oscar Romero que ocupa o 38º lugar da geral.

Fernando Sousa Jr. também continua a mostrar-se regular, e ocupa o 53º lugar.

Termina o pelotão luso o veterano Pedro Bianchi Prata, que ocupa o 59º lugar.


andardemoto.pt @ 9-1-2017 11:48:47