Teste Ducati Monster 1200S 2017 - Curta e grossa

Uma verdadeira “Fun Bike” para qualquer escapadela terapêutica, e não só.

andardemoto.pt @ 17-10-2017 00:35:34 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Ducati Monster 1200 S | Moto | Monster

Um instrumento de precisão que se revela a forma mais rápida de chegar à próxima curva. Uma moto simples focada em proporcionar prazer numa qualquer estrada sinuosa. Uma moto apaixonante que conquista sorrisos a cada enrolar de punho. Uma “overdose” de adrenalina... Uma sinfonia de emoções…

E podia continuar com mais uns quantos parágrafos, a desenrolar todas as frases de abertura que imaginei para este trabalho, ao longo da semana em que pude ter o prazer de desfrutar desta nova Ducati Monster 1200 S.

E antes que comece a desconfiar, aviso já que foi uma paixão logo desde o primeiro momento. Não pelo design, não pela cor, não pelo charme da marca, nem sequer pelo conteúdo tecnológico que encerra. Foi precisamente pelo oposto. 

Apesar de todos os predicados e da grande carga tecnológica, sobretudo no que às ajudas electrónica à condução diz respeito, o grande encanto desta Ducati é precisamente a simplicidade de funcionamento. Bem.. Isso, e o som do escape!

O “pompone”, mesmo com as ponteiras de origem do escape 2-1-2, lava-nos a alma, enche-nos o coração e põe-nos os pelos em pé desde que o pomos a trabalhar, até ao limitador de regime.

Depois basta olhar para o fim da curva, e enrolar o punho, com a gana e a coragem que bem entendermos. Ou então, desfrutar da paisagem, e eventualmente de companhia, e rolar descontraidamente, a ritmo de passeio. E ainda, em pisos escorregadios ou no meio do trânsito, a baixas velocidades, seleccionar o modo “Urban” e desfrutar da eficácia do controlo de tracção e do ABS.

Mas o mérito não está só no bicilíndrico de 8 válvulas desmodrómicas com 4 velas de ignição.

A  ciclística é, basicamente, cirúrgica, inabalável e muito fácil de explorar, muito para lá de limites razoáveis em estrada aberta.

A suspensão desta versão “S” conta, entre outras guloseimas, com as fantásticas suspensões Ohlins (forquilha de 48 mm e monoamortecedor completamente ajustáveis), com especificações desportivas, e não se revela castigadora em mau piso, sendo mesmo impressionante na forma como absorve as maiores irregularidades do piso, desde as lombas até aos buracos.

A travagem é avassaladora, Brembo, com pinças M50 e bombas radiais, potenciada pelos pneus Diablo Rosso III.

Até a ergonomia foi bem estudada, no sentido de manter o condutor estável e bem encaixado, com muito apoio graças ao guiador largo e a um assento envolvente, com um excelente acesso dos pés ao chão, e as pernas suficientemente flectidas para proporcionarem um bom suporte em curva e no arranque.


Ao serviço dos ritmos alucinantes, a Monster 1200 S oferece uma panóplia de ferramentas electrónicas, personalizáveis, de ajuda à condução, que permitem ritmos e níveis de segurança muito elevados, equivalentes aos das mais conceituadas superdesportivas da actualidade.

Para isso conta com acelerador electrónico (Mikuni) que oferece 3 níveis de entrega de potência e controlo de tracção, de 8 níveis, com “wheelie control” (inibidor de cavalinhos).

O ABS é monitorizado por uma unidade de medição de inércia Bosch 9.1MP, que providencia assistência mesmo sob grandes ângulos de inclinação em curva, e não deixa descolar do piso a roda traseira, quando sob forte travagem.

A caixa de velocidades conta com “quickshifter” integral (para cima e para baixo) com “auto-blipper” e com embraiagem deslizante  “slip and assist”, que é outra vantagem quando é necessário usar o motor para reduzir fortemente.

Tudo isto se traduz numa grande eficácia e numa extrema agilidade, que resultam num desmedido prazer de condução.

