Teste Royal Enfield Himalayan - Sabedoria do passado

A resposta da Royal Enfield à evolução tecnológica das motos europeias e japonesas é literalmente antagónica. Mas carregada de charme!

andardemoto.pt @ 27-3-2018 05:21:07 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Royal Enfield Himalayan | Moto | Himalayan

O motociclismo tornou-se demasiadamente extremo. As motos estão a ficar cada vez mais rápidas, potentes, pesadas, caras e com uma manutenção extremamente dispendiosa.

Não fui eu que, apesar de concordar, proferi estas palavras. Quem o fez, mais ou menos assim, foi Arun Gopal, o chefe do departamento de exportação da Royal Enfield.

E não deixa de ter razão. Enquanto o mercado se bate por conquistar um cada vez mais pequeno universo de motociclistas, todos de idade geralmente avançada, com uma situação financeira estável e de recursos geralmente elevados, deslumbrados com cavalos e gadgets electrónicos, tenta quase em vão renovar a sua clientela e conquistar novos clientes, sobretudo jovens, para quem as motos não são nem um hobby, nem um sinal de estatuto social ou de riqueza.  

Os jovens são muito mais práticos, deslocam-se quase exclusivamente em meios urbanos, fazem pequenas deslocações esporádicas e por regra não têm recursos financeiros para suportar impostos, seguros, consumos, estacionamento e manutenções excessivamente caros.

E o que a Royal Enfield pretende é, precisamente, ir à conquista dessa clientela, apostando numa nova moto, a primeira nova moto desde que a marca originalmente inglesa passou para mãos indianas, e a primeira R.E. dos últimos 60 anos.

Para isso a marca partiu de uma folha em branco e desenhou um motor, um quadro e todo o resto necessário para concretizar algo que se qualifique como um motociclo. Mas um motociclo simples, económico, robusto e fácil de conduzir e manobrar. Assim nasceu a Himalayan.

Arun Gopal explica que 96% das motos existentes no mundo têm uma cilindrada inferior a 250cc, e que esses motociclistas ambicionam fazer um “upgrade”, mas querem simultaneamente uma moto de média cilindrada, entre os 250cc e os 650cc, com um preço acessível.

E para poder continuar a falar da Himalayan é incontornável referir o seu preço: uns bastante modestos 4.645 euros.
Claro que não há luxos, a não ser que se considere uma bússola no painel de instrumentos, como luxo. No entanto, a nova Royal Enfield permite uma utilização variada, em qualquer tipo de ambiente e a qualquer tipo de motociclista.
 
Os 4.645 euros dão direito a um motor capaz de transportar passageiro e carga, sem qualquer problema, a não ser que uma velocidade máxima a rondar os 120km/h seja um problema. 

E sim, os 4.645 euros é o preço da versão já a cumprir a normativa Euro 4, apesar do motor refrigerado por ar, com emissões de poluentes reduzidas e travões de disco com ABS. Uma verdadeira pechincha se comparar com a oferta equivalente do mercado (clique aqui para ver as motos disponíveis em Portugal com preços entre os 4 e os 5 mil euros).


Ainda por cima, tendo em conta que a Himalayan tem um extremo à-vontade fora de estrada, com uma altura ao solo e um curso de suspensões que faz inveja a muita “dual sport”, “adventure sport” ou “scrambler”, um peso extremamente baixo, uma posição de condução muito boa, tanto em pé como sentado, uma excelente proteção aerodinâmica e, ainda, proteções especificamente concebidas para resguardar efectivamente os componentes vitais da moto. 

Nem a capacidade de carga foi esquecida, já que as protecções servem em simultâneo de base para malas, sacos ou jerricans, com inúmeras possibilidades de prender cintas, aranhas ou esticadores, para qualquer imprevisto. Os poisa-pés estão preparados para o fora-de-estrada, bastando para isso retirar as borrachas de conforto, operação fácil e rápida.

A Himalayan foi concebida para atravessar a maior cordilheira do planeta, os Himalaias, que encerram longas distâncias por muito maus caminhos, através de zonas remotas, onde qualquer desempanagem terá de ser feita de forma precária, com poucos recursos.

Por tudo isso, a Himalayan é uma moto indicada tanto para motociclistas iniciados como para os experientes, sobretudo para todos os que não estejam dispostos a pagar gadgets electrónicos, muitas vezes desnecessários, a alimentação de cavalos, raramente utilizados, a manutenção de componentes luxuosos, normalmente sobredimensionados, ou o arranjo de vistosas e brilhantes carenagens, algumas de gosto e utilidade duvidosos, em caso de pequena queda. 

A Himalayan adapta-se a ambientes urbanos e às grandes aventuras, afigurando-se como uma parceira fiável seja para ir ao pão, à praia, ou para dar a volta ao mundo. Pode ser a única  e pode ser a segunda moto. Pode ser aquilo que se quiser, Mas basicamente ela é um descanso! 

Os dias em que pude desfrutar da sua companhia, não precisei de me preocupar com os consumos, com os buracos, nem com os radares.

O motor não é, realmente, um portento, mas o acelerador tem uma resposta rápida e limpa, e sobe alegremente de rotação, e a caixa de 5 velocidades tem um accionamento suave sendo que a embraiagem é, também ela, muito leve.

Os consumos verificados, e apesar de não ter tido qualquer preocupação ecológica, ética ou economicista, registaram valores próximos dos 5 litros aos 100km, sendo muito difícil conseguirem-se valores superiores.

A ciclística é honesta e o conjunto é equilibrado. A travagem, apesar de um tanto rústica em termos de dosagem, é boa em pisos de terra e suficiente em asfalto. A suspensão dianteira afunda significativamente sob travagem forte, mas compensa em conforto quando chegam os pisos menos lisos. A direcção é relativamente lenta, mas a estabilidade oferecida pela jante de 21 polegadas é notável. Sobretudo também em maus pisos.

A brecagem é grande, o painel de instrumentos é simples e de fácil leitura. O assento é firme, mas não se faz notar, mesmo nas tiradas mais longas. O nível de vibrações é bastante reduzido. O passageiro não dispõe de muito espaço, mas o conforto da suspensão compensa esse facto.

Devido é sua cintura estreita, os 800mm de altura do assento não são grande problema para os motociclistas mais baixos.

O guiador amplo, garante um excelente controlo, sobretudo em manobra. A iluminação é básica, mas suficiente, o descanso central é fácil de usar e o lateral é bastante firme, mesmo com carga.


E por tudo isto, o preço de 4.645 euros é uma verdadeira pechincha. Podendo até desculpar-se algumas imperfeições ou pormenores menos cuidados, nem sequer é caso para tal, já que, a nível geral, a Royal Enfield Himalayan nem sequer tem defeitos significativos a apontar. A não ser, que podia ter "ar automático", para o arranque a frio, pois que isso nem sequer é uma invenção recente, ou pouco fiável, e menos ainda dispendiosa. 

Mas se tem dúvidas, sobre a filosofia por detrás da antiga sabedoria que esteve na génese desta nova moto, então o melhor mesmo é marcar um test-ride num concessionário da marca, e ver por si próprio.

Equipamento:

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andardemoto.pt @ 27-3-2018 05:21:07 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira