Teste Harley-Davidson Fat Boy 114 - Exterminadora Implacável

Quando se pretende a essência do espírito motociclista americano, é difícil conseguir algo mais genuíno do que uma Fat Boy.

andardemoto.pt @ 26-6-2018 02:51:25 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Harley Davidson Fat Boy 114 | Moto | Softail

A Fat Boy foi, desde o início, concebida para ser um mito!

Foi desenhada pelo próprio Willie G. Davidson, que a conduziu, ainda como protótipo, em 1988 e em 1989, a caminho da grande concentração de Daytona. Mas a impactante moto cuja assinatura é as suas jantes sólidas e as ponteiras de escape “shot gun”, chegou pela primeira vez aos concessionários da Harley-Davidson em 1990.

A máquina de marketing apostou forte na promoção, e para nem sequer dar hipóteses ao fracasso, logo em 1991, a nova “softail” chegou a milhões de americanos pelo grande ecrã, com o ainda maior Arnold Schwarzenegger aos comandos, como protagonista de um dos grandes “blockbuster” da época: o filme Terminator 2.

Ficou para a história o bem coreografado “salto” de 3 metros de altura, para dentro dos canais de esgoto de águas pluviais de Los Angeles.

Tendo em conta que a Fat Boy pesava bastante mais de 300kg, não é de admirar que a filmagem tenha sido assistida por especialistas de efeitos especiais, que utilizaram um guindaste e cabos de 3 centímetros de espessura para suportar o peso durante o “vôo”, fazendo com que, no momento do impacto com o solo, o conjunto pesasse apenas cerca de 80kg. 
Ainda assim, foi um momento espectacular e uma imagem que, depois de os cabos terem sido removidos digitalmente, ficou bem marcada no imaginário de qualquer motociclista, e nos relatórios de vendas da "Motorcycle Company" com as encomendas da Fat Boy a subirem em flecha, mantendo-se ainda hoje como um dos modelos mais vendidos da gama.


Sim, já tinha dito isto há dias, quando falei sobre a moto do Exterminador Implacável 2 que ia ser leiloada, e que acabou por ser vendida por 520 mil dólares, grosso modo: 450 mil euros! Mas é um facto que prova bem a importância deste modelo para o fabricante de Milwaukee.

Esta versão de 2018, que agora tive oportunidade de testar, estava equipada com o motor Milwaukee-Eight 114 e, na prática, apenas se assemelha esteticamente à sua versão original.

Fiel nas linhas, difere substancialmente no comportamento dinâmico, devido ao elevado teor tecnológico e ao desenvolvimento aturado do quadro tubular em aço, fruto da “custom revolution” que agregou as famílias Dyna e Softail na gama de 2018 da Harley-Davidson, da qual também consta a Fat Bob que também já tive oportunidade de lhe apresentar (clique aqui se não viu o teste)

Novas jantes de 18 polegadas, invariavelmente maciças, com pneus 160 na frente e 240 na traseira, carregam sobre a frente uma imponente silhueta que conta com um bastante estilizado farol de LED.

Também por isso, a condução da Fat Boy é bastante carismática, tipicamente “cruiser”, mas exigindo calma nas manobras, sobretudo devido às dimensões dos pneus, apesar de não se coibir de arranques demolidores e curvas bastante entusiasmadas.

A travagem é também ela muito boa, incisiva e eficaz, a tirar proveito do ABS e da grande pegada das generosas borrachas, com o travão traseiro a ser ainda uma preciosa ajuda no controlo do ângulo de inclinação, e a baixa velocidade. 

Mas o grande destaque vai para a suspensão.Nas lamentáveis ruas esburacadas-remendadas-cheias-de-tampas-de-esgoto-e-carris-de-eléctrico-desnivelados-muitas-vezes-em-calçada da nossa capital, a Fat Boy comporta-se de tal forma que só me vinha à memória aquela imagem do hipopótamo a saltar levemente de nenúfar em nenúfar!

Mesmo sob forte travagem (sim, a travagem é muito boa para os normais padrões de uma cruiser), a forquilha comporta-se exemplarmente, com um afundamento muito aceitável, o que não deixa de ser impressionante se tiver em conta o peso do conjunto e, também, o peso das imponentes rodas!


Tudo isto, a par de uma excelente qualidade de construção, isenta de ruídos parasitas e trepidações desnecessárias, proporcionando ainda um excelente conforto, que convenientemente pode ser facilmente adequado às circunstâncias, já que o eficaz e quase milagroso amortecedor traseiro, possui um prático regulador de pré-carga remoto, muito acessível, e conveniente à cervical.

As circunstâncias não permitiram que me aventurasse a grandes viagens, mas no total, ao fim de uma semana a ser alvo de olhares bastante interessados, os cerca de 500 quilómetros que pude rodar com ela, praticamente sempre numa utilização urbana e arredores, foram fraccionados em períodos máximos de 30 minutos, facto que não me permitiu confirmar as aptidões turísticas da Fat Boy. 

Mas tampouco senti o mínimo desconforto, pelo que deduzo que, exceptuando a necessidade de limpar a mosquitada dos óculos, dentes, pernas e blusão, é provável que se possam facilmente cumprir tiradas consecutivas de 150km, equivalentes a mais ou menos hora e meia, sem grande esforço, por uma bela estrada de curvas, e a desfrutar da afinação sinfónica do V-Twin.

Efectivamente o Milwaukee-Eight 114 permite rolar a muito baixa rotação, mesmo em sexta velocidade, sempre com binário disponível para, em cada enrolar de punho, castigar impiamente o 240 traseiro.

Infelizmente, poucas oportunidades tive de ir, nem que fosse, dar uma voltinha nocturna pela Serra da Arrábida, desfrutando da excelente iluminação, pois a meteorologia nem sequer ajudou! Ou ajudou… mas foi para confirmar que todo aquele binário, espalhado pelo pneu 240, à chuva, é um verdadeiro desafio, sobretudo na cidade! E apesar de o acelerador ser de uma grande docilidade, o controlo de tracção faz falta!

Por outro aspecto, como limpar os cromados dá uma trabalheira, e andar com a “Fat” à chuva é como estar num verdadeiro “poliban”, com água a entrar por todos os lados, mais vale usá-la só nos dias de sol! E aí sim, sentir-se um verdadeiro Exterminador Implacável do Stress!

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:





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Harley Davidson Fat Boy 114 | Moto | Softail

andardemoto.pt @ 26-6-2018 02:51:25 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira