Paula Kota

Paula Kota

OPINIÃO

Deixar a “mariquice” em casa …

Uma das vantagens de viajar sozinha é poder vestir o que me apetece sem ter alguém a vigiar a minha “toilette”. Por restrições profissionais, nunca posso ir de férias mais de 20 dias seguidos. Ora, com tão pouco tempo, a última coisa que quero é viajar carregada com conjuntos da moda ou pechisbeques. Escrevo hoje umas linhas sobre viajar com sentido prático – levar apenas o essencial de roupa, gadgets, documentos, medicamentos ou ferramentas, sem que sobrem coisas que nunca precisei durante a viagem. Muita ou pouca bagagem, o fundamental para viajar é a ATITUDE.

andardemoto.pt @ 18-5-2018 16:00:52 - Paula Kota

Roupa

Viagem, viagem, significa andar dias seguidos com o equipamento da moto vestido. Blusão, calças e botas. Então só preciso de T-shirts, peúgas e cuequitas. Estas últimas, se não chegar o stock compram-se descartáveis. T-shirts e peúgas levo apenas para metade dos dias. Sim, a mesma T-shirt pode ser vestida vários dias. Depois é deitar fora ou oferecer a alguém. Se não forem suficientes podem-se comprar pelo caminho. Em 2014 comprei 6 pares de peúgas e 6 T-shirts no Bazar de Istambul por 5 euros. Má qualidade. Não interessa. Não chegaram a Portugal. No ano passado, no Vietname, perdi os meus ténis. Comprei outros à beira da estrada por 7 euros. Serviram na perfeição. Estão no armário prontos para a próxima viagem. Há quem guarde as meias e t-shirts rotas para levar em viagem e largá-las pelo caminho. Eu já não posso fazer isso. Já larguei toda a minha roupa velha por meio mundo.

O que falta? Roupa para usar nos dias de descanso ou ao fim da tarde ao jantar. Aqui entra o sentido prático. Posso usar as mesmas calças (ou calções) e a mesma camisola durante diferentes dias. Cada dia estou num destino diferente, ninguém controla se usei a roupa de ontem. Os finais de tarde, durante o jantar, são curtos, apenas poucas horas. A não ser que alguém entorne o copo para cima de mim, não preciso de roupa extra. E para isso também há as peças de secagem rápida. Vão para o duche comigo e o sabão azul e branco lava tudo. É só pendurar e no dia seguinte está operacional. No verão só uso roupa de secagem rápida. Com o calor, o algodão ensopa, arrefece, nunca mais seca e torna-se desconfortável.

Extras altamente recomendados: Óculos de sol, fato de banho, toalha (daquelas leves e de secagem rápida), um par de luvas extra, fato de chuva uns chinelos e um casaco leve. Com isto tudo e mais os artigos de higiene já quase se enchem as malas laterais.

Gadgets

O telemóvel já se tornou indispensável. O tablet dá jeito. O carregador é o mesmo para os dois (e o cabo serve para passar ficheiros entre os dois). Se a bateria falhar compra-se. Até no Irão é possível comprar acessórios para os gadgets. O problema foi eu ter um telemóvel velho e ter sido difícil encontrar uma bateria tão antiga. No Camboja o cartão SIM que comprei não funcionava. Um miúdo com uma banca de “tecnologia” na rua resolveu o problema.

GPS não tenho. Nasci no século passado e uso mapas. Aliás, nenhuma máquina me diz para onde ir. EU escolho o meu percurso. No mapa. Preferencialmente pelas estradas secundárias. O gozo da Viagem começa no planeamento. Dizem que um GPS dá muito jeito para encontrar o hotel dentro das cidades. Não acho assim tão necessário. Quando preciso, pergunto direções. Se a cidade for mesmo muito grande, contrato um táxi para ir à minha frente até ao destino. Simples!

Máquina fotográfica, embora já não tão fundamental como antes (há telemóveis que fazem melhores fotos que algumas máquinas) levo sempre, só porque o meu telemóvel é muito antigo e as fotos ficam fraquitas.

