Teste Yamaha Niken – Fora de série

Não é uma moto Turística, não é uma Sport Adventure, não é uma desportiva nem uma “Naked”. Esta moto é tudo isso, e um par de rodas!

andardemoto.pt @ 29-7-2018 19:48:02 - Texto: Rogério Carmo

A Yamaha tem uma longa tradição de inovação. Da mítica GTS com o seu quadro em Ómega e suspensão dianteira de monobraço, à urbana e descomprometida Tricity cuja facilidade de condução impressiona desde o primeiro momento, passando pelos recentes esforços de desenvolvimento de condução autónoma com méritos para o robô Motobot (clique aqui para saber mais), toda esta dinâmica que incide no desenvolvimento de novas soluções de mobilidade, culmina com a apresentação de um modelo inovador que não deixa ninguém indiferente: a Niken.

O seu nome é inspirado na expressão japonesa que significa duas espadas, uma alegoria às duas forquilhas que suportam cada uma das duas rodas dianteiras, ancoradas num sistema que lhes permite inclinar até aos 45º, e que simultaneamente compensa o raio de viragem para que cada roda se mantenha numa trajectória perfeita, sem arrasto ( a chamada geometria Ackermann).

À primeira vista a Niken intimida. Mas o seu aspecto agressivo, algo ficcional, de linhas orgânicas a lembrar um qualquer ser alienígena, esconde uma extrema facilidade de condução. Qualquer desconfiança relativamente à precisão, rapidez e leveza da direcção desvanece-se ao cabo das primeiras curvas.

Passados os primeiros quilómetros, à medida que se vai ganhando confiança, ou vencendo a desconfiança, esquecem-se as duas rodas e as duas forquilhas dianteiras, e começa-se a aumentar o ritmo na entrada das curvas.

Na prática, a Niken conduz-se efectivamente tal e qual como uma moto. Por isso a Yamaha a homologou como motociclo, sendo necessária carta de condução de moto para poder ser legalmente conduzida na via pública. 

Mas não se pode cair no erro de pensar que esta é uma moto para iniciados. Longe disso.


Como argumento de venda, a Yamaha aposta na promoção de uma condução desportiva, mesmo para aqueles condutores que não tenham nem um gene em comum com Valentino Rossi. Mas isso não significa que possam ser inexperientes.

A potência disponibilizada pelo motor tricilíndrico CP3, que equipa a gama MT-09 e debita cerca de 110cv, apesar de não ser aconselhada nem a condutores iniciados nem aos menos experientes, pois mantém o seu carácter explosivo proporcionado por um elevado binário e uma grande capacidade de subir de rotação, requer algum controlo na dosagem do acelerador, sendo por outro lado viciante em termos de prestações, e nada fácil de resistir aos seus encantos.

Mais ainda por