Teste Kymco AK550 - Controlo Absoluto

Uma scooter não é necessariamente um motociclo sensaborão ou entediante. Outros fabricantes já nos tinham deixado isso bem claro. Agora o novo AK500 da Kymco vem confirmar a teoria, e com um preço muito mais agradável.

andardemoto.pt @ 22-5-2018 07:04:50 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Kymco AK 550 | Scooter | Scooters acima 125

Desde que pude ver ao vivo o protótipo K50, em 2016 na EICMA, o salão de Milão, que em 2017 deu origem à ainda mais apetecível nova Kymco AK550, que a curiosidade de experimentar esta maxi-scooter era crescente. Tendo vindo a acompanhar de bastante perto a notável evolução dos produtos asiáticos, a curiosidade tem, também por isso, vindo a aumentar.

No final do ano passado já tinha lido, e escrito, tudo sobre ela, razão pela qual não vou agora detalhar pormenores técnicos sobre a AK550 (pode vê-los se clicar aqui) e a vontade de a testar aumentava a cada dia que passava. 

Sobretudo depois de ter podido desfrutar, recentemente, de boas experiências com a sua concorrência directa: a BMW C650 Sport e a Yamaha T-Max 530, num teste aos Bridgestone Battlax Scooter SC2 e SC2 Rain, os novos pneus radiais para maxi-scooters da marca japonesa (clique para ver), e também depois de ter podido testar convenientemente a mais recente contendora neste exclusivo nicho de mercado das scooters de alto desempenho, a mais aventureira Honda X-ADV (clique para ver).

Começando pelo princípio: a Kymco reposicionou-se no mercado. Reformulou a sua gama, já toda conforme a norma Euro4, reduziu a oferta, mas expandiu-a para as grandes cilindradas, e pretende consolidar uma imagem de marca “premium”.

Considerando a reputação de fiabilidade e longevidade que tem granjeado nos outros mercados europeus, onde lidera frequentemente diversos segmentos de mercado, não se prevê tarefa difícil. Até porque, com a electrificação do mercado, o cenário vai sofrer fortes mudanças e a Kymco está muito bem preparada para o enfrentar, tendo até já criado um projecto de carregamento de baterias inovador, o Ionex, de que em breve lhe irei falar.

Voltando à AK 550, a primeira impressão é causada pelas linhas esguias, pelos traços cativantes e pela iluminação integral em LED particularmente bem conseguida. A segunda é a atenção que foi dada ao posto de condução, tanto ao nível da ergonomia como ao nível do conforto.

Mesmo o meu metro e oitenta encontra espaço mais do que suficiente para esticar as pernas e para virar completamente o guiador, até com passageiro. O assento é amplo, mas estreito entre as pernas. Por isso os pés chegam facilmente ao piso, sem obstruções, sendo uma mais-valia para as estaturas mais baixas.

O painel de instrumentos tem um aspecto moderno, de fácil leitura, e a instrumentação é personalizável através do sistema Noodoe, que se encarrega ainda de ligar a scooter ao smartphone, permitindo que através de uma App, se consiga personalizar a mais diversa informação a ser exibida no quadrante central. Mas disso falarei mais tarde.


A capacidade de carga não é muito grande, mas além dos dois pequenos porta-luvas no painel frontal, debaixo do assento, iluminado automaticamente, há espaço para um capacete modular de tamanho L, e ainda sobra lugar para um fato de chuva, um anti-furos e um cadeado, isto pelo menos!

O passageiro desfruta de um verdadeiro trono, com pegas extremamente bem concebidas, que permitem mudar de posição frequentemente, e poisa pés escamoteaveis, em posição bastante baixa, pouco exigente para os joelhos.

A protecção aerodinâmica é muito boa, e o ecrã, bastante elevado, não causa turbulência. Pena, no entanto, que a sua regulação para a segunda posição possível, tenha que ser feita com recurso a ferramentas. Os espelhos retrovisores estão bem posicionados e são articulados para que se possa estacionar em espaços bastante apertados.

