Miguel Oliveira - 2017, uma época em cheio

A época de Moto 2 começou bem a acabou melhor para Miguel Oliveira, que à semelhança da despedida da Moto3 há duas épocas, dominou completamente a fase final do Campeonato com 3 vitórias.

andardemoto.pt @ 13-11-2017 23:13:19 - Paulo Araújo

Nenhum adjectivo é grandioso demais para descrever o feito de Miguel Oliveira no seu segundo ano no campeonato de Moto2: partindo com uma moto nova, para ele e para a equipa liderada por Niklaas Ajo, o português esteve sempre entre os primeiros, frequentemente dominando os treinos e coroando uma época de sucesso com 3 vitórias consecutivas nos três últimos Grandes Prémios da temporada.

A época começou bem, com um quarto lugar no Quatar. Com Luthi e Morbidelli  isolados no comando, o duelo entre o japonês Nakagami na sua Honda Idemitsu e o português da KTM Red Bull foi o ponto focal da corrida. A KTM ficou radiante com esta estreia em Moto2 e com o resultado do piloto da Caparica.

Seguia-se a Argentina, e poucas corridas de Moto2 terão sido tão empolgantes como esta de Termas de Rio Hondo. Oliveira tinha a pole, e apesar de durante toda a corrida só 3 pilotos terem parecido em posição de ganhar, a prova foi espectacular do início ao fim. 

Morbidelli chegou ao comando logo na segunda curva, enquanto Miguel baixava para quinto. Quedas afastaram Quartararo, Pons, Pasini, e também Simeon e Kent, enquanto Miguel ascendia a terceiro. Morbidelli, já vencedor no Qatar, imprimiu um ritmo fortíssimo, levando consigo Marquez e Oliveira. Marquez cai na última volta, deixando Miguel em segundo, com Luthi, à distância, a ascender ao último degrau do pódio. Seguia-se o Grande Prémio das Américas, onde a corrida de Moto2 foi duramente disputada até à última volta, excepto pelo primeiro lugar de Franco Morbidelli. Em dois incidentes separados, 5 pilotos ficaram de fora logo nas primeiras curvas.  Com a queda de Pasini, Oliveira achou-se momentaneamente em 5º, mas o português começou a ser pressionado pelo suíço Dominique Aegerter, que passou quando Miguel alargou a trajectória no final da reta da meta. O resultado consolidou a liderança de Morbidelli e o segundo lugar de Luthi, mas Oliveira mantinha o terceiro posto no campeonato.

A seguir, em Jerez, Alex Marquez disparou da grelha decidido a converter a sua “pole” numa primeira vitória em Moto2. Franco Morbidelli seguiu-o de perto, deixando atrás uma longa fila com Aegerter, Vierge e Oliveira a seguir. Pasini ultrapassou o português, que pouco depois regressou ao ataque.

Ao mergulhar por dentro de Vierge na curva 1, este levantou ligeiramente a moto, causando uma tripla queda, de si próprio, e de Nakagami e Corsi. A 5 voltas do final, o português passa o italiano na sequência de direitas rápidas do fundo do circuito para conseguir o 3º lugar.

Era o segundo pódio da sua KTM, que deixou Miguel ainda em terceiro no Campeonato, mas a apenas 5 pontos de Luthi.

Em Le Mans, a seguir, depois de nunca conseguir uma afinação a gosto durante os treinos, Miguel Oliveira chegou a baixar para 18º antes de encetar uma modesta recuperação até ao 13º posto. Porém, de trás vieram Syahrin e Cardus para o colocar novamente fora dos pontos. Miguel acabaria por também ser ultrapassado por Pons para terminar no 17º lugar, fora dos pontos, o que o fez ser ultrapassado no Mundial por Alex Marquez, caindo para 4º. Em Mugello, o português veio de trás para se colar ao grupo da frente, em sétimo. Lorenzo Baldassari cai logo à primeira volta e arrasta consigo Nakagami, dividindo o grupo, e deixando Oliveira em 5º, mas a 1,5 segundos da liderança.  Oliveira ainda teve de rejeitar um par de ultrapassagens de Marini, aumentando o ritmo a meio da corrida para se isolar. Luthi, em forma, começa a mostrar-se a Marquez, com Oliveira isolado em quinto e o mais rápido em pista. Com Pasini a impor-se no final, o resultado consolida o 4º de Oliveira no Campeonato. Na Catalunha, saltando da terceira fila, Miguel colocou-se em quarto logo no arranque. Marquez forçou o andamento girando a ritmo recorde, para se ir afastando de Morbidelli em segundo e Pasini em 3º. Luthi veio de trás para passar Oliveira, que no entanto recupera o quarto lugar quando Morbidelli tem um incidente na chicane: o pé escorregou-lhe e Oliveira quase colidiu com o Italo-brasileiro. 


O perigo para Oliveira vinha agora da carga do número 7, Baldassari, que se aproxima, mas Oliveira rodava ao ritmo dos homens da frente. Mesmo conseguindo aproximar-se de Luthi cerca de meio segundo na última volta, Miguel teve de contentar-se com um quarto lugar... com sabor a pódio, já que a subsequente desclassificação de Pasini favorece o português na classificação!

Muito se poderia esperar de Oliveira em Assen, uma das suas pistas favoritas, mas num fim de semana estranho em que nunca se sentiu à vontade na KTM, Oliveira acabou por ser apenas 5º, em mais uma vitória de Morbidelli.

Uma quinzena depois, na Alemanha, graças às boas prestações nos treinos, o português saiu muito motivado para as 29 voltas ao Sachsenring, um circuito algo assustador. No arranque, Marquez liderou, mas Luthi veio de trás à segunda volta para comandar, com Oliveira, num grupo que incluía Corsi, Pasini e Bagnaia. Marquez e Luthi viriam a cair pouco depois, enquanto Miguel passava para terceiro, e até segundo, após a queda de Luthi… Miguel começa então a pressionar Morbidelli, e passa para a frente na curva 12 à entrada da última volta. Porém, Morbidelli devolve a manobra ao homem de Almada com alguma facilidade, e a KTM do português está no limite quando corta a meta quase ao lado do rival, mas uns centímetros mais atrás… um segundo lugar com sabor a vitória. As quedas de Marquez e Luthi colocam Miguel muito bem, de novo em terceiro no Campeonato, a 22 pontos de Luthi.

Pasini dominou na República Checa depois do “holeshot” de Oliveira, mas quando à 8ª volta começou a chuviscar, a organização declarou uma nova partida e no novo arranque, tudo seria diferente: Luthi faz um “por fora” ao resto da grelha para se instalar no comando, Pasini cai logo no início e Oliveira fica em luta com Marquez e Morbidelli. Lüthi cruzou a linha de meta com quase cinco segundos de vantagem, com Oliveira apenas capaz de perseguir Marquez e defender o seu pódio dos ataques de Luca Marini, mas como diria depois o português da KTM, só teve confiança nos pneus de chuva já muito tarde para conseguir chegar mais à frente.
Um óptimo resultado para a KTM, com Binder também a andar no grupo da frente, mas que acabou por se transformar numa perda de pontos para Oliveira, já que o 1º e 2º classificados eram exactamente os grandes rivais do português, que assim desceu para 4º na classificação geral, isto no dia em que anunciou que o seu contrato com a KTM tinha sido renovado por mais um ano.

Na Áustria, Miguel Oliveira jogou tudo em frente duma multidão de fans KTM com bandeiras laranjas ao longo do traçado do Red Bull Ring... e deitou tudo a perder na sua primeira queda da época! Arrancando da terceira fila, o português escapou por pouco a uma queda colectiva e aparecia em 6º e logo a seguir em 5º, com os habituais Morbidelli, Luthi, Pasini e Marquez a colocar-se à frente logo de início.

O grupo dividiu-se em dois, com Morbidelli, Luthi, Pasini e Marquez e logo a seguir Viñales, Oliveira,  Binder e Nakagami. Oliveira livra-se de Viñales mas é por sua vez incomodado por Binder, até que à 13ª volta, o piloto de Almada regressa em força e começa a fazer voltas rápidas, colando-se rapidamente ao pelotão da frente, com uma volta mais rápida de 1:29:800.

O grupo da frente passa a contar com Oliveira, que no entanto, à 20ª volta, cai aparatosamente, sendo colhido ainda pelas cambalhotas da sua KTM, felizmente sem consequências físicas... A honra da KTM fica salva pelo 7º lugar de Binder, que ainda foi ultrapassado por Nakagami...


A corrida de Moto 2 seguinte, em Silverstone, foi cheia de altos e baixos para Miguel Oliveira: Dominou os treinos livres de início com o 3º melhor tempo, mas viria a qualificar apenas em 8º. Apertado no arranque da corrida, Miguel baixou para 10º na primeira volta. Nas 4 voltas seguintes, porém, o português da KTM ultrapassou um piloto por volta, livrando-se de Corsi, Bagnaia, Aegerter e Marini em outras tantas voltas e passando a perseguir Pasini.

