Teste Kymco Superdink 350 - Grande em Tudo

Uma maxi scooter na verdadeira acepção da palavra. Confortável, rápida, de linhas cativantes e com muito espaço para bagagem.

andardemoto.pt @ 12-6-2018 03:16:19 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

Estou para aqui farto de pensar, como dar a volta ao texto para que não pareça que, nas linhas que se seguem, me limitei a descarregar um chorrilho de epítetos. Mas o que é certo é que esta Kymco Superdink 350 é realmente grande em tudo, e só é pequena, mesmo, no preço.

Começando por aí, pelo preço, 5199 euros é, efectivamente, uma grande pechincha, sobretudo se tivermos em conta que há bastantes scooters 125, mais caros do que isso (confirme, clique aqui). Mesmo a sua “irmã” mais pequena, a Superdink 125i ABS, que partilha toda a ciclística e equipamento com a 350, custa apenas uns escassos 800 euros a menos.

Convém esclarecer que as Superdink são, nada mais nada menos, do que a evolução das conceituadas Kymco Downtown (125 e 300cc), mas que agora adoptam a denominação usada em Espanha, onde são líderes de mercado.

Completamente renovadas, o seu aspecto é impactante, com linhas bem traçadas, elegantes mas agressivas, e uma qualidade de construção bastante acima da média. A atenção ao detalhe é grande, saltando à vista os acabamentos cuidados, que começam na qualidade da pintura, e se estendem até à ausência de ruídos parasitas.

Concretamente na Superdink 350, a versão aqui testada, o conforto a bordo é muito bom, com o assento e a suspensão a trabalharem em conjunto para garantirem horas de condução sem cansaço. Nesse aspecto, a ergonomia também colabora, com os comandos bem posicionados, manetes reguláveis e plataformas dos pés bastante espaçosas, a permitirem posições alternativas, e sem estorvar na hora de manobrar, já que são recortadas na zona do acesso ao chão. 

Também o passageiro encontra um assento bem espaçoso, umas pegas bem firmes e envolventes, e poisa-pés bem colocados. A protecção aerodinâmica também é boa, para ambos os ocupantes, isto apesar do ecrã não ter regulação em altura. No entanto, tampouco causa uma grande turbulência, pelo que os níveis de ruído nos diversos capacetes que usei ao longo do teste, se mantiveram muito razoáveis.

No entanto, a grande estrela é o novo motor “350”, que tem efectivamente apenas 321cc, um incremento suficiente para que a norma Euro4 não penalizasse o desempenho. Mas o novo motor ganhou uma linearidade e uma suavidade de funcionamento e entrega verdadeiramente impressionantes que resultam, na prática, numa condução bastante divertida e despreocupada, capaz de proporcionar um elevado prazer.

Até a resposta do variador é bastante rápida no arranque, suave ao desengatar, e muito progressiva nas retomas, permitindo arranques nos semáforos, de fazer inveja a muita moto bastante mais potente. Efectivamente, os quase 30cv parecem ser bastantes mais, pelo que enrolar o punho resulta sempre num agradável empurrão, sendo bastante fácil fazer percursos e mesmo médias, em auto-estrada, superiores a 150km/h, com consumos bastante comedidos que, na pior das hipóteses, em ambiente urbano,  podem rondar os 5 litros/100km.


A suavidade de funcionamento é impressionante, praticamente isenta de vibrações, e com o escape a emitir um som bastante agradável, apesar de bastante reduzido. 

A ciclística, tendo em conta que estamos a falar de uma scooter com o motor “pendurado” na roda traseira, é quase impressionante, sendo rápida e assertiva na mudança de direcção, e extremamente estável em curvas a alta velocidade, mesmo com passageiro.

A suspensão traseira é regulável em pré-carga, oferecendo uma afinação ideal para cada utilização. A inclinação lateral é grande, permitindo desfrutar das curvas mais lentas, e levar quase até ao limite os admiravelmente performantes pneus Kenda OEM.

Na travagem, assistida por um ABS Bosch de última geração, o 9.1M, encontrei o único defeito da Superdink 350. Não que a travagem não seja doseável, e até mesmo potente, se circularmos dentro dos limites legais de velocidade.

Mas a “alegria” com que o motor monocilindrico nos catapulta, originou que, por vezes, tivesse sentido a falta de um segundo disco de travão na roda dianteira. Mas isto é apenas um desabafo, pois estou a referir-me a ritmos muito pouco recomendados numa utilização consciente, e que a maioria dos  utilizadores não irá seguramente imprimir.

Em termos de mordomias, a iluminação é muito boa, e a arrumação tampouco desilude. Debaixo do assento, há um espaço iluminado suficiente para guardar um capacete integral e um “jet”, sobrando ainda para acomodar latas de anti-furos, cadeados e fatos de chuva.

No painel frontal existem dois generosos porta-luvas, infelizmente sem fechadura, mas um deles dotado de tomada de corrente USB. O acesso ao depósito de combustível é óptimo, já que está colocado à frente do assento, entre as pernas.

Por falar em pernas, não se deixe intimidar pela altura de 810mm do assento. O seu formato, bastante estreito na frente, e os recortes nas plataformas dos pés, permitem que mesmo os mais “curtos de perna” cheguem bem ao chão. Apesar disso, estaturas de metro e oitenta têm espaço mais do que suficiente, mesmo quando transportam passageiro.


Para aqueles que adoram andar de moto mas que, por razões de praticidade elegem a scooter como o meio de transporte para uma utilização diária intensiva, os titulares de Carta A2, os que queiram uma alternativa mais executiva ou os que procuram uma segunda moto mais polivalente, então esta é uma opção que devem ter em conta. Há várias unidades em “Test-ride” nos concessionários Kymco (clique aqui para ver qual está mais perto de si), por isso aproveite e vá experimentá-la. 

Ficha técnica:

Motor: Monocilíndrico a 4 Tempos
Cilindrada (c.c.): 321
Potência: 21.2 kW a 7500 rpm
Refrigeração: por líquido
Alimentação: Injecção Electrónica
Transmissão: Variador contínuo e Embraiagem Centrífuga Automática
Caixa de Velocidades: Automática
Suspensão Dianteira: Forquilha Hidráulica Telescópica
Suspensão Traseira: Duplo Amortecedor Hidráulico Regulável
Travão Dianteiro: Disco Ø 260 mm
Travão Traseiro:Disco Ø 240 mm
Pneu Dianteiro:120/80-14
Pneu Traseiro: 150/70-13
Dimensões: c x l x a (mm): 2250 x 780 x 1345
Distância entre Eixos: (mm)1553
Peso (kg):192
Capacidade Depósito Combustível: (L)12.5

Equipamento:

andardemoto.pt @ 12-6-2018 03:16:19 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira