Teste Honda GL 1800 Gold Wing 2018 - Em Grande Estilo

O emblemático modelo de luxo da Honda, em produção desde 1975, recebeu uma actualização de fundo para 2018. Aproveitando a sua chegada ao nosso mercado, fomos testar duas das versões disponíveis, a “Bagger” e a “Tour” automática com DCT

andardemoto.pt @ 17-7-2018 08:00:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Honda GL 1800 Goldwing | Moto | Touring

No total são três as versões da nova Gold Wing: a GL1800 Gold Wing (a versão “Bagger” aqui testada, a GL1800 Gold Wing Tour com “top case” e caixa de 6 velocidades, e a GL1800 Gold Wing Tour com DCT e airbag (a versão de luxo que pode ver nas imagens).

Depois de já ter tido oportunidade de ser muito feliz aos comandos de versões anteriores da mítica “Gold Wing”, chegou finalmente a ocasião de testar os novos modelos que tinha visto em Milão, na EICMA de 2017.

Quem nunca andou numa Gold Wing não consegue sequer imaginar a facilidade e o prazer de condução que estas gigantescas motos proporcionam. Nem sequer imagina que, mesmo manobrar, é mais fácil do que em muitas outras motos que vulgarmente se encontram na estrada. Nem tampouco tem ideia da experiência de condução proporcionada pelo motor boxer de 6 cilindros, cuja suavidade e disponibilidade são quase desconcertantes.

É impossível referir aqui todas as características e todos os pormenores que estas motos encerram. Por isso vou apenas cingir-me ao essencial.

Tudo nas Gold Wing está relacionado com o conforto, para que o cansaço se mantenha em níveis mínimos e permita que a atenção se mantenha em níveis elevados durante as grandes viagens.

Começo com a posição de condução, que é extremamente relaxada, com os assentos ergonómicos e confortáveis  Mas isso é apenas o princípio já que a nova Gold Wing ainda oferece de série um pára-brisas com regulação eléctrica, um sistema de chave “Smart Key” e um sistema de “infotainment” de elevada qualidade, compatível com o protocolo de interface para smartphones Apple CarPlay, a par com a conectividade por Bluetooth, e suportado por um painel TFT de 7 polegadas, a cores e de alto brilho, complementado por um sistema de áudio de muito boa qualidade.

A protecção aerodinâmica é extraordinária, mesmo para o passageiro, pois com o ecrã elevado à sua posição máxima, nem há vento nem turbulência, mesmo para os condutores de estatura mais elevada.

O monumental motor boxer, de seis cilindros opostos e 1800cc, cuja suavidade e regularidade de funcionamento são quase impressionantes, foi completamente revisto e passa a “respirar” através de 4 válvulas em cada cilindro e por um novo escape, contando com um acelerador electrónico que disponibiliza 4 modos de condução, TOUR (turismo), SPORT (desportiva), ECON (económica) e RAIN (chuva).

Além da resposta do motor, os modos de condução também incidem na suspensão, no ABS e no Controlo de tracção, pelo que, com apenas uma rápida operação, todo o conjunto se adapta instantaneamente a cada situação.

Controlo automático de velocidade e sistema de assistência ao arranque em subidas (Hill Start Assist) são outras das funcionalidades disponibilizadas para tornar qualquer viagem ainda mais confortável e menos cansativa, razão pela qual a Gold Wing conta inevitavelmente com transmissão por veio e cardã. 

Como conveniente numa moto destinada a fazer grandes tiradas, a iluminação é integralmente em LED e os piscas têm função de cancelamento automático. Os punhos e os assentos também são aquecidos, contando o do passageiro com regulação independente.

Além da versão base, a “Bagger”, que possui um nível de acessorização inferior apesar de permitir a instalação da “Top Case”, também pude testar a Gold Wing “Tour” dotada da terceira geração do exclusivo sistema DCT de transmissão de dupla embraiagem, exclusiva da Honda, que disponibiliza agora 7 relações de caixa e que inclui marcha-atrás.

Como novidade, uma função de andamento lento para a frente, extremamente conveniente e prática, para manobrar os 383kg de peso em ordem de marcha (menos 34kg que a versão anterior), que combinada com um raio de viragem de 3,4 metros também facilita as manobras, apesar de a altura do assento, cotada em 745mm, se tornar um pouco escassa para as estaturas mais baixas devido à sua largura e formato. 


A capacidade do depósito de combustível foi reduzida, passando a ser de “apenas” 21,1 litros, mas foi compensada com um consumo melhorado devido ao cumprimento da normativa Euro 4, pelo que Honda anuncia valores de 5.6 litros/100km (claro que a ritmos de 125cc) mas que durante o teste e sessão de fotos, sempre em modo “Sport” ou “Tour”, ambos os modelos registaram médias na ordem dos 6,5 litros, pelo que se pode concluir que a autonomia não foi realmente afectada, permitindo tiradas ininterruptas de aproximadamente 300km, realizados em menos de duas horas.

Na ciclística nota-se bem a maior rigidez do novo quadro de dupla trave em alumínio, e o excelente desempenho da nova suspensão dianteira, de braços articulados duplos e sobrepostos, que, à semelhança da traseira com monobraço oscilante Pro-Arm, tem regulação eléctrica do amortecimento, comandada a partir do painel de instrumentos, podendo ser configurável em função da carga ou de gostos pessoais.

Aliás, a nova suspensão dianteira é o aspecto onde se nota a maior evolução da Gold Wing.

A grande vantagem da nova suspensão dianteira, que abandona o sistema de forquilha hidráulica telescópica, revela-se numa quase completa ausência de vibrações nos punhos, mesmo quando se circula em pisos muito degradados, eliminado também o afundamento da frente sob travagem.

Outra das vantagens da nova suspensão dianteira, além da maior rigidez, é permitir a colocação do motor numa posição mais avançada, facto que torna a Gold Wing muito mais compacta, proporcionando ainda uma maior precisão na direcção.

A capacidade de carga é grande, com a versão “Tour” a reclamar uma capacidade superior a 100 litros, mas ao contrário da versão anterior, as malas laterais não conseguem albergar capacetes integrais. Mesmo na “Top Case”, apenas cabem 2 capacetes se forem de tamanho médio.

No entanto as fechaduras das malas são eléctricas (no painel existe inclusivamente um avisador para indicar se estão abertas), o que lhes permite bloquear em simultâneo e automaticamente mal nos afastamos da moto, uma das grandes vantagens do sistema “sem chave”.

Ainda existem 2 compartimentos para arrumação, mas infelizmente nenhum deles contém tomadas de carregamento para um telefone ou outro equipamento. Nas versões sem “air bag”, o compartimento central tem uma tomada USB, mas nas versões com “air bag”, que só têm um compartimento (o outro é ocupado precisamente pelo dispositivo de segurança) a única tomada disponível está na “Top Case”, e serve ao mesmo tempo para ligar um dispositivo de som.

Nenhum destes compartimentos tem fechadura. Em contrapartida, o cavalete central é agora muito mais fácil de usar, sendo necessário muito menos esforço para subir e descer a moto.

Em andamento a Gold Wing revela-se de uma ligeireza quase inacreditável, com uma direcção surpreendentemente leve e mudanças de direcção rápidas, acelerações muito contundentes, uma travagem excepcional, mesmo tendo em conta o peso do conjunto, oferecendo níveis de ruído muito baixos, a par com uma sonoridade de escape quase viciante.

Sobretudo na versão DCT, recomendada para quem quiser fazer grandes viagens com passageiro, já que proporciona um nível de conforto acima da média. Sobretudo em percursos urbanos ou em estradas sinuosas. A versão “Bagger” conta com uma caixa de 6 velocidades convencional, apresentando um accionamento muito leve e preciso, beneficiando duma embraiagem muito leve.

Em qualquer dos modelos, o prazer de condução é quase indescritível, assemelhando-se a estar sentado num belo sofá, frente a uma ecrã tridimensional, dando a sensação de que o mundo desfila, ao vivo, diante dos nossos olhos.


Os comandos dos punhos são bastante acessíveis, e até o interruptor de máximos está colocado na posição em que deveriam estar todos, ao alcance do dedo indicador. Apesar das suas dimensões, e do seu aspecto imponente, a versatilidade da Gold Wing permite até uma eventual utilização urbana, despreocupada e cheia de estilo, que não passa despercebida em nenhuma situação.

Considerando o tamanho e o peso do conjunto, a Honda esmerou-se no desenho da moto e na incorporação de protecções que, em caso de queda a manobrar, evitam qualquer dano nas carenagens ou nos escapes.

Os espelhos retrovisores, são bastante mais pequenos que os das versões anteriores, mas a visibilidade não ficou comprometida. Devido ao relativamente curto contacto que tive com estas duas motos, muito ficou por explorar.

Nomeadamente factores importantes para quem viaja, como a eficácia do sistema GPS, o emparelhamento com o sistema Android ou com sistemas de intercomunicação, ou a importante opinião do passageiro, que nesta versão da GL1800 conta efectivamente com menos espaço.

A qualidade de construção é irrepreensível, seja ao nível dos equipamentos seja nos acabamentos, com pormenores de requinte e materiais de elevada qualidade que resultam numa ausência de ruídos parasitas. Mas para os mais exigentes, a Honda preparou uma gama completa de acessórios originais.

Resta dizer a quem é que recomendo esta nova Honda Gold Wing. Para começar, aos actuais proprietários de Gold Wing de gerações anteriores.

As suas novas capacidades dinâmicas, as linhas modernas e o elevado teor tecnológico que encerram, fazem dela uma excelente opção, apesar de alguns se poderem vir a queixar das dimensões mais compactas. Depois, àqueles motociclistas que gostam de fazer grandes viagens com passageiro, e que nunca tiveram nenhum contacto com estas verdadeiras “globetrotters”, pois nenhuma outra moto lhes oferece estes níveis de conforto e sofisticação.

E por último, quem quiser ostentar uma moto exclusiva e impactante, tem na versão “Bagger” uma opção a que ninguém fica indiferente, capaz de uma grande versatilidade de utilização, e a par com um enorme prazer de condução.

Por isso, se ficou curioso, ou interessado, deve dirigir-se a um concessionário Honda e pedir para fazer um “test-ride”.

Veja a Honda GL1800 Gold Wing (2018) em pormenor

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Honda GL 1800 Goldwing | Moto | Touring

andardemoto.pt @ 17-7-2018 08:00:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira