Teste Honda X-ADV - Fora da caixa

A menos que queira ir atravessar o Deserto do Sara, cruzar a Amazónia ou subir ao topo dos Himalaias, em linha recta, esta é a moto que lhe permite, com o maior conforto e prazer de condução, ir mesmo a qualquer lugar.

andardemoto.pt @ 31-10-2017 04:13:31 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Honda X-ADV | Moto | On/Off Road

Nunca o adjectivo polivalente foi tão bem empregue numa moto. Digo moto, mas a verdade é que a comunidade motociclistica está dividida na classificação deste que é um dos mais empolgantes motociclos apresentado pela Honda nos últimos tempos.
 
Isto porque, apesar de se assemelhar a uma scooter, tem características de moto, e em diversos particulares é bastante superior a muitas. Perfeitamente à vontade na asfalto, mas igualmente desinibida na terra, a X-ADV é pioneira, com o mérito de ter descoberto uma fórmula de polivalência até agora inimaginável.

Como scooter, apresenta a conveniência de uma caixa automática que promove uma grande facilidade de condução.

A X-ADV assenta na mesma base da Honda Integra (que já tínhamos tido oportunidade de testar, clique aqui para ver), mas foi potenciada, sobretudo ao nível da ciclística, com um quadro reforçado, as suspensões melhoradas, e ainda, uma caixa de velocidades actualizada, travões mais potentes e maior capacidade de carga.

Como moto, tem a vantagem de um motor responsivo, dono de uma sonoridade muito interessante, e uma suspensão de curso elevado que permite incursões por pisos menos planos, factor que reverte também a favor de um enorme conforto.


As alterações da ciclística, como o maior curso da suspensão e a maior rigidez do quadro e do seu exclusivo braço oscilantes, juntamente com a afinação mais desportiva das suspensões, conferem um desempenho de um nível quase referencial, com uma excelente manobrabilidade, uma direcção rápida e precisa, e uma resposta contundente tanto do acelerador como dos travões.

As prestações do bicilíndrico, a par com o comportamento da ciclística, desafiam mesmo os motociclistas mais afoitos, seja em asfalto ou, quase inacreditavelmente, também na terra. 

No asfalto, a protecção aerodinâmica, o amplo posto de condução, o conforto das suspensões e a excelente ergonomia garantem um elevado prazer de condução por horas e horas a fio. 

Em pisos de terra, sejam estradões ou meros caminhos, desde que não se queira imprimir um ritmo de rali, e o piso seja minimamente firme, a X-ADV não desilude minimamente.

Apenas precisa, para ser ainda mais eficaz, que se lhe coloquem os pousa-pés opcionais que, tanto quanto sabemos, por questões de homologação, não podem vir instalados de série.

Mas a sua colocação está prevista de origem, e a instalação é bastante simples, permitindo ganhos substanciais no controlo de trajectórias, em andamentos mais rápidos, e na passagem de obstáculos, sobretudo a baixa velocidade. 

Até mesmo em viagem (sim, porque a X-ADV é uma potencial viajante, mesmo com passageiro) para se poder aliviar o fundo das costas, quando os quilómetros começam a pesar.

A qualidade de construção desta revolucionária Honda é excelente, e salta à vista de imediato, com acabamentos cuidados que se verificam em todos os painéis, bem acabados e perfeitamente encaixados, a cablagem eléctrica muito bem escondida, os plásticos de uma grande qualidade, a ausência de ruídos parasitas e os acabamentos cuidados com diversos pormenores de requinte.


Componentes de elevada qualidade contribuem também para aumentar o prazer de condução. Já mencionei as suspensões e os travões, mas a excelente iluminação em LED, o espectacular painel de instrumentos, completo e muito legível, semelhante ao da CRF450 Rally, o ecrã regulável em altura, mesmo apesar de não poder ser regulado em andamento, o sistema “sem chave”, que funciona através de comando de proximidade, as jantes raiadas, as protecções de punhos e o descanso central, são disso um bom exemplo.

Existe mesmo um travão de estacionamento (a caixa de velocidades de embraiagem dupla, a DCT, não fica engrenada com o motor desligado) que (em alternativa e sempre que o piso é inclinado) imobiliza os cerca de 238 kg de peso em ordem de marcha.

A X-ADV foi criada para ser divertida. Foi desenvolvida no centro de R&D da Honda, em Roma, com o objectivo específico de ser capaz de ir a qualquer lugar e por qualquer caminho, a solo ou com passageiro. Por isso é tão fácil e entusiasmante de conduzir.

A excelente resposta do motor, a precisão e rapidez da caixa de velocidades, a facilidade com que se insere em ângulo, a estabilidade em curva e a excelente capacidade de travagem, a par com o bom comportamento com passageiro, sem fazer nenhuma cedência ao conforto, fizeram-me andar de sorriso na cara durante a semana em que a andei a testar.

A quarta geração do DCT, sobretudo no modo desportivo “S” que tem 3 relações diferentes, para andar rápido, muito rápido ou mesmo a alucinar, adapta-se perfeitamente a todas as circunstâncias e estados de espírito, desde traçados sinuosos por asfalto, a passar obstáculos no meio do mato, seja em ritmo de passeio, ou em busca de “shots” de adrenalina.

A ausência de controlo de tracção passa despercebida no asfalto, com a entrega de potência a ser perfeitamente doseada pelo acelerador, e é uma bênção na terra, permitindo, sobretudo aos mais experientes, níveis de condução muito altos.

O ABS não é desligável. Mas no entanto, a sua intervenção na roda traseira é pouco intrusiva, e permite mesmo algumas derrapagens a baixa velocidade, muito convenientes na passagem de alguns obstáculos, quando se quer aproveitar a generosa altura livre ao solo (162 mm, quase mais 3 centímetros que a Integra).

Os consumos são muito variáveis. A marca indica médias de  3,58 l/100km (em modo WMTC), mas em modo AdM (andar de moto) não conseguimos baixar dos 5,5l/100km.

Obviamente que a nossa preocupação ecológica foi completamente nula, dando primazia à exploração das sensações fortes que os diversos modos de condução da caixa automática proporcionam. No entanto, não será difícil, numa condução normal, conseguirem-se valores substancialmente mais baixos, e correspondentes autonomias na ordem dos quase 300 quilómetros. 

Defeitos, bom, também há. Mas não são propriamente defeitos, são mais esquisitices. E há que os analisar ou pela perspectiva de scooter, ou pela de moto, e de acordo com o tipo de utilização.

Como scooter, é inegável a escassa capacidade de bagagem debaixo do assento, onde apesar de ser maior que a da integra, à custa da utilização de uma roda de 15 polegadas na traseira, apenas cabe um capacete integral, mas nem todos! Ainda nessa perspectiva, o assento, a 820 mm do chão, por ser demasiado largo (e confortável) rouba altura de perna, e condutores com estaturas inferiores a 1,70m terão dificuldade em tocar com ambos os pés no chão.

Como moto, a X-ADV tem em contra a relativamente escassa capacidade do depósito de combustível, que a velocidades mais elevadas torna a autonomia bastante limitada. À mão, o peso do conjunto faz-se notar, e a caixa de velocidades requer um pouco de habituação nas manobras a baixa de velocidade, sobretudo no momento do arranque.


Mas o balanço final é mais do que positivo, e mesmo tendo em conta que o preço da X-ADV está ao nível do de, por exemplo e por aproximação de preço de acordo com o nosso catálogo de motos novas on-line actualizado, outras scooters tão excitantes como a Yamaha TMAX, de motos de “dual sport” tão interessantes como as consagradas Triumph Tiger 800 XC, ou de motos urbanas tão estilosas como a Moto Guzzi V7 Racer, este justifica-se pelo facto de ela conseguir reunir todas as principais e melhores características desses modelos, com um resultado muito positivo.

Por tudo isto, esta é uma moto verdadeiramente "fora da caixa", pronta para todo o serviço, visualmente atractiva, que proporciona um enorme prazer de condução e muita confiança, mesmo a ritmos rápidos, em qualquer tipo de situação. Se procura polivalência e prazer de condução, então não deixe de fazer um test-ride num concessionário da marca.

Equipamento:

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Honda X-ADV | Moto | On/Off Road

andardemoto.pt @ 31-10-2017 04:13:31 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira