OPINIÃO

As marcas de motos que (não) compramos

Que país é este onde somos tão poucos a andar de moto? Onde já houve uma “indústria” de motos, começávamos a andar de "motorizada" em tenra idade e agora há apenas “comércio” e fraco, salvo poucas mas honrosas excepções como é o caso da AJP.

José dos Santos @ 15-2-2014 19:01:50

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Este é o nosso país, Portugal, onde, ao contrário do que alguns tentam fazer crer, as vendas de motos (ciclomotores incluídos) têm vindo a cair nos últimos três anos. 

No início de 2012, o estudo que temos vindo a analisar neste espaço mostrava que as vendas iam cair, porque a intenção de compra nos próximos 12 meses era muito baixa (3,7%). Apenas 0,3% das pessoas afirmavam ser uma certeza e 3,4% diziam que era uma forte possibilidade comprar uma moto para o próprio ou para alguém do lar, nos 12 meses seguintes. Como da intenção ao acto, vai uma certa distância (maior em tempos de contenção), provavelmente alguns destes não concretizaram a compra. As vendas de 2012 e 2013 provaram isso mesmo, caíram relativamente a 2010 e 2011. 

Como se pode observar no gráfico em cima, (clique para aumentar) de 2009 para 2010 as vendas subiram, na minha opinião e de muitos outros, pela entrada em vigor em 2009 da directiva que permite conduzir motos até 125cc (genericamente) com carta de condução de automóveis ligeiros. E é precisamente nesse segmento que há o aumento significativo de vendas, iniciando-se a queda de vendas nas motos com + de 125cc e dos ciclomotores (<=50cc). Mas nem este incentivo consegue segurar as vendas, tendo sido sol de pouca dura e a tendência de queda volta imediatamente em 2011, ainda suavizada pelo segmento das 125cc. Nos dois últimos anos, já nem este segmento resistiu. E chegámos ao final de 2013 com menos unidades de motos vendidas (17 074) do que o somatório de apenas duas marcas de automóveis (2 primeiras), a Renault (12 282) e a Volkswagen 10 131), 22 413 no somatório das duas.

Perguntar-me-ão, mas desde quando é que o mercado de motos é comparável ao dos automóveis? De facto não é mas devia ser, é a minha opinião, provavelmente não em termos absolutos, mas sem dúvida em termos relativos. A moto é também, para além de muitas outras coisas, um meio de locomoção, de transporte e com muitas vantagens financeiras, de tempo nas deslocações, estacionamento e muitas outras. Não quero com isto dizer que substitui definitivamente o automóvel, porque quando vou buscar a minha filha à escola (pré- primária), não posso fazê-lo de moto ou quando viajam mais de dois elementos da família. Mas na maioria dos dias do ano, uma moto em vez de dois ou três ou mais automóveis no lar, era, e é de facto, uma mais-valia na vida individual e familiar. 

Mas voltemos aos resultados do estudo. Perguntou-se às pessoas o seguinte: atendendo às suas possibilidades financeiras e necessidades, que marca de moto compraria (não confundir com intenção de compra). O resultado pode ver-se na imagem que se segue. Ao contrário dos indicadores anteriormente analisados (notoriedade, preferência e melhor marca), este indicador revela maior dispersão de marcas referidas.


Como verificamos, este estudo realizado no início de 2012 indiciava uma alteração no leque e no ranking de marcas mais vendidas em Portugal. Isso mesmo pode ser comprovado nas imagens que mostramos sobre as vendas dos últimos cinco anos.

Como exemplo do prenúncio dessa alteração, sublinho o facto de determinadas marcas marcarem a mente de muitos, neste indicador, já no início de 2012. São exemplo disso a Keeway, Sym, Daelim e Kymco entre outras, que obtiveram uma boa posição no ranking. Estas marcas não tinham, nessa altura, expressão nos indicadores de notoriedade, marcas que mais gosta ou melhor marca, o que não deixa de ser, no mínimo, curioso. E mais uma vez, convido-vos a observar os quadros com a evolução das vendas e tirar as vossas conclusões. 

Quero também referir-me a marcas como Casal e Famel que aparecem no Top 15. Não existirá uma correlação entre estes resultados e o revivalismo destas e outras marcas do passado? Talvez não seja por acaso este resultado e por exemplo, a real e laboriosa actividade de restauro e comércio de motos e motorizadas antigas. Ou o lançamento, por parte de muitas marcas, de modelos revivalistas, comummente designadas vintage.


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Para finalizar ficam aqui algumas curiosidades. A Honda foi a marca de motos que mais vendeu nos últimos anos e em 2013 vendeu 4 435 unidades, o que é mais do que todas as marcas juntas (4 393), se retirarmos a Keeway (2º lugar), Sym (3º), Yamaha (4º) e Piaggio (5º), as quais, em conjunto, colocaram 5 795 unidades no mercado. Comparando com os automóveis, a Honda que é a campeã de vendas de motos, vendeu em 2013 (4 435), ligeiramente mais do que a marca de automóveis que ficou em  12º lugar no ranking de vendas no mesmo período (Ford: 4 419 unidades de ligeiros de passageiros).

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Ver também: Motos: as marcas que mais marcam a nossa mente, Desejo e paixão, com ou sem razão e Motos: quais são as melhores marcas

Nota: as vendas têm como fonte a ACAP

Nota: Estudo realizado no início de 2012. Universo: indivíduos residentes em Portugal, com 18 e mais anos e utilizadores frequentes de internet. Amostra: a amostra do estudo é de 1.091 entrevistas válidas e representativa do universo referido.

José dos Santos @ 15-2-2014 19:01:50