Teste Triumph Tiger 800 XRT - Prazer a triplicar

Agilidade, potência e polivalência são as 3 principais características da mais estradista das Tiger 800, que foram completamente renovadas para 2018

andardemoto.pt @ 1-5-2018 19:11:09 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Triumph Tiger 800 XRt | Moto | Adventure

Foi há cerca de um ano que tinha tido a oportunidade de rolar, pela última vez, com uma Triumph Tiger 800. Precisamente uma versão XR actualizada em 2016, para um artigo que pode ler se clicar aqui.

Com o lançamento desta nova versão para 2018, impunha-se que voltasse a agarrar-me aos seus comandos e fosse ver se as diferenças são assim tantas como a marca anuncia, já que reivindica mais de 200 alterações a todos os níveis, naquela que é uma das motos mais cobiçadas da marca, com mais de 68.000 unidades vendidas desde o seu lançamento em 2010.

Com o tempo todo contado, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis e a clemência da meteorologia, nem sequer tive a oportunidade de conduzir a unidade de teste para o local da sessão de fotos. Por isso, foi com uma enorme alegria que, ao me sentar aos comandos desta Tiger XRT, a versão mais acessorizada, para fazer a primeira foto do “set” de imagens que pode ver neste artigo, dei comigo a raspar os poisa-pés no asfalto, logo na primeira curva que fiz. Não pude deixar de sorrir!

Um dos grandes argumentos da Tiger 800 é precisamente a facilidade com que se deixa conduzir. Sempre o achei, desde a primeira unidade que tive oportunidade de testar, há já uns bons anos, mas agora apresenta-se ainda mais ágil e mais confortável. Parece muito mais leve.

O assento permite que o condutor, mesmo alguém de baixa estatura, se sinta confiante aos seus comandos pois oferece um encaixe muito bom, sendo extremamente confortável e não roubando muita altura às pernas, permitindo que os pés assentem fácil e firmemente no chão.

O guiador, agora em posição ligeiramente mais recuada, permite uma posição de condução ainda mais elevada e menos cansativa, que favorece as manobras. 

Mal se começa a andar, nota-se a vantagem do novo ecrã. O seu novo desenho evita a turbulência no capacete e, com o auxílio dos dois defletores que o acompanham, a protecção aerodinâmica passou de razoável a excelente, com a vantagem de a sua regulação, em 5 alturas diferentes, ser feita de forma extremamente fácil, mesmo em andamento, e só com uma mão.

Logo abaixo, encontra-se o novo painel de instrumentos em TFT de cor integral, que além de contribuir para uma excelente leitura sob qualquer condição, e de transmitir informação detalhada sobre tudo o que se passa a bordo, serve de base para que, com a ajuda de um pequeno “joystick” colocado ao alcance do polegar esquerdo, se possam programar entre outras funcionalidades e mesmo em andamento, os modos de condução.

Além dos modos habituais, para chuva, estrada, condução rápida e fora de estrada, ainda existe um modo completamente programável para que a Tiger se ajuste ainda melhor a cada tipo de utilizador e utilização. Da mesma forma, o ABS e o Controlo de Tracção podem ser desligados independentemente do modo de condução.

O motor também foi revisto. O tricilíndrico perdeu inércia, à custa de um aligeiramento da cambota, que contribui para uma subida de rotação ainda mais enérgica, mas sem perder a linearidade da entrega do binário.

A linha de escape, completamente redesenhada, mantém a configuração "3 em 1" e a construção em aço inox, mas melhorou substancialmente a banda sonora e permite ao motor “respirar” mais facilmente, e debitar agora 95cv às 9.500 rpm.

A caixa de velocidades também foi alvo de atenção, e a primeira relação é mais curta, a pensar numa utilização fora de estrada, e também nos arranques nos semáforos!


E se o carismático motor tricilíndrico empresta à Tiger 800 uma aura de moto desportiva, a ciclística reforça esse sentimento, tanto pelo aprumo que o quadro em treliça de tubos de aço revela quando abusado, como pela eficácia das suspensões, que apesar de afinadas para promoverem o conforto, mostram um comportamento muito bom em curva, a alta velocidade, e mesmo em travagens fortes, coisa que as novas pinças Brembo fazem com enorme facilidade, proporcionando ainda uma dosagem excelente e uma mordida inicial forte mas sem qualquer brusquidão.

Voltando à caixa de velocidades, o seu desempenho é praticamente referencial. A suavidade de accionamento, a precisão da engrenagem e o seu bom escalonamento, quase nos fazem esquecer a ausência do já tão divulgado “quickshifter”.

Ainda assim, e mesmo sem ele, os consumos vão ser necessariamente exagerados, já que a linearidade do motor nos permite explorar frequentemente a faixa mais alta do regime de rotação, praticamente até ao seu limite, apenas para escutar a “sinfonia” emitida pela ponteira de escape, que no caso da instalada nesta unidade de teste, era uma bem afinada “Arrow”. 

Mas nada de escandaloso! Desta vez, e como o percurso mais exigente até foi só o da travessia da Serra da Arrábida, algumas vezes durante a sessão de fotos, em ritmo de “apresentação internacional à imprensa”, o consumo médio registado pelo computador de bordo nunca foi superior a 5,8 litros. Razoável, considerando que o valor indicado pela marca é de 4,7l/100km. 

Ainda assim, autonomias francamente superiores a 300km deverão ser bastante fáceis de conseguir, mesmo em percursos mais monótonos. Mas para isso contamos com o melhor amigo do viajante, que é o “cruise control”, que permite manter a velocidade controlada, tanto em prol do consumo, como em prol da manutenção dos pontos da carta de condução.

AS versões XR são, à semelhança das suas antecessoras, mais vocacionadas para o asfalto do que as suas “irmãs” Tiger 800 XC, essas sim com verdadeira apetência para o fora de estrada. Equipada com uma roda de “apenas” 19 polegadas na dianteira (a XC está equipada com uma de 21”), e com suspensões com menor curso e teoricamente mais firmes, a agilidade da XR é enorme, deixando-se conduzir como se estivesse ligada directamente ao nosso cérebro.

Por isso, e para o meu gosto pessoal, a versão XR é,  da gama Tiger 800, a moto mais indicada para grandes viagens, a menos que pretenda ir tirar azimutes para o Sahara.

A iluminação é excelente, ou não fosse em LED integral, e o comutador de médios e máximos está colocado no sítio correcto, na ponta do dedo indicador, para poder ser usado frequentemente, mesmo sob travagem, ou em curvas mais empenhadas. Também os espelhos retrovisores estão bem colocados, oferecendo uma boa visibilidade, e sem vibrações.

Esta versão XRT, a mais acessorizada, equipada com protecções de motor, protecções de punhos, punhos e assento aquecidos, botões dos comandos iluminados, descanso central, faróis auxiliares, ajuste hidráulico remoto da pré-carga do amortecedor traseiro, para além dos outros factores que já mencionei acima, a XRT permite longas tiradas seja por que tipo de estrada for. Mesmo com carga e passageiro. E sempre pronta para nos rasgar um sorriso nos lábios.


Mas então não tem defeitos? 

Tem. Tem os mesmos da versão anterior. O primeiro, encontrei-o mal subi para cima dela! O maldito saca rótulas “AKA” pegas do passageiro, que sem as malas instaladas fica mesmo a jeito de nos deixar mancos.

O segundo é a má dissipação do calor do motor, que nos modelos anteriores afectava condutor e passageiro, e que durante este teste, pelo menos ao condutor, continua a afectar, mesmo a temperaturas abaixo dos 20º, e sobretudo quando se tem que parar no meio do trânsito. Mas tendo em conta que muitas outras sofrem do mesmo defeito, algumas até mais, temos que o considerar como um mal necessário. 

Depois, e fazendo jus ao grande nível de equipamento e à qualidade de construção, posso apontar como aspecto negativo a ausência do “quickshifter”, que faria aquele escape cantar como uma sereia, e a falta de ignição sem chave, o dito “keyless”, super prático em viagem.

Por isso se procura uma moto versátil, com acabamentos de alta qualidade e uma imagem diferente, capaz de o levar até ao fim do mundo, ou até ao café da esquina, a Triumph Tiger 800 XRT é, por tudo o que aqui disse, uma moto que o aconselho vivamente a experimentar.

Dirija-se a um concessionário oficial Triumph (clique aqui para ver qual está mais perto de si) e marque um “test-ride”. Vai ver não se vai arrepender!

Veja a Triumph Tiger 800 XRT em pormenor:

Equipamento:

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Triumph Tiger 800 XRt | Moto | Adventure

andardemoto.pt @ 1-5-2018 19:11:09 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira