19ª Portugal de Lés-a-Lés foi a aventura de todos os recordes!

2017 teve a mais escaldante edição de sempre da grande caravana motocilística.

AdM @ 19-6-2017 13:58:34

Em ano marcado pela estreia de novo formato, o 19.º Portugal de Lés-a-Lés, o primeiro com quatro dias de aventura e descoberta na travessia do mapa nacional, viveu sob o signo do calor intenso.

Temperaturas elevadíssimas que não conseguiram derreter o prazer mototurístico da maior caravana de sempre, que registou a presença de 1800 participantes em 1650 motos.

Esta 19ª edição teve o trajecto mais longo de sempre, com 1164 quilómetros na ligação entre Vila Pouca de Aguiar e Faro, com paragem no Fundão e Elvas.

Outro ponto alto do evento foi o Arrastão da Grande Pedra, com quase todos os participantes a rebocarem um colossal bloco de granito com quase 13 toneladas (12 980 kg para absoluta precisão…) ao longo de 250 metros da mítica estrada N2, às portas da vila aguiarense.

Presidente da CM de Vila Pouca de Aguiar recebeu os participantes

Presidente da CM de Vila Pouca de Aguiar recebeu os participantes

Foi também estreado um novo formato das Verificações Técnicas, criado pela Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal , que teve um forte apoio da autarquia aguiarense, e que garantiu grande rapidez e eficácia, permitindo que todos arrancassem para o passeio pela Capital do Granito, descobrindo castelos e minas, jóias turísticas e gentes afáveis, ao longo de 94 km de diversão e convívio proporcionados pelo tradicional prólogo.

A verdadeira aventura começou com uma quente viagem até outra ‘capital’, a da Cereja, com as fabulosas paisagens do Douro Vinhateiro a competirem com a beleza e grandiosidade de aldeias e vilas históricas do Douro Superior (São Xisto, Almendra ou Cidadelhe) e castelos como Numão, Castelo Melhor, Pinhel, Sabugal ou Sortelha na passagem da caravana do Douro para a Beira Alta. 

Força de grupo no Arrastão da Grande Pedra

Força de grupo no Arrastão da Grande Pedra

Mas houve tempo para descobrir interessantes núcleos museológicos, longe das grandes cidades, como o Museu do Vinho de São João da Pesqueira, o Museu de Freixo de Numão ou o Museu do Côa, importantíssimo contributo para melhor entendimento das famosas pinturas rupestres.

Um dia muito quente, antecipando ainda mais escaldante ligação até Elvas onde o percurso mais ‘rolante’ permitiu ‘respirar’ entre cada paragem de descoberta mototurística, deixando perfeitamente maravilhada toda a caravana, incluindo atores (Vítor Norte, Helena Costa ou Alexandre Martins), campeões desportistas (Cândido Barbosa ou Nuno Laurentino ou Miguel Farrajota) ou políticos (o secretário de Estado da Juventude e Desporto João Paulo Rodrigues, os deputados da bancada parlamentar do PCP João Oliveira e Miguel Tiago, o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues) e outras figuras públicas como o juiz Rui Teixeira.

Foi uma tirada de sensações fortes, com as deliciosas curvas da N238 ainda com clima fresco, à surpreendente aldeia de Janeiro de Cima e as suas casas de xisto de tom alaranjado, ou à imponência da garganta do Zêzere.


Um período de descanso no Camping de Oleiros, e diversas curiosidades como o moinho que ajudava a prevenir as cheias do rio Ocreza em Foz do Cobrão, e as várias praias fluviais que foram ajudando a suportar a intensa canícula que atirava os termómetros para lá dos 40.ºC.

A entrada no Alentejo, rumo a Castelo de Vide, revelou retorcidas estradinhas, com paisagens que ajudavam a esquecer um pouco o calor num dia em que poucas foram as piadas sobre alentejanos e os seus modos de grande tranquilidade, com a personalidade moldada pelo calor que amolece e exige ‘tratamento especial’, fugindo às horas mais quentes, protegendo do sol e bebendo muita água.

Conselhos sublinhados pela organização a toda a hora mas que, ainda assim, não foram suficientes para evitar umas quantas queimaduras solares, sintomas de desidratação e mal-estar causado pelas elevadas temperaturas, maleitas mais frequentes assistidas pelos elementos da Emergência Médica, que registou ainda várias picadelas de abelhas, contracturas da anca (a água também poderia ter ajudado…) e algumas escoriações ligeiras devido a quedas a baixa velocidade.

Algo que o calor, roubando alguns reflexos, terá ajudado, mas praticamente insignificante quando se tem em conta que,  só durante o evento, e sem contar com as viagens desde e para casa de cada um dos participantes, foram percorridos mais de 2 milhões de quilómetros pelo extenso pelotão, que além dos portugueses, contava com a presença de espanhóis (145), franceses (11), suíços (9), polacos (2), alemães (2) e angolanos (2), um representante sueco, um luxemburguês, um macaense e até uma neozelandesa (!)

Todos puderam visitar alguns dos melhores museus interativos de Portugal, como o Centro de Ciência do Café premiado em 2015, motivo de orgulho de Campo Maior, a Capital do Café que integra o Grupo Delta. Já a visita à Adega Mayor, investimento mais recente do Comendador Rui Nabeiro com traço do arquiteto Álvaro Siza, fica para próxima ocasião.  

A viagem seguiu até Elvas, com as longas mas pouco monótonas retas de paisagens ‘decoradas’ com gado e onde até algumas lebres fizeram questão de saudar os motociclistas. Uma volta pelas muralhas da cidade mais abaluartada do Mundo, antecedeu a chegada à Praça da República, durante um quente e trovejante final de tarde.Umas pingas de chuva caíram mas nada de suficiente para arrefecer o escaldante evento que, em dia de encerramento, levaria os resistentes (praticamente todo o pelotão!) até ao centro de Faro depois da travessia do longo e desértico Alentejo. 

A terceira etapa, ficou marcada pela paragem nas Minas de S. Domingos, momento por muitos aproveitado para um refrescante banho na Praia Fluvial da Tapada Grande, até por Nuno Laurentino, o mais laureado nadador português de todos os tempos, e onde um ‘Cristo’ caminhando sobre as águas e ‘batizava’ os encharcados motociclistas que tudo faziam para conquistar mais um furo na tarjeta de plástico que atestaria a passagem pelos 18 controlos, confirmando o cumprimento da totalidade do percurso.

Outro ponto alto da etapa foi a visita ao Café Perdigão, na remota aldeia de Rosário, uma casa comercial com mais de meio século de existência, propriedade do senhor Amador Perdigão e da esposa D. Inácia onde, além do cafezinho (Delta, pois claro!) ou da cerveja mais ou menos fresca, é possível cortar o cabelo ou a barba ou até encontrar peças para as mais antigas motorizadas, e que deixou todos os que ali pararam completamente boquiabertos. 


Claro que não podiam faltar mais castelos ou não estivésse a caravana bem perto dafronteira com Espanha, palco de imensas disputas e batalhas ao longo dos séculos, pelo que Monsaraz, Noudar e Mértola, faziam parte da rota, com direito ainda a passagem pela Amaraleja, em tempos a maior aldeia de Portugal e famosa pelos recordes de temperatura e por aquela que já foi a maior central fotovoltaica do Mundo.

Isto antes da ponta final, de elevado prazer de condução, pela serra algarvia até Faro, com direito a vislumbrar o Monumento ao Motociclista e a sede do Moto Clube de Faro, marcos que sublinham a cidade algarvia como capital nacional do motociclismo, e que será o palco de partida da comemorativa edição dos 20 anos da maior maratona mototurística do Mundo. Vemo-nos por lá!

AdM @ 19-6-2017 13:58:34



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