O motor é elemento estruturante do quadro perimetral em alumínio, escondido debaixo das carenagens, e reflete uma tecnologia muito avançada, e uma engenharia focada no desempenho dinâmico.

Efectivamente, nesse aspecto, a Kymco AK550 deixou-me completamente rendido, desde a sonoridade do motor, cuja ponteira de escape foi sujeita a apurados estudos que resultaram em mais de 70 tentativas até ser encontrada aquela que produzisse a sonoridade perfeita, ao desempenho dos quase 54 cavalos assentes num binário elevado que proporciona acelerações muito divertidas. 

A suavidade de funcionamento é assinalável, com um nível de vibrações quase imperceptível, e a resposta do acelerador, em modo normal, a mostrar-se progressiva mas imediata, limpa e instantânea. 

A ausência de controlo de tracção quase não se faz notar, mas talvez prevendo maiores dificuldades em piso molhado, que não tive oportunidade de experimentar, a Kymco dotou a AK550 de um segundo modo, em que a resposta ao acelerador e a curva de potência são aligeirados. 

Penso, no entanto, que ambos deveriam ser ainda mais acalmados.Ainda a utilizar este modo “rain”, em algumas situações esporádicas, mas sempre em aceleração mais brusca, notei algumas irregularidades na entrega de potência, inexistentes no modo normal, sinal que uma actualização no “firmware” deve estar para breve.

O consumo mostrou-se bastante contido, e mesmo no meu habitual ritmo “pouco ético”, o computador de bordo ficou-se apenas pelos 6,1 l/100km, tendo perfeita consciência que se podem conseguir, sem qualquer sacrifício, médias a rondar os 5 l/100km, que em viagem equivalem a autonomias práticas superiores a 250km, o que é excelente. 


Por isso permite andamentos muito rápidos, sem esforço e com muita margem de segurança. Já para não falar num elevado gozo de condução! A boa altura ao solo permite ângulos de inclinação muito elevados, sem o risco de inadvertidamente raspar componentes no piso.

A suspensão mantém as rodas bem coladas ao piso, mesmo quando este se torna bastante irregular, e ainda assim, consegue proporcionar níveis de conforto muito elevados. A travagem é potente, incansável e muito doseável, tal como esperado das pinças de travão Brembo monobloco, e ambas as manetes têm regulação.

A qualidade de construção é elevada, isenta de ruídos parasitas, e com pormenores de acabamento muito cuidados. Os descansos são acessíveis e fáceis de usar, nomeadamente o cavalete central, que se mostra muito fácil de operar.

Para resumir, esta Kymco AK550 foi uma boa surpresa, e vai ser uma boa memória. Não é fácil conseguir atribuir-lhe defeitos. Talvez a pouca visibilidade do painel de instrumentos sob a luz do sol a pino, talvez o tamanho desproporcionado do “comando” do sistema sem chave, talvez a localização pouco acessível da tomada de 12V, ou a mais fraca qualidade dos plásticos das tampas dos porta-luvas sejam defeitos. O sistema Noodoe é interessante, mas ainda lhe falta algum refinamento, e uma maior oferta de funcionalidades. 

Mas a verdade é que, face à concorrência, a Kymco leva vantagem sob diversos aspectos, sendo um deles o preço, e o outro a maior agilidade, mantendo o nível na travagem e no desempenho do motor, que relativamente à líder e referência do segmento, a Yamaha T-Max, reclama mais 15% de potência, e menos 3.100 euros no preço.

Por isso, se é motociclista e pretende aumentar o conforto, potenciar a mobilidade e melhorar o seu estilo, sem abdicar da performance e de um controlo absoluto, mesmo para longas distâncias, então deve dirigir-se a um concessionário Kymco e marcar um test-ride. Vai ver que não se vai arrepender!

Equipamento:

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andardemoto.pt @ 22-5-2018 07:04:50 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira