História do desaparecimento da indústria de motos Britânica - 2ª parte: A II Guerra Mundial

A II Guerra Mundial teve um papel preponderante em fazer desaparecer muitas marcas de motos, que não mais regressariam.

AdM @ 13-7-2017 12:40:00 - Texto: Paulo Araújo


Durante a segunda guerra mundial, muitas marcas inglesas que não conseguiram assegurar contratos militares tinham fechado. Logo após o fim da guerra, o exército vendeu uma quantidade de motos como excedentes de guerra, criando uma abundância de modelos básicos baratos numa altura em que qualquer veículo tinha grande procura.

Panther Redwing 1932

Panther Redwing 1932

Não havia clientes para todas as motos produzidas, as exportações sofreram também e a carga fiscal nos motores maiores viu uma progressão para produtos mais económicos e simples. No fim da depressão, a Inglaterra tinha menos empresas de motos, em luta com a concorrência de carros nacionais mais baratos.

Só que as firmas que tinham sobrevivido eram as mais competitivas e agressivas. O mercado, mais reduzido, era de novo impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico e pelo sucesso em competição.

A moto era ainda um veículo utilitário, transporte económico para as massas trabalhadoras, mas começava a haver um foco em melhores prestações, mais estilo e principalmente, potência. Outro factor a acelerar o desenvolvimento destes modelos foi a evolução na rede de estradas do país.

Nas décadas antes e imediatamente depois da guerra, programas governamentais de investimento nas estradas, como elos de ligação essenciais à crescente industrialização do país, melhoraram a rede rodoviária, ligando todas as principais cidades. isto levou ao aparecimento de restaurantes rodoviários, de início virados só para os camionistas, mas cedo tornados pontos de paragem favoritos dos motociclistas.

Os gostos mudam

Surgiu assim a noção de café racing, quando grupos de jovens apostavam entre si a corrida entre um café e outro ponto local, incluindo um par de rotundas no percurso. Esta classe de motos levou ao aparecimento de preparadores e mecânicos de barracão, que modificavam as motos para as aligeirar ou extrair mais desempenho.

Combinações como a Triton (um motor de Triumph num quadro Norton) ou a Tribsa (motor de Triumph outra vez, desta num quadro BSA) surgiram assim.

Nos EUA, entretanto, estava em progresso um programa semelhante de construção rodoviária, com mais de 65.000 Km de estradas construídas pelos estados do país.

Mas lá, em vez de encorajar uma geração de motos a competir, as vastas rectas apenas deram origem ao declínio da cidade urbana e ao desenvolvimento de subúrbios descaracterizados. Em última análise, as motos ficaram iguais e daí evoluiu o carro americano médio: feio, pesadão, violento em consumos e pouco seguro.

Do lado europeu, porém, o desenvolvimento não parava: Nos anos 30 apareceram alguns dos mais inovadores conceitos e das melhores máquinas da história, como a Triumph bicilíndrica, a Ariel Square Four ou a Scott a dois tempos.

Porém, com a tecnologia a evoluir, subiram os preços e mudou, de certo modo, o papel da moto: ela tornou-se mais uma coisa de apaixonados pelo desporto ou competição. Ao mesmo tempo, o seu uso nas forças armadas e policiais, além de organizações como os correios ou automóvel clube, providenciava um mercado estável para os modelos utilitários. Porém, a moto como veículo barato estava a desaparecer e o advento da Segunda Guerra Mundial fez desaparecer muitas marcas mais um vez.

Matchless G3L Army 1941

Matchless G3L Army 1941

As que puderam e conseguiram, viraram-se para contratos militares, outras simplesmente fecharam. Só uma mão cheia conseguiu sobreviver a fazer só motos, com contratos do exército. A exportação praticamente parou com os bloqueios à navegação efectuados por submarino.

Os bombardeamentos alemães em Coventry e Londres provaram-se fatais para várias marcas, que nunca recuperaram das perdas de fábricas e maquinaria. Outras, simplesmente diversificaram, e não voltariam a fabricar motos.

No fim da guerra, o país abalado e financeiramente enfraquecido começou a ressurgir. O racionamento de gasolina, falta de matérias primas e baixo poder de compra atrasava a recuperação.

A inovação era prejudicada pela falta de fundos e atitude conservadora de firmas com medo de arriscar na frágil situação da economia. Mesmo assim, alguns projectos inovadores apareciam, mas falhavam ou eram simplesmente, caros demais.

Durante a segunda guerra mundial, muitas marcas inglesas que não conseguiram assegurar contratos militares tinham fechado. Logo após o fim da guerra, o exército vendeu uma quantidade de motos como excedentes de guerra, criando uma abundância de modelos básicos baratos numa altura em que qualquer veículo tinha grande procura.


(Brevemente teremos mais secções publicadas)

AdM @ 13-7-2017 12:40:00 - Texto: Paulo Araújo


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