Teste Gama Heritage BMW Motorrad - RnineT, RnineT Pure e RnineT Racer

A gama de motos de charme da BMW Motorrad expandiu-se com o lançamento de dois novos modelos neste início de 2017.

AdM @ 16-4-2017 18:35:47 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira


A Gama Heritage da BMW Motorrad conta já com cinco elementos. Os três que aqui apresentamos: R nineT, R nineT Pure e R nineT Racer, a R nineT Scrambler modelo de 2017, com especificações Euro4, que já tinhamos testado no final do ano passado (clique aqui para ver), e a R nineT Urban G/S anunciada no final do ano passado, também em Milão, ainda não está disponível no mercado.

Quando a BMW Motorrad apresentou a R nineT, em 2013, ela representava mais do que um mero exercício de estilo. Combinava um design clássico com tecnologia avançada, para criar uma moto divertida de conduzir, e deliciosa de contemplar.

A elevada atenção ao detalhe estava ao nível das soluções tecnológicas encontradas para fazer “reviver” e colocar em evidência o carismático motor boxer de oito válvulas, com 1200cc de cilindrada, refrigerado a ar e óleo, e o sucesso do então novo modelo foi estrondoso, pois todo o conjunto oferecia inúmeras opções de personalização, e o catálogo da marca disponibilizava um vasto leque soluções. 

Mas a BMW cedo percebeu que, sobre a mesma base, podia criar novos modelos. E assim foi, tendo a Scrambler, apresentada em Milão em 2015, repetido o sucesso de vendas do modelo original quando chegou ao mercado no final de 2016.

Entretanto, ainda em 2016, no Salão de Colónia, foram apresentados dois novos modelos: a Pure e a Racer que lhe trazemos hoje, aqui, juntamente com a R nineT original, que por via da normativa Euro4 obrigou a BMW Motorrad a fazer-lhe algumas alterações. 

A unidade motriz e a transmissão é comum a todos estes modelos, e debita uns pujantes 110cv de potência, com uns saudáveis 120Nm de binário, capazes de garantir elevados níveis de diversão e adrenalina. E se a caixa de velocidades não apresenta a suavidade e a leveza da dos novos boxer com refrigeração por líquido, também é verdade que o seu desempenho é irrepreensível, e de certa forma até contribui para dar mais carácter a esta gama “Heritage”.

Também ao nível da ciclística, e excepção feita à nova forquilha invertida da R nineT, tanto as suspensões como a travagem apresentam as mesmas soluções, e têm um desempenho semelhante.

Os travões são de uma eficácia cirúrgica, mostrando uma grande sensibilidade, e não apresentam efeito de “fading”, nem mesmo quando abusados durante a sessão de fotos.

Em todos os modelos o ABS já é equipamento de série, mas o controlo de tracção é um opcional, e pelo preço de apenas 335,00€, a sua instalação é mais do que recomendável, já que proporciona outro nível de diversão, com muito mais segurança, e sem retirar qualquer prazer à condução.

Aproveitando a oportunidade de estas 3 motos estarem disponíveis ao mesmo tempo,  fizemo-nos à estrada com elas, para ver se as diferenças entre os diversos modelos são assim tão grandes, que justifiquem um lugar próprio na gama “Heritage”.

Passamos então à análise de cada uma delas em particular:

R nineT

Mal nos sentamos aos seus comandos vimos que podemos ser muito felizes em cima da R nineT.

Tudo parece estar no sítio certo, desde os comandos aos instrumentos, e mal se começa a andar parece que já a conhecemos de longa data.

A marca bávara aproveitou para mudar a suspensão dianteira, equipando-a com uma nova forquilha invertida completamente regulável. Os “racers” mais rápidos agradecem, já que o desempenho a alta velocidade viu-se francamente melhorado.

Um novo painel de instrumentos, jantes raiadas de série e o conjunto motor/transmissão pintado de negro tornam a R nineT ainda mais irresistível.

A nova forquilha revela-se nas curvas a alta velocidade, mantendo a roda dianteira bem colada ao piso, sem ondulações e com um afundamento muito contido sob forte travagem, contribuindo para uma maior confiança em todas as situações.

A posição de condução é muito ergonómica, o som emitido pelo motor é viciante, e a suspensão, apesar da afinação desportiva, é bastante confortável, mesmo nos piores caminhos.

O preço da unidade que testámos é de 18.959,87€, e para além de uma vasta lista de acessórios, inclui as lindíssimas tampas de cabeça maquinadas, by Roland Sands, cujo preço verdadeiramente obsceno (1.170,73 €) é perfeitamente justificável em termos de aspecto.

Esta é talvez a mais interessante moto desta gama heritage. Tanto pode ser adquirida para moto única, destinada a uma utilização intensiva e diária ou até mesmo para grandes passeios, como fica muito bem em qualquer coleção, onde seguramente vai conseguir conquistar o maior número de saídas da garagem.

Aqui fica a R nineT em pormenor:

R nineT Racer

Claro que qualquer amante de motos se delicia só de olhar para a R nineT Racer!

Aclamada desde a sua apresentação no último Salão de Colónia, em 2016, as suas linhas voluptuosas e a pintura vibrante inspiradas na competição e nos anos 60, são um verdadeiro feitiço de Circe.

Basta sentarmo-nos aos seus comandos para percebermos que esta não é uma moto recomendável para uma utilização diária nem, menos ainda, para uma utilização urbana. A sua posição de condução até pode ser minimamente confortável para um nórdico encorpado, mas um latino de compleição média vai ter enormes dificuldades em se sentir confortável, a velocidades inferiores a 100km/h.

Os avanços, lá bem na frente, e os poisa-pés, bem lá atrás, deixam o condutor literalmente deitado sobre o depósito, numa posição muito pouco ergonómica, e com o peso do tronco sobre os pulsos, o que dificulta as manobras a baixa velocidade, já de si penalizadas pela pouca alavanca do guiador.

No entanto, qualquer estrada de curvas em ritmos rápidos devolve um enorme prazer, ficando as cabeças do motor facilmente em risco de tocar o chão, logo depois de o selector das mudanças e os avisadores dos poisa-pés lá terem tocado.

A suspensão dianteira, apesar de não apresentar qualquer afinação, consegue um bom compromisso entre conforto e performance, mas o afundamento sob travagem, potenciado pela posição de condução demasiado “desportiva”, cobra dividendos em termos de fadiga logo ao cabo de poucos quilómetros a ritmo acelerado.

A versão que testámos tem um preço de 16.890,90€, e inclui uma série de pequenos extras, como as jantes de raios e a ponteira de escape, para além do controlo de tracção.

Se tivesse uma sala de estar grande, esta seria uma das peças de decoração que seguramente teria um lugar de destaque. No entanto, como moto, não me convenceu, devido precisamente à posição de condução demasiado radical.

Para regalar a vista, as imagens da R nineT Racer:

R nineT Pure

Simplicidade é a palavra que melhor define a R nineT Pure. Uma tela em branco, dirão uns, um bom investimento, dirão outros, pois se é verdade que com a gama de acessórios disponível, se pode criar um estilo muito próprio em cima da base que é a Pure, também é certo que ela tem o essencial para fazer feliz qualquer motociclista menos vaidoso, logo à saída do stand.

A Pure pareceu-me efectivamente a moto mais racional desta gama. Simples, confortável e ergonómica, a sua facilidade de condução torna-a apta para uma utilização urbana, diária, mesmo no meio de trânsito lento, onde a posição de condução elevada é uma mais-valia, e o guiador amplo promove uma grande facilidade na mudança de direcção e a manobrar, sendo ainda passível de levar passageiro com níveis aceitáveis de conforto.

Numa estrada de curvas, a R nineT Pure mostra-se bastante capaz de aproveitar o muito “sumo” que se consegue extrair do motor boxer, e mesmo em ritmos acelerados, o afundamento da forquilha é compensado pela boa ergonomia promovida pelo guiador mais elevado.

A versão que testámos, já com controlo de tracção, piscas em LED brancos, e punhos aquecidos, soma uns bem contidos 14.461,33€. Não terá o mesmo desempenho dinâmico da versão original da R nineT, numa condução empenhada, mas para um condutor normal, mesmo numa condução rápida, a Pure tem muito prazer para dar.

E se a Scrambler já me tinha deixado encantado pela sua simplicidade, esta R nineT Pure está ainda mais perto daquele que é o meu conceito de moto ideal, que pode perfeitamente ser a segunda moto que muitos necessitam para o dia-a-dia, ou mesmo até a moto única para todo o serviço.

Simplicidade de linhas e um enorme potencial de personalização:

A gama Heritage foi uma aposta ganha para a BMW Motorrad. Lançada no momento certo, em plena "hype" do vintage e da customização, com uma gama de acessórios que faz sonhar o motociclista mais conservador, faz valer a sua forte imagem institucional de qualidade para colocar no mercado novos modelos de motos com base em plataformas mais do que testadas e consagradas.

Segundo consta, vai haver dez versões da R nineT. Já estão quatro modelos a rolar, e espera-se para o final do Verão a chegada da R nineT Urban G/S. Aceitam-se apostas sobre qual o próximo modelo! Uma Tracker?

Bem que os designers alemães vão precisar de imaginação, já que as marcas europeias estão todas a apostar forte neste segmento: a Triumph acaba de renovar as suas clássicas modernas, a Ducati vai lançada na corrida através das Scrambler, e a Husqvarna cujas Vitpilen e Svartpilen devem chegar ao mercado no final deste ano.

Veja o vídeo da sessão de fotos:


AdM @ 16-4-2017 18:35:47 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira


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