Enfim, praticamente não há defeitos a colocar à mais recente Monster 1200. Mesmo ao nível da iluminação, esta é integralmente em LED e ainda apresenta um Painel TFT customizável com uma instrumentação completa e comandos intuitivos.

Há que, no entanto, usar os modos de motor. Eles são o segredo de uma alquimia que consegue adaptar a verdadeira fera selvagem, que é o Testastretta de 11°, a galopes, a trotes e a ritmos de cativeiro.

  • No modo “Sport”, consegue facilmente perceber-se que dentro dos dois grandes cilindros, os pistões são orquestrados para uma resposta rápida ao acelerador, favorecendo os regimes elevados, deixando de freio nos dentes os 150 cavalos criados pelo binário de 126,2 Nm.

  • No modo “Touring”, enquanto que o controlo de tracção e o ABS são automaticamente regulados para valores mais conservadores, com maior nível de intervenção, a resposta dos 150 cavalos passa a ser mais regrada, e a potência começa a aparecer de forma substancial a regimes mais baixos.

  • Em cidade, o modo “Urban” faz maravilhas, suavizando a entrega de potência para uns melhor controláveis 100 cavalos, que mais parecem póneis, e que têm o condão de tornar o funcionamento a baixa rotação muito mais suave, e a condução muito menos estressante, enquanto que os sistemas de controlo sobem para parâmetros mais interventivos, evitando derrapagens.

Tenho para mim que esta Monster, que representa um desenvolvimento de 25 anos (a primeira Ducati Monster nasceu para o mundo em 1992), é uma das melhores homenagens que a Ducati pode prestar ao seu criador, o mago do design argentino Miguel Galluzzi, que ainda na era analógica desenhou este conceito, assente na premissa de que tudo o que faz falta numa moto é um assento, um depósito de combustível, duas rodas e um guiador (clique aqui para ver a História oficial da Ducati Monster).

E no que à Monster 1200 diz respeito, a mesma filosofia está bem presente. Ela é curta, literalmente, pois cinge-se ao essencial. E grossa, pelo conceito de ser de uma brutalidade realmente Monstruosa.

O seu único luxo é o botão mágico que comanda o cérebro electrónico das ajudas à condução, e que coloca a níveis de século XXI, o prazer de condução e as sensações fortes. Sem grandes complicações, a Monster adapta-se facilmente à realidade de cada momento, para dar o melhor de si!


E tudo sai natural, fácil, como se fosse mesmo uma extensão do nosso corpo. A mudança de direcção é rápida e precisa, a travagem é potente e extremamente doseável, a resposta ao acelerador (sobretudo em modo “Sport”) é demolidora, a compostura da ciclística é referencial, seja a baixa ou a alta velocidade, a travar ou a acelerar. Manobrar, à mão ou a baixa velocidade é fácil, e até a brecagem é quase suficiente!

A caixa de velocidades não é um exemplo de precisão, mas é consistente, bem escalonada, e o quickshifter é a cereja em cima do bolo, seja pela sua eficácia, seja pela forma como faz cantar os escapes.

Os consumos são quase desconcertantes, sobretudo no modo "Urban", em que é frequente ver o computador de bordo a registar valores inferiores a 4 litros aos 100km, ou em percursos mistos com alguma montanha pelo meio, médias gerais de 5,8 litros aos 100km.

Se realmente parece que estou emocionalmente comprometido com a Monster 1200 S, é porque efectivamente ela é uma daquelas motos que me vai ficar na memória, e que me deixou triste quando tive que a devolver, pois se tivesse €spaço, ia garantidamente querer ter uma na garagem.

Como nota final, basta-me dizer que, se está a pensar numa moto que permita fazer uns “track days” e também para uma utilização diária, intensiva até,  e/ou ainda, para umas pequenas escapadelas de fim-de-semana, mesmo com passageiro, mas se não quer de forma alguma prescindir de sensações fortes, então não pense mais, e marque já um “test ride” num dos concessionários da marca no nosso país (clique aqui para ver qual está mais perto de si).

Equipamento

Neste teste usámos equipamento de protecção e segurança composto por:

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Ducati Monster 1200 S | Moto | Monster

andardemoto.pt @ 17-10-2017 00:35:34 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira