Mundial Superbikes: Tudo novo para 2018!

A ronda de abertura da temporada mundial Superbike 2018 ainda está a 100 dias de distância, mas a preparação para Phillip Island já começou, através de novos regulamentos para a classe.

andardemoto.pt @ 21-11-2017 16:42:49 - Texto: Paulo Araújo

A maioria do paddock está no sul da Espanha, em Jerez, nos testes de inverno e há muito trabalho a fazer. Uma das maiores alterações simultâneas na história da série verá mudanças generalizadas nos regulamentos técnicos entrar em vigor. O prato principal é a introdução de limites obrigatórios e variáveis ​​para cada fabricante, com o objectivo de reduzir o recente domínio da Kawasaki e Ducati

O director técnico da SBK, Scott Smart, ex-piloto e sobrinho do falecido Barry Sheene, foi o homem encarregado de redigir o quadro para os novos regulamentos. O inglês re-escreveu o livro sobre os regulamentos das Superbike nos últimos anos e reconhece que o maior objectivo das mudanças é criar um plantel mais equilibrado.

"O maior factor por trás da introdução desses regulamentos é que queremos encontrar uma maneira de ter corridas de SBK mais emocionantes ", explicou Smart.

"Os regulamentos de 2018 permitirão que as equipas privadas tenham acesso aos mesmos motores e potências das equipas da fábrica. Isso vai-os tornar mais competitivos, mas com um limite menor de RPM, que também irá melhorar a fiabilidade para as equipas. Uma equipa privada forte, com o piloto certo e boa mecânica, vai poder ser competitiva. Por exemplo, uma equipa privada Kawasaki poderá ter o mesmo pacote de Jonathan Rea ao seu alcance ".



Enquanto o limite de rotações tem sido a alteração mais falada, a introdução de peças universais aprovadas  é ainda mais significativa. É essa mudança no regulamento que permitirá às equipas de meio-campo melhorar o seu pacote por um custo controlado.

As equipas privadas já não vão precisar de realizar um caríssimo programa de desenvolvimento de motores, uma vez que poderão comprar a mesma especificação de equipa de fábrica. As peças base que estão disponíveis de cada fabricante são chamadas “peças de concessão”.

Para Smart, as mudanças significarão que "uma equipa privada bem financiada vai pensar que o Natal chegou mais cedo". O equilíbrio também deve agradar aos fans das Superbike. Embora seja exagerado esperar que uma equipa como a Pucetti Kawasaki seja de repente candidata ao título, já não será uma surpresa vê-los a lutar por pódios regularmente.

A capacidade de comprar peças especiais não se limita apenas às peças de concessão. Existe também a opção de comprar "partes aprovadas" com custos controlados. Estas estão disponíveis para qualquer equipa na grelha e serão tendentes a melhorar o comportamento e a sensação de uma moto, mais que a potência.

A lista de peças aprovadas irá de braços oscilantes a grampos e tirantes de suspensão. Isso também permitirá que todas as equipas tenham o potencial de dar um importante passo em frente, sem realizar grandes gastos. No papel, tudo indica que as mudanças possam ter o efeito desejado, mas só depois dos treinos oficiais se poderá começar a desenhar uma realidade.

Nos últimos anos, Kawasaki e Ducati gastaram consideravelmente mais do que o resto da grelha. Essa é a maior razão pela qual eles tiveram tanto sucesso, mas mesmo que a diferença seja agora diminuída, ainda é de esperar que eles continuem a estabelecer o ritmo pela maior experiência que detêm.

A introdução de limites de rotação atingirá mais marcas como a Kawasaki, Aprilia e Ducati. Os limites serão calculados caso a caso, com a definição de cada limite com base num cálculo de 3,3% acima da “redline” da moto de origem.




Por esse critério, a Kawasaki perde cerca de 1.200 rpm para 2018, enquanto marcas como a Honda, que estavam em inferioridade, terão poucas mudanças na Fireblade. Os limites colocados a cada fabricante serão reavaliados após três rondas.

Além disso, a introdução de pontos de concessão permitirá às equipas superar problemas de desenvolvimento. Quanto mais competitiva a equipa, menos mudanças que poderá fazer, mas para as equipas com dificuldades, o objectivo é permitir que desenvolvam o seu motor para impulsionar maior desempenho.

É um passo ambicioso das SBK para tentar aumentar a competitividade, e certamente levará algum tempo para entender se foi bem sucedido.


andardemoto.pt @ 21-11-2017 16:42:49 - Texto: Paulo Araújo