Enquanto à frente Marquez e Morbidelli disputavam a liderança, Miguel encontra um neutro falso que o faz sair de pista e perder muitos lugares. Passa assim para 14º e enceta nova recuperação, ascendendo em poucas voltas a 12º enquanto Pasini passa Luthi para terceiro e Nakagami vem passar Morbidelli. Oliveira ainda à carga, e longe de ser ameaçado por Marquez, ganha mais um lugar ao voltar a ultrapassar Aegerter tendo terminado a corrida  apenas em 8º, mas conseguido ganhar alguns pontos a Marquez.
San Marino foi sem dúvida a prova do ano disputada em condições mais extremas. Chuva torrencial, trovoadas, poças de água, zonas muito escorregadias, todos os pilotos tiveram de enfrentar neste fim-de-semana e a corrida de Moto2, cujos pilotos já tinham somado 10 quedas no “warm-up” matinal,  não foi excepção: logo no começo, com um grupinho formado por Morbidelli, Aegerter, Pasini e Oliveira na frente, Pasini, detentor da pole, caiu, seguido do líder do campeonato Morbidelli.

Logo a seguir, Luthi passou Oliveira, para segundo, enquanto as condições traiçoeiras apanhavam mais alguns de surpresa, como Navarro, Nagashima e Simeon. Aegerter controlava a corrida com grande precisão, quando de repente, na famigerada curva 15, Oliveira cai, afastado da luta pelo pódio e do terceiro lugar do campeonato, ao alcance pela ausência de Marquez...

Em Aragon, a corrida de Moto2 ia ser sempre uma grande luta: depois da pole para Miguel Oliveira, as incógnitas eram quase tantas como os candidatos à vitória...  O português liderou no arranque para as 21 voltas e foi atacado, primeiro por Morbidelli, depois por Pasini e Marquez, mas Luthi já não tinha ritmo para seguir os outros dois, e Oliveira encetou uma recuperação.

A um terço da prova, a ultrapassagem de Miguel Oliveira a Marquez foi de antologia, deixando o português de novo nos lugares do pódio, mas à sua frente Pasini estava mais rápido que o comandante da corrida, fechando o intervalo para Morbidelli, provavelmente porque este começava a acusar problemas de pneus.A 11 voltas do fim, Marquez abandona com dores na perna recentemente lesionada e Pasini cola-se a Morbidelli, mas Oliveira é 0,5 segundos mais rápido durante várias voltas, fechando o intervalo.

 4 voltas do fim, Morbidelli ganha novo alento e acaba por vencer, com um excelente pódio para Miguel Oliveira em terceiro! Com a ausência de Marquez, Oliveira está de novo em terceiro no Campeonato.

O GP do Japão não correu bem a Miguel Oliveira, que perdeu o 3º lugar no Campeonato quando Marquez veio a ganhar, acabando por ser seguido por Vierge e Shyharin, Pasini e Nakagami, com Bagnaia ainda a relegar Oliveira para sétimo nas últimas voltas, péssima aritmética para o português que baixa para 4º a 16 pontos do vencedor Marquez...

Finalmente, na Austrália, chegou o momento que já se adivinhava e que todos os fans do português vinham aguardando... Miguel Oliveira simplesmente esteve numa classe superior, e acabou por vencer por três segundos, averbando a primeira vitória da KTM em Moto2. Ainda por cima, Brad Binder, companheiro de equipe de Miguel, conquistou o seu primeiro pódio na classe intermédia. O resultado volta a colocar Oliveira em 3º no Campeonato ainda que por apenas um ponto.

O resultado da corrida seguinte na Malásia era previsível, mas nem por isso menos empolgante: Miguel Oliveira saltou para a frente no arranque e liderou toda a corrida de Moto2 para vencer, fazendo volta rápida e recorde do circuito pelo caminho...

A corrida começara com uma queda colectiva impressionante, que levou Marquez, Gardner, Pawi e Pons, com outras a seguir a levar Cortese, Nakagami e depois Manzi e Baldassari. Miguel estava em grande forma no comando, afastando-se dos restantes e cortou a meta destacado... faltava apenas Valência para terminar a época.

Em Valência, dizem que só se ganha quando se sai da primeira fila da grelha, mas o português, saído da segunda fila, na quarta posição, veio contrariar a liderança inicial das Kalex de Marquez e Morbidelli depois da queda de Pasini, para pressionar, primeiro Marquez, no que foi seguido por Brad Binder, aos comandos da segunda KTM, e depois o próprio Campeão Mundial. Miguel ultrapassou este a 6 voltas do fim para ganhar, tendo o italiano inclusivamente comentado no final da corrida que, mal viu que Oliveira tinha passado Marquez, ficou extremamente preocupado.
Um fim de época em cheio para Miguel Oliveira e para a KTM, com um balanço de 9 pódios, dos quais 3 vitórias, 2 segundos, 4 terceiros e ainda 3 outros lugares no “top ten”.
O teste da MotoGP da KTM a meio da época também mostrou o ascendente que Oliveira tem, cada vez mais na equipa Austríaca, que é a que mais investe nas 3 classes do Mundial de momento.
Parabéns Miguel! Que a próxima época seja ainda melhor!

andardemoto.pt @ 13-11-2017 23:13:19 - Paulo Araújo

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