Ana Amorim Dias

Ana Amorim Dias

Escritora, advogada, empresária e motociclista

OPINIÃO

Não foram as motas

O que me fez ser motociclista não foram as motas, disso não me restam dúvidas; foram as pessoas simples, livres e inteiras que normalmente as comandam.

andardemoto.pt @ 21-7-2018 15:57:14 - Ana Amorim Dias

Por mais que certas visões mecânicas me deslumbrem os sentidos; por mais que os sons de alguns motores me ponham o sangue a ferver e por mais que as voltas que dou a sós na minha deliciosa montada me devolvam sempre a energia vital, foram os motociclistas que me fizeram querer ser como eles.
E conheço muitos. Novos e velhos; alguns apenas fieis a uma marca, outros menos absolutistas. Conheço-os na versão masculina e feminina, de muitos países e vários continentes; uns com centenas de milhares de quilómetros nos quadris, outros, mais modestos, apenas adeptos das pequenas voltas. Conheço muitos independentes e outros tantos pertencentes a clubes cujas cores e insígnias vestem como quem enverga o sangue de uma família que se escolhe e pela qual se dá a vida se preciso for. Conheço-os: os bonzinhos, os bonzões, os maus e os mauzões também, daqueles que assustam até que os conhecemos um pouco melhor e ganhamos anjos da guarda.
Seja na normalidade dos dias ou nas icónicas concentrações, vou constantemente conhecendo homens e mulheres que são melhores por amarem motas e o que elas representam; pessoas maiores, mais humildes, mais humanas, mais épicas e resilientes, que são assim com a mesma naturalidade com que se percorrem as curvas depois de nos fundirmos com as máquinas.

Reconheço que não se pode negar a existência de criminosos que também andam sobre duas rodas mas, tendo-me tornado numa melhor versão de mim por querer ser como a generalidade dos motociclistas, não me posso permitir o silêncio enquanto a comunicação social se empenha a formatar a opinião pública na pintura de uns por todos.


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