Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Férias em duas rodas - Não negue à partida uma experiência que desconhece

O sol, o calor e as férias são os ingredientes preferidos de qualquer amante das duas rodas. Ainda assim, são poucos os que se aventuram a deixar o carro em casa e a levar a mota de férias. Porquê? O que faço aos 300 kg de bagagem que levo comigo todos os anos? E o guarda-sol? E as toalhas? E os sapatos? E a maquilhagem? E o tablet, portátil, carregadores, consolas… 

AdM @ 17-7-2017 00:09:43 - Susana Esteves

Até numa destas há que fazer opções

Até numa destas há que fazer opções

O primeiro passo é parar para pensar: queremos viver umas férias divertidas, relaxantes e inesquecíveis, ou vamos apenas mudar de casa? Existem várias opções para quem quer ir de férias com a sua mota, seja ela uma scooter 125c ou uma mota de grande cilindrada. 

Por que não fazer a rota das mais bonitas praias fluviais do país? Conhecer as fantásticas (e mais escondidas) praias do Algarve, explorar a sério o Gerês, seguir o rio Tejo até Espanha, criar uma rota transmontana ou fazer a rota dos vinhos com direito a degustação. As vantagens são muitas: a viagem é mais agradável, não existem filas de trânsito nem problemas de estacionamento. 

É claro que este privilégio é só para alguns. Com filhos abaixo dos 7 anos as coisas complicam-se, mas se já forem crescidos é uma boa oportunidade para lhes proporcionarmos umas férias diferentes e com mais adrenalina. E é de pequenino que o “bichinho” começa.

São vários os desafios

Arrumação

O principal desafio é o espaço de arrumação. Os detentores de uma Scooter ou de um modelo de Touring conseguem mais facilmente gerir o problema do espaço, mas existem inúmeras alternativas disponíveis que podem ajudar. 

Os alforges são excelentes e fáceis de usar. Pode optar pelas malas que assentam sobre os depósitos, pelas redes elásticas (muito úteis) ou pelas tradicionais mochilas. 

Independentemente da opção, procure manter o equilíbrio de tudo: as coisas mais pesadas, mais largas e mais estáveis no fundo; nada de peças soltas que possam deslocar-se nas curvas e peso equilibrado, principalmente se usar alforges.


Roupa

Quando fazemos duas e três viagens por mês aprendemos “à força” a colocar na mala apenas o necessário, a abdicarmos de algumas coisas e a não exagerarmos. Rapidamente perdi o meu espírito “feminino” de transportar todos os acessórios e cremes e roupas extra e sapatos extra e as restantes centenas de coisas extra (que nunca usamos, mas levamos na mesma). 

Há roupas mais leves e mais finas, que não se amarrotam facilmente e que são extremamente confortáveis. Calções que se transformam em calças, casacos quentes que ficam do tamanho de um pacote de arroz, as opções são muitas. 

Para arrumar tudo basta uma pequena pesquisa na Internet para facilmente dominarmos as técnicas de dobrar roupa e conseguirmos colocar uns calções, camisola e roupa interior num rolo de roupa minúsculo (quase magia).

Acessórios

As toalhas, cremes, chapéus e chinelos são apenas um pormenor O chapéu-de-sol facilmente se substitui por uma tenda de praia que dobrada cabe em qualquer cantinho, as grandes e volumosas toalhas são substituídas por umas mais finas e os chapéus de corrida são uma ótima opção: frescos, de boa qualidade e podem ser facilmente dobrados sem perderem o formato. 

Qualquer supermercado hoje em dia tem cremes, champôs e todo o tipo de produtos de higiene pessoal em tamanho de viagem, que muitas vezes usamos nos ginásios e nas piscinas. Também pode aproveitar o pretexto das férias para fazer um "upgrade" à mota, seja com umas malas fantásticas que dão para transportar tudo sem ter de fazer malabarismos ou magia com as roupas, com um pequeno suporte para o telemóvel/GPS, ou com uns intercomunicadores que permitem atender chamadas, ouvir música e falar com os companheiros de viagem.

Organização

Seja prático. O espírito de ir de férias de mota está assente num ponto importantíssimo: a liberdade e o descanso. Organize a sua viagem e aproveite para visitar os locais que sempre quis, desfrute da natureza, pare mais, conviva, descanse, vá sem horários e saia da zona de conforto. A experiência de viagem pode ser inesquecível.


Segurança e Seguros

Numa "grande" ou numa "pequena", é fundamental a segurança. Liberdade e descanso é o objectivo.

Numa "grande" ou numa "pequena", é fundamental a segurança. Liberdade e descanso é o objectivo.

Manutenção, pneus, gasolina são pontos de verificação obrigatória antes de seguir viagem, e a documentação (pessoal e do veículo) é tão importante num carro como numa mota. A questão dos seguros não está associada à validade. Por regra procuramos sempre o seguro mais barato, mas ao fazê-lo temos que ter a noção das coberturas. 

Este podia ser um parágrafo desnecessário por ser lógico, mas depois de algumas conversas recentes achei por bem incluí-lo. Por uma questão de preço, e generalizando, a maior parte dos seguros tem apenas a obrigatória responsabilidade civil perante terceiros, ou seja, o condutor não está seguro. Os outros um pouco mais completos também nem sempre cobrem roubos, incêndios do motor ou despistes. 

Estes são aqueles “pormenores” que ficam abandonados nas letrinhas pequeninas que acompanham os contratos de muitas páginas que ninguém lê, e que para serem contemplados exigem franquias mais altas e apólices complementares. As seguradoras e os motociclos têm uma espécie de relação ódio/ódio e muitas vezes só percebemos isto quando precisamos delas. 

Os próprios seguros de vida que somos obrigados a fazer quando pedimos um empréstimo para uma casa não cobrem, habitualmente, acidentes com veículos de duas rodas. Antes de uma viagem maior informe-se.

Por fim, mas não menos importante: a segurança. Casaco, luvas, capacete bem ajustado e um calçado confortável. 

Boas curvas

AdM @ 17-7-2017 00:09:43 - Susana Esteves



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