Tenho sempre comigo, à mão, um bloco de notas e caneta. Centenas de vezes que parei à borda da estrada para escrever. Devo ser doida.

Documentos

O passaporte é mais valioso que o cartão de crédito. Caso o dinheiro acabe, há sempre um familiar ou Amigo que nos envia por sistemas de expresso. Agora sem passaporte … corremos o risco de ter um problema gravíssimo. Para além dos documentos obrigatórios que levo sempre em papel (passaporte, CC, cartão de vacinas, carta de condução, documentos da moto e papel de exportação temporária) tenho sempre cópias no e-mail. Em qualquer lado se imprime e facilita bastante em caso de roubo.

Só uso o cartão de crédito em pagamentos em hotéis. Não levanto dinheiro em ATM pois os bancos cobram taxas pornográficas. Saio daqui com euros divididos e escondidos em diferentes partes da moto, da bagagem ou em mim. No último dia da minha viagem pelo Butão e Sikkim estava falida. Estive o dia todo sem comer à espera de entrar no avião. Só quando cheguei cá descobri que ainda tinha 50 euros escondidos…


Medicamentos

Viajar pela Europa é fácil e há tudo. As únicas coisas que podem dar jeito numa emergência são os comprimidos para a dor de cabeça e as pastilhas para a ressaca. Quem vai para o Norte da Europa no Verão deve levar também repelente de mosquitos e creme para picadas (apanhei com tantos, tantos, na Escócia que tinha de parar regularmente para limpar a viseira). Agora para outros destinos mais “agrestes” há algumas precauções. Para além do que já escrevi, levo sempre antibiótico para os desarranjos intestinais. Quando a coisa acontece, é fortíssima. Falem com o vosso médico. Costumo levar também soro fisiológico para os olhos, pensos rápidos e uma ligadura elástica. Há outras coisas que se podem levar, mas para mim, estas são essenciais. Por fim o “medicamento” que é mesmo o mais importante é - deixar a mariquice em casa!!!

Ferramenta

O que levar sempre, sempre, seja em viagem seja num fim de semana: fita americana, abraçadeiras pequenas, cintas de aperto e WD-40. O que não se conseguir resolver com um destes 4 itens, só mesmo na oficina.

Adicional ao kit de ferramenta da moto, um telefone é o mais importante. Para ligar a um mecânico ou à assistência em viagem. Sou daquelas “viajantes” que não percebe nada de mecânica e acredita que existem chaves de parafusos em todo o mundo. Neste capítulo não posso ajudar mais. Deixo para os “profissionais”.

Embora não seja “overlander” tenho sempre comigo um canivete suíço e uma lanterna. Nunca precisei. Mas cada um com a sua mania.

Atitude

Até se pode não levar bagagem nenhuma ou levar tudo o inimaginável. Mas o fundamental para viajar é a ATITUDE.

Vamos para a casa de outros, respeitamos os costumes deles. Estamos num país diferente do nosso, há que perceber que somos apenas visitantes.

Por favor e obrigado é linguagem universal. Só muda o idioma, mas os gestos e o olhar falam mais que as palavras.

Paciência, humildade e simpatia – Desde as formalidades para passar fronteiras até simplesmente pedir o almoço. Três características que ajudam e fazem a diferença.

Os Ocidentais que viajam com a mania que são ocidentais e têm uma mota “muita-gande” …. São sempre enganados.


…. Acho que já escrevi demais

Ponho-me a “falar” da minha paixão e não me calo. Para aqueles que leram até aqui, são os meus heróis de leitores. Desculpem a seca. Um destes meses falo mais sobre este tema.

Deixo apenas uma sugestão: SEJAM PRÁTICOS

Boas Viagens

PS: Então e se surge algum convite ou situação extraordinária que se precise de uma roupita mais “formal”?  Simples, uma Mulher com um vestido preto e um batom está sempre elegante …

Outros artigos da Paula Kota:

Abril 2018 - Sim, Tenho medo…

Março 2018 - Chuva civil não molha Motard

Fevereiro 2018 – Eu Vou!

Janeiro 2018 – Kotices

andardemoto.pt @ 18-5-2018 16:00:52 - Paula Kota