Triumph Speed Triple 1050 RS - Sonho Verdadeiro

A mais hooliganesca das motos britânicas chegou a Portugal. Revista, actualizada, refinada, oferece agora um ainda maior prazer de condução.

andardemoto.pt @ 5-6-2018 03:03:06 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Triumph Speed Triple RS | Moto | Roadsters

Tentei convencê-la a fugir comigo. Eu não tinha dinheiro, ia ter que ser por amor! Relembrei-lhe os bons momentos que passámos juntos, o quanto fui feliz ao senti-la debaixo de mim, a excitar-me loucamente com todas aquelas curvas… O seu arfar e gemer a cada toque… a suavidade e delicadeza dos seus traços e da sua entrega, as explosões de alegria que partilhámos...

Mas ela continuava obstinada e, sem dinheiro - dizia, nada feito! Impunha-me uma prova de amor… por exemplo assaltar um banco, ou a caixa de um hipermercado, para conseguir a liquidez necessária para regularizar a nossa situação; e então sim, vivería a minha paixão, feliz e para sempre...

Disse-lhe que não, que tudo aquilo era uma loucura. Muito arriscado! Eu amava-a… teria que sofrer por isso? Porque não fugia ela comigo? Porque não partiamos os dois numa aventura, para um país longínquo onde ninguém nos conhecesse? Seria tão simples...

Mas ela não… queria tudo legal! Não queria envergonhar ninguém. Não teria coragem de nunca mais poder entrar em casa de família… e mais uma carrada de outras razões cheias de fleuma britânica, ensopada em protocolo e princípios, como se eu não soubesse que toda aquela snobice anglófila que ela tinha nos seus genes, provinha em grande parte de conceitos como rebeldia, impulsividade, e fugas a alta velocidade!

Frustrado, dei um murro na parede! E acordei! Estremunhado corri para o chaveiro enquanto esfregava a mão dorida. Sim, a chave estava ali! Meio vestido corri para a garagem, e lá estava ela! Provocante como de costume, sem minimamente esconder que sabe que a sua nudez me tira do sério, e que me provoca, apenas com a expectativa do seu ronco, ou com aquele carismático olhar estereoscópico.

A história até podia continuar, mas provavelmente seria demais para um teste de motos que se pretende minimamente técnico, medianamente esclarecedor, e altamente credível. 

Por isso, vou deixar para outra ocasião todos os pensamentos pecaminosos que elucubrei aos comandos desta Triumph Speed Triple 1050 RS, durante os dias em que desfrutei da sua companhia, deixando já a ressalva de que esta é, nem mais nem menos do que a minha moto fetiche, cuja evolução tenho acompanhado de perto desde que, em 1994 foi apresentado ao mundo o primeiro modelo da sua estirpe (pode ficar a saber mais sobre os modelos anteriores da Triumph Speed Triple se clicar aqui).


Pelo dito, foi bastante difícil afastar-me da natural tendência para desculpar qualquer defeito a esta moto que, ao longo das suas gerações, tem impressionado motociclistas de todo o mundo. Obviamente que não todos, tendo em conta que, por exemplo, viajar na “speed” é um acto de coragem pelas mais variadas razões, que vão desde o facto de ser uma “naked” sem qualquer protecção aerodinâmica, ao facto de ser uma verdadeira ameaça aos pontos de qualquer carta de condução. E provavelmente não irá agradar a muitos outros, pelas mais variadas razões ou paixões.

Mas qualquer motociclista de mente aberta, e que goste mesmo de “enrolar o punho”, dificilmente vai resistir aos seus encantos, e terá de concordar comigo que, qualquer eventual defeito se perde no meio de um tão grande prazer de condução, e que é extremamente fácil alguém se perder de amores por ela!

Claro que o motor é um dos seus principais atractivos. Robusto, mas de resposta rápida, suave, mas explosivo, excitante mas extremamente controlável, o tricilíndrico brinda qualquer aceleradela com uma eficácia tão grande, que parece ligado ao cérebro do condutor.

A sua resposta é contundente, sem hesitações e muito linear. A sua elasticidade é quase inacreditável, permitindo a partir das 2.000rpm, acelerar em sexta velocidade, sem batidas, chocalhos ou soluços, de forma muito determinada, seja em qual for dos modos de condução programados. 

A ciclística está perfeitamente ao nível das expectativas criadas pelo delicioso ronco do escape: tudo bate certo, no sítio esperado, e os comandos são leves, com um especial destaque para a dosagem permitida pela manete e pelo pedal dos travões.

E já que falo deles, não posso deixar de referir a eficácia do material Brembo instalado na roda dianteira, nem a do seu “cornering” ABS, assistido, nesta versão RS,  por uma unidade de medição de inércia (IMU) da Continental, que também gere o controlo de tracção, e que garante uma enorme segurança (e velocidade) seja na entrada ou na saída das curvas. No entanto, os “Bravos do Alcatrão” poderão sempre desligar o sistema e confiar na sorte.

A direcção é algo que nem nunca se chega a revelar, já que a condução sai intuitiva, e sem qualquer esforço nem demora, para desenhar cirurgicamente qualquer tipo de trajectória.

A suspensão, no caso desta versão RS, é completamente regulável e tem assinatura Öhlins: uma forquilha NIX30 de 43 mm, invertida, e um monoamortecedor TTX36, com um curso de 120 e 130 milímetros respectivamente, além de proporcionar um conforto quase desconcertante numa moto deste tipo, consegue manter o conjunto muito estável e os pneus sempre bem colados ao chão.

Mas a Triumph Speed Triple 1050 RS é mais do que a soma das suas partes. A experiência de condução é memorável, em cada trajecto, seja maior ou menor, seja na cidade seja numa estrada de montanha, em ritmo acelerado, alucinado ou mesmo de passeio. 

Ela tem vindo a evoluir ciclicamente, sem prescindir do seu conceito inicial, mas a melhorar paulatinamente: o seu desempenho dinâmico, com o motor a debitar agora uns redondos 150cv, os níveis de segurança, com o máximo em termos de ajudas electrónicas à condução, e o conforto do condutor, com um novo painel de instrumentos TFT a cores, e respectivo sistema de comando, com recurso a um pequeno “joystick” colocado ao alcance do polegar esquerdo, que permite configurar todos os parâmetros, e ainda navegar na diversa e completa instrumentação.
 
Ou o ainda o “Cruise Control”, ou o sistema “sem chave”, ou os punhos aquecidos, ou ainda os botões de comando iluminados. Tudo isto acompanhado por uma qualidade de construção e uma atenção ao detalhe muito acima da média!


Estaria aqui, efectivamente, a deixar-me influenciar, se não dissesse aquilo que não gostei. e aquilo que gostava também de ter visto. E não gostei de ter perdido imenso tempo à procura do “quick shifter”, até perceber que, incrivelmente, esse não é uma equipamento de série, nem nesta mais exclusiva versão RS, e que infelizmente a unidade de teste não tinha instalado. 

Também não gostei que o sistema “keyless” não tenha chegado ao tampão do depósito de combustível. Nem gostei dos espelhos pendurados na extremidade do guiador, que apesar de oferecerem uma excelente visibilidade, são um verdadeiro empecilho no meio do trânsito. Também o depósito de combustível podia ser um pouco mais volumoso, para aumentar a autonomia prática.

E ainda gostava de ter visto o GPS, com capacidade de ligação a um sistema de intercomunicação, incorporado no magnífico painel de instrumentos.

Mas estaria a mentir se não dissesse que, apesar de tudo, a Triumph Speed Triple 1050 RS é um verdadeiro sonho de moto. Aposto que não acredita! Por isso, marque um Test-Ride num concessionário Triumph, e depois diga-me se na verdade me deixei, ou não, influenciar!

Veja a Triumph Speed Triple 1050 RS em pormenor:

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andardemoto.pt @ 5-6-2018 03:03:06 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira