Harley-Davidson: uma mudança radical na filosofia

A conhecida marca de Millwaukee tem um plano de crescimento comercial até 2020, havendo importantes alterações a registar nos seus objectivos e, naturalmente, nos seus produtos.

andardemoto.pt @ 3-8-2018 17:11:49

Os tempos mudam e as marcas têm que se adaptar às novas tendências do mercado e sobretudo às exigências dos seus novos e antigos clientes. Só desta forma poderão estar na vanguarda do desenvolvimento de novos produtos e continuar a lutar pela liderança de um qualquer segmento ou mercado, num contexto cada vez mais vasto e globalizado.

É precisamente isso que a Harley-Davidson se propõe realizar, ao apresentar os seus planos para novos produtos, mas também responder, numa espécie de reacção estratégica às desconfianças dos seus investidores e aos ataques de que tem vindo a ser alvo por parte do Presidente Trump, cujos últimos desenvolvimentos pode acompanhar na notícia que publicámos recentemente, Harley versus Trump, uma novela económica (clique aqui para ver).

"As acções ousadas que estamos hoje a anunciar assentam nas capacidades e no poder competitivo da Harley-Davidson, na nossa excelência no desenvolvimento e fabrico de produtos, na atractividade global da marca e, claro, na nossa fantástica rede de concessionários", afirmou no passado dia 30/08/2018 Matt Levatich, presidente e director executivo da Harley-Davidson, Inc. “Juntamente com os nossos actuais e leais clientes, lideraremos a próxima revolução da liberdade em duas rodas para inspirar os futuros motociclistas que ainda não experimentaram a emoção de conduzir uma moto”.

Sob o lema “More Roads to Harley-Davidson”, a marca norte-americana que este ano comemora o seu 115º aniversário, e que já anunciou que vai realizar o seu European H.O.G. Rally de 2019 em Portugal, mais precisamente em Cascais (clique para ver mais), tem como objectivos apresentar novos produtos para novos segmentos e novos mercados. 

A estratégia recentemente anunciada, em comunicado à imprensa, consiste em manter satisfeitos os actuais clientes, fiéis à marca no segmento “heavywheight”, com os tradicionais motores "big Twin", mas com a preocupação de conquistar novos públicos. 

Continuar a fabricar motos Touring e Cruiser é um dado adquirido nos planos da Harley-Davidson para os próximos anos, pois um novo modelo da gama de 2019 já foi fortuitamente revelado, e trata-se duma provavelmente explosiva "power cruiser", denominada FXDR 114, concorrente directa da Ducati X Diável, e cujas imagens fugazes pode ver na foto acima ou no vídeo oficial que partilhamos abaixo.

No entanto a marca pretende introduzir também, e a curto prazo, uma nova plataforma de modelos "lightweight" de cilindrada intermédia, com refrigeração por líquido, que abrange três gamas de produtos distintos e quatro cilindradas diferentes, mas sobre a qual não adiantou muito. Aliás, o comunicado é bastante genérico e deixa mais à imaginação do que a certezas.


Veja o vídeo de apresentação oficial

Mas a marca fundada por Bill Harley e William Davidson pretende ir ainda mais longe, com a criação de motos mais acessíveis ao grande público, recorrendo assim a motores de baixa cilindrada – de 350cc a 500cc, sendo estas destinadas exclusivamente ao mercado asiático, mais concretamente ao mercado indiano onde o fabricante americano já tem uma vigorosa unidade de produção. 

Desta forma, a Harley-Davidson conseguirá incutir-se na India, um mercado em franco crescimento e com um enorme potencial, e que à semelhança de outros países com economias emergentes, está sedendo que produtos com "griffes" de prestígio, sejam elas americanas ou europeias.  

Isto enquanto continuam a sair notícias sobre desenvolvimento, nomeadamente registos de patentes, que comprovam que em termos de evolução tecnológica, a Harley-Davidson não se deixou ficar para trás, sendo disso um bom exemplo a notícia sobre o dispositivo de travagem autónoma que pode ver se clicar aqui.

Também as motos eléctricas estão em força nos planos da marca de Milwaukee e, conforme já tínhamos noticiado no início deste ano, além da tão badalada LiveWire, a mítica marca americana tem outros projectos na manga como pode ver abaixo:

Steve Lambert, Director de Marketing da Harley-Davidson, comentou recentemente em entrevista ao site BikeExif que os Veículos eléctricos agora apresentados (além da LiveWire que, também segundo Lambert, estará à venda em 2019 e já tem uma carteira de clientes significativa à sua espera), são resultado do empenho da marca em expandir a sua gama a uma clientela mais jovem.

As "EV bikes" e as "E-bikes" são veículos mais fáceis de conduzir, sobretudo devido à ausência de embraiagem e caixa de velocidades, funcionando na base da "acelera", pelo que basta enrolar o punho... e usar os travões! São por isso mais apelativas a uma mais alargada faixa de usuários. E uma solução eficaz e económica de mobilidade urbana sobretudo nos grandes centros e para as camadas mais jovens da população.

É provável que a entrada da Harley-Davidson neste mercado seja mais proveitosa para a definição do próprio mercado e respectiva regulamentação global, do que para a marca americana. Mas será seguramente um passo firme na direcção de uma nova mobilidade.

Em concreto a Harley-Davidson apresenta uma nova plataforma de segmento médio com cilindradas entre os 500 e os 1250cc, apesar de, tal como já dissemos, as informações serem escassas. Abaixo ficam os 3 modelos em questão, que podem posteriormente servir de base a modelos futuros para complementação das respectivas gamas.


Harley-Davidson Pan America 1250

Harley-Davidson Pan America 1250


Harley-Davidson Pan America 1250

Com chegada prevista ao mercado em 2020, a Pan America 1250, cuja imagem do protótipo pode ver acima, é uma "adventure touring" de linhas pouco convencionais com que a marca pretende atacar o segmento mais bem sucedido em termos de vendas da actualidade.

É talvez o modelo com mais impacto em toda a comunicação social. Presume-se das imagens, e da ausência de pormenores técnicos, que está equipado com um quadro que usa o novo motor V-twin a 60º DOHC de 1,250cc e refrigerado por líquido, como elemento estruturante.

Forquilhas invertidas com curso acrescentado e regulação, roda de 19 polegadas na frente, pneus de "aventura", amortecedor traseiro com regulador satélite da pré-carga, ecrã pára-brisas com regulação em altura, são outros dos pormenores visíveis nas imagens.

Nota-se um elevado cuidado no desenho aerodinâmico, tanto da carenagem frontal como do ecrã, o que potencia uma utilização turística, provavelmente igualmente eficaz para o passageiro.

Uma protecção de cárter que aparenta uma boa solidez, protecções do motor e uma razoável altura ao solo confirmam alguma aptidão para enfrentar caminhos difíceis. Embora os piscas embutidos nas protecções de punhos não pareçam ser boa ideia!

Questões como: A suspensão tem regulação eléctrica? Há controlo de tracção? E modos de motor? Qual a potência? Qual o peso? O painel de instrumentos já é um TFT a cores? - estão neste momento sem resposta.


Nova Custom


Uma nova Cruiser musculada, dotada de um novo motor refrigerado por líquido, provavelmente o mesmo que vai equipar a Pan America, mas com detalhes mais cuidados, pretende vir a ser um exemplo de performance extrema, provavelmente inspirado no sucesso comercial da Indian Scout que até agora a marca de Milwaukee não tem tido forma de combater.

Um quadro em treliça de tubos de aço, com apoio central para o motor, e um (mono?) braço oscilante de aspecto bastante robusto, além da forquilha invertida, são elementos que saltam imediatamente à vista. Tal como o pneu de perfil elevado, que confere o aspecto "retro".

Este modelo, que pode perfeitamente ser a base de renovação da gama Sportster, expectável depois da revolução que ocorreu em 2017 com a apresentação das novas Softail e a extinção da gama Dyna, está previsto chegar aos concessionários em 2020, mas ainda não foram definidos os mercados que o vão comercializar.


Nova Streetfighter



Uma verdadeiramente nova moto, completamente fora do padrão da marca americana, de linhas sedutoras e aspecto ágil e musculado, equipada com um novo motor V-Twin de 975cc, também refrigerado a líquido, cuja chegada ao mercado está também prevista para 2020.

O comunicado de imprensa da marca refere apenas que novos modelos dentro deste segmento irão complementar esta gama a partir de 2022.

Este é um segmento de mercado que está em crescimento, cujos clientes são sobretudo jovens, responsáveis pelo sucesso comercial global de diversos modelos semelhantes tanto de marcas europeias como de marcas japonesas (Dukes, Monsters, MTs, Triples, Zs), pelo que se espera que as prestações e o comportamento dinâmico destas motos seja radicalmente diferente daquilo que estamos habituados a ver nos produtos de Milwaukee.

Seguramente a nova Naked terá também homologação para carta A2.

andardemoto.pt @ 3-8-2018 17:11:49