Teste Harley-Davidson Road Glide Ultra - Road Trip to Eurofest 2017

Claro que se pode viajar com qualquer moto! Mas há algumas motos que nos estragam com mimos!

AdM @ 10-8-2017 01:04:19 - Texto: Rogério Carmo

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Harley Davidson Road Glide Ultra | Moto | Touring

Punhos e assentos aquecidos, ecrã regulável electricamente em altura, travagem combinada, ABS, música, bluetooth, GPS, Cruise Control, chave electrónica, iluminação de luxo, muito espaço para bagagem, muito espaço para o passageiro, uma protecção aerodinâmica acima da média e um motor com um binário avassalador , fazem toda a diferença quando se pretende fazer muitos quilómetros, seguidos, sobretudo quando as condições meteorológicas não ajudam.

E foi precisamente aos comandos de uma moto com todas estas especificações que, a convite da Harley-Davidson Ibérica, rumei a um dos grandes eventos de motos da Europa: o Harley-Davidson Euro Fest, que se realiza em Grimaud, França, nos arredores de St. Tropez.

O encontro estava marcado para Barcelona, numa 4ª feira à hora de Almoço, onde num dos concessionários da marca na Capital da Catalunha “tomei posse” da imponente Road Glide Ultra do parque de imprensa da Harley-Davidson, que me acompanhou ao longo de quase 2.000 Km.

No seio do restrito grupo de jornalistas ibéricos, mais vocacionados para a “aventura”, a Road Glide Ultra destacava-se pelo seu grande porte e pelo brilho dos seus cromados.

Já não era nenhuma estranha, uma vez que já tinha tido oportunidade de, no final do ano passado, quando presente na apresentação da Gama Touring de 2017 da Harley-Davidson (clique para ver), que ostentava a nova motorização Milwaukee Eight, ter tido um relativamente breve contacto com ela.

Não sendo uma moto “fácil de levar”, sobretudo em maus pisos e a baixa velocidade, nem aconselhável a quem dá os primeiros passos nestas coisas das motos, ou a alguém de baixa estatura, a Road Glide Ultra porta-se de forma bastante previsível e controlada em andamento normal.

Destinada aos grandes espaços, e a estradas abertas, a sua principal função é proteger ocupantes e (a muita) carga, dos malefícios das grandes distâncias. Prima pelo conforto a todos os níveis, desde a simples faculdade de promover bastante confiança, mesmo quando se abusam dos limites do bom-senso, ou quando o piso se revela manifestamente pouco cuidado e/ou com pouca aderência, até ao simples facto de não deixar os passageiros ficarem ensopados, quando enfrenta fortes chuvadas.

Claro que a travagem assistida e combinada, que permite controlar o andamento em estradas de curvas apenas com o pedal do travão (que em simultâneo reparte o esforço de travagem entre ambas as rodas, sem quase nunca ser necessário recorrer à manete do travão dianteiro, também contribui bastante para a redução da fadiga.

Assim como a elasticidade do motor, que permite retomas generosas desde baixa rotação, evitando uma constante troca de mudanças. Neste aspecto, há que mencionar ainda a relativa leveza da embraiagem que também por ser deslizante oferece uma maior confiança em condução à chuva pois suprime em grande parte o risco de a roda traseira bloquear sob o efeito da desaceleração.

Por tudo isso, nesta viagem, a Road Glide Ultra foi uma bênção para um bastante “cansado” jornalista de motos, para quem uma “road-trip” nunca é demais, mas também nunca é apenas um simples passeio de moto!


Pelas espectaculares arribas serpenteantes da costa mediterrânea a norte de Barcelona, e até às aromáticas planícies da costa sul de França, fosse por auto-estrada, fosse por estreitas estradas secundárias por onde o grupo coeso tentava escapar às demasiadas portagens e às longas duplas filas de semi-reboques das auto-estradas, a Road Glide Ultra nunca deu sinais de fraca, nem mesmo quando as curvas mais apertadas competiam com as deslumbrantes paisagens para atrair a minha atenção.

Algumas (poucas) paragens, nas impressionantemente caras áreas de serviço rodoviárias do sul de França, foram matando o tédio dos ritmos demasiado lentos impostos pela eficaz vigilância policial francesa. Curiosamente esta contribui para manter os consumos de combustível em níveis bastante baixos (a rondar os 7 litros aos 100 Km, cumprindo estritamente os limites de velocidade impostos) facto que reverte numa autonomia a rondar os 400 quilómetros, caso se consiga conduzir durante 4 horas consecutivas!

Outra parte do tédio foi compensado pelo completo sistema de “infotainment”, que além de indicar as distâncias e os tempos que faltavam para o destino, de mostrar onde seria a próxima saída da auto-estrada, de mostrar os SMS recebidos e de avisar sobre as chamadas elefonicas entradas, ainda permitia desenvolver a actividade de “disk-jokey” navegando entre as músicas armazenadas sob a forma de ficheiros MP3 no meu telemóvel.

E tudo isto através dos altifalantes instalados na enorme carenagem, já que nesta viagem não levei comigo nenhum capacete com intercomunicadores, facto que me privou de os poder emparelhar com o sistema e desfrutar de uma maior qualidade de som, e da possibilidade de atender chamadas telefónicas durante o percurso. Não que seja fã de falar ao telefone em andamento, mas pelo menos, evita ter que tirar o capacete e as luvas para poder fazer ou atender alguma chamada inadiável, sobretudo quando está muito calor, ou a chover.

Por falar nisso, nesta viagem a meteorologia fez questão de mostrar a sua grande imaginação, e brindou-nos com uma vasta panóplia de cenários, desde chuva intensa, até ao calor húmido mediterrânico. O fato de chuva, que estava a ser estreado (veja nota no final), revelou-se hiper-competente, ajudado pela vasta carenagem, na tarefa de me manter seco.

Quando a chuva parou, e o calor apertou, e já apenas de calças de ganga e blusão de cabedal, nunca me senti incomodado pelo calor do motor emitido pelo novo Milwaukee Eight. Nem mesmo, no dia de sábado, quando o grupo foi obrigado a infiltrar-se em busca de estacionamento, nas intrincadas artérias medievais da congestionada vila de Grimaud, onde se realizava o Bike Show.

Nessa situação, entre ruas estreitas, em calçada, muito inclinadas e não só a subir e descer, a Road Glide Ultra acusa os seus mais de 400kg de peso a seco, e exige muita atenção na condução. Sobretudo porque além do tamanho e do peso, o demolidor binário de mais de 150 Nm não perdoa qualquer distracção em cima de pisos escorregadios. Não deve faltar muito (pelo menos não deveria) para a Harley-Davidson juntar à ficha técnica das suas motos turísticas, um sistema de controlo de tracção (e já agora, uma marcha-atrás também era bem-vinda).

Não sendo isso um defeito, e sendo o elevado peso uma consequência directa do espaço e do conforto que a Road Glide Ultra proporciona, não há mais nenhum factor negativo que possa ser apontado.


Pelo contrário, em termos de factores positivos, e além do aspecto verdadeiramente impressionante que esta “Tourer” apresenta, a suspensão mostra-se eficaz, tanto no aspecto do conforto, como comportamento da ciclística, mantendo-se o conjunto sempre bem alinhado e firme, sem oscilações em curvas ou em rectas, a alta velocidade, e mesmo sob o efeito de ventos laterais. 

Nesse capítulo, o dos ventos, a Road Glide, com a sua carenagem carismática fixada no quadro, que faz lembrar um nariz de tubarão (“shark nose”), leva vantagem sobre as suas outras irmãs Glide, (como por exemplo a da Harley-Davidson Street Glide cujo teste pode ver se clicar aqui) dotadas de carenagem “bat wing” ou asa de morcego, que são fixadas na forquilha, onde a pressão aerodinâmica e os ventos laterais fazem sentir o seu efeito sobre a forma de uma resposta mais lenta da direcção, um esforço acrescido em manobra, e alguma vibração ou ondulação no guiador a alta velocidade.

Para o meu gosto, a única modificação que necessitava, era remover o pedal de calcanhar das mudanças. Torna-se ridículo, em grandes distâncias, que a tão generosa plataforma para os pés, não possa ser usada para mudar a posição das pernas, precisamente porque o pé esquerdo tem que ir “encaixado” entre os dois pedais, sem possibilidade de se mover. Até porque: quem é que realmente usa aquele pedal?



Fotos: Juan Carles Orengo

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AdM @ 10-8-2017 01:04:19 - Texto: Rogério Carmo



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