Retro Techno - A Kawasaki ZX12 de Daniel Sharp

Uma moto recente, altamente tecnológica e de prestações elevadas, ganhou um aspecto “vintage” pelas mãos do próprio dono. O resultado está à vista!

AdM @ 19-12-2016 01:44:30

Daniel Sharp é um tipo carismático. Ao bom estilo australiano, normalmente não compra coisas: Fá-las!

Sejam carros, sejam motos ou scooters... Qualquer coisa que se possa nomear, provavelmente ele já construiu uma. No mínimo, ou já lhe montou um motor, ou já a modificou!

Há uns tempos, andava à procura de um novo projecto. Mas tinha que ser algo arrojado: um desafio!

Daí surgiu a Kawasaki ZX12 do ano 2000, um exemplar que comprou em estado impecável e que quando experimentou pela primeira vez, o deixou um pouco preocupado:

“Bolas… Isto é demasiado rápido para brincadeiras!”

Mas como não é muito dado a ter-se em conta, quando parou deu várias voltas à moto e decididamente, não gostou nada do aspecto moderno, da pintura negra e das linhas esguias.

Em poucas horas a moto ficou completamente despida, sem carenagens, nem assento, nem sequer o sub-quadro.

Mas a visão final não seduziu Daniel. O quadro era demasiado feio para ser aproveitado, e ao incluir o "ram-air", ainda mais limitada ficava a criatividade.

Sentou-se na bancada e bebeu uns shots de “scotch” para limpar as ideias.

A indecisão era grande: Naked? Cafe? Racer? Entre tantas possibilidades, ele apenas sabia que queria algo que ficasse a parecer velho e clássico, num estilo inconfundível à distância, mas sem afectar a fiabilidade nem as prestações.

Demorou uns dias a decidir-se pelo estilo “retro-racer”. Algo no género das motos que Eddie Lawson pilotava nos anos 70.

Conseguiu encontrar umas carenagens de competição dos anos 70, e em casa, depois de muito cortar, e rebarbar, e voltar a medir, e praguejar, lá conseguiu adaptar a velha carenagem à moderna Kawasaki.

O sub-quadro foi o passo seguinte. Sem máquina de soldar adequada para mexer numa estrutura de alumínio, Daniel decidiu fabricar uma estrutura completamente nova, a partir de tubos de aço, que ficasse harmónica com as linhas da carenagem e do depósito.

O assento voltou a dar mais trabalho do que seria possível imaginar. Primeiro ainda tentou adaptar um assento de compra, à secção traseira de aspecto desportivo. Mas depois de muito cortar e soldar sem conseguir o resultado esperado, Daniel, tal como de costume, decidiu fazer ele mesmo o assento.

Assim, conseguiu o pretendido aspecto dos anos 70, com os componentes separados, apenas aparafusados uns nos outros. O estofo do assento pespontado coincide com as linhas gerais da estrutura.

Com um pouco de imaginação, e garantindo que uma utilização frequente não iria causar problemas, os componentes electrónicos ficaram escondidos debaixo da nova secção traseira.

A pintura, depois de muita dúvida e desespero, foi inspirada nas cores originais da velha carenagem de competição, enquanto que o sub-quadro foi pintado de cinzento escuro metalizado, a condizer com a cor do quadro da moto.

O farolim traseiro é em LED, homologado, bem ao estilo racer, tal como os espelhos retrovisores “pendurados” na ponta dos punhos. O grande farol redondo dianteiro, tipicamente cruzado por fita isoladora negra, e a cor verde, nostalgica, com a típica lista branca central evocam indiscutivelmente os anos 60 e 70.

Mal ficou pronta, a Kawasaki começou logo a rolar, e depois de mais de 3.000 km feitos em 3 semanas, Daniel confessa que está tudo bem, e as qualidades da moto original não foram comprometidas. Continua a travar muito bem, a curvar como uma verdadeira moto de competição, enquanto que provoca “queixos caídos” a quem a vê passar.

Daniel diz que não vai mudar nada. O resultado final excedeu todas as suas perspectivas e gosta de se orgulhar de, à excepção das costuras do assento, ter sido tudo feito por ele, na sua pequena garagem. Incluindo a pintura! Adoro quando concluo um projecto. É muito gratificante!

Acaba as declarações com um agradecimento à esposa, Louise, e ao filhos, por terem aturado toda a confusão, barulho e a sua quase permanente ausência, ao longo de mais de dois meses.

AdM @ 19-12-2016 01:44:30


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