Paulo Araújo

Paulo Araújo

Motociclista, jornalista e comentador desportivo

OPINIÃO

Uma crónica acerca de... nada!

O leitor já terá reparado que todas as semanas publicamos uma crónica, no meu caso, normalmente, acerca do mundo que me é mais querido e próximo dentro do universo das motos, o das corridas de velocidade...

andardemoto.pt @ 6-6-2018 23:38:43 - Paulo Araújo

Às vezes, porém, não me apetecia escrever nada, ou escrever acerca de nada... e é daí mesmo que vem a crónica desta semana... uma crónica sobre nada. Já verão adiante como o nada é importante!

Nada é o que tem de estar no depósito antes de o podermos encher de gasolina para mais uma saída nas nossas queridas motos... mas se não tivermos nada com que pagar a gasolina, isso também não ajuda...nada! Nada é o que esperamos encontrar à nossa frente, ou seja, estrada livre, para progredir a bom ritmo e sem colidir com...nada. Por falar nisso, nada como um bom dia de sol, verão ou inverno, para nos fazer sentir... como nada além da moto nos consegue fazer sentir! 

Se a vida é feita de pequenos nadas, as motos são, por vezes, um tudo...(ou nada) ...indispensáveis para a nossa sanidade mental. Ou, se quiserem, para que nada se passe com as nossas cabeças. Nada pode ser negativo quando perdemos alguma coisa e não encontramos nada, quando o sistema eléctrico falha e nada funciona, ou não vemos nada por estar escuro demais... nesses casos, nada como ter uma daquelas lanternas de LEDs algures na bagagem... Nesse caso, nada é bom de encontrar!

Nada pode ser positivo... nada ainda é bom, quando esperamos uma má notícia... no news is good news, a lembrar o famoso livro sobre a Grande Guerra de Erich Maria Remarque, all quiet on the western front... que, claro, traduzido em português é... a oeste nada de novo! 

Nada que fazer é o que nos permite pegar na moto e, sem destino particular, ir dar uma volta... rumo a nada? E que melhor desculpa para quando nos perguntam o que estávamos a fazer e não queremos, ou podemos, dizer? Pois, claro, nada! nadas menos agradáveis, como estar desempregado e não ter nada que fazer, ou estar à espera de uma encomenda e não chegar nada... nada é o que nos deixava o governo, por vontade deles, depois de pagarmos Imposto disto e daquilo, segurança social, IRS, IRC, IVA, IUC, IMI, ISV, Imposto de Selo, ou o outro imposto menor, o de parecê-lo, porque como todos sabemos, mais vale sê-lo que parecê-lo! Nada é o que nunca esperamos encontrar quando deixamos a moto estacionada, mas por vezes acontece... o melhor mesmo, é que esteja lá no sítio e nada nem ninguém lhe tenha tocado!

Nada, no sentido de vazio, ou vácuo, é o que permite ao movimento descendente do pistão encher a câmara de mistura, para de seguida a comprimir para (quase) nada, antes da explosão... claro que, depois da explosão, o pistão sobe de novo para realizar o tempo de escape, deixando de novo... nada dentro do cilindro! Quando este movimento se repetir vezes suficientes, daí a muito quilómetro (mas numa Superdesportiva, daquelas que dão 300, pode ser já daqui a nada!) voltamos a não ter nada no depósito e é tempo de o encher de novo. 

Nada é o que esperamos ouvir quando fazemos análises para saber se temos alguma coisa grave, ou quando deixamos  a moto no mecânico para ver o que era aquele barulho misterioso e ele nos diz que... não era nada!

Claro que não vos estou a dizer nada de novo... desculpem lá qualquer coisinha, ou nada ... e espero que nada semelhante me ocorra nos próximos tempos!


andardemoto.pt @ 6-6-2018 23:38:43 - Paulo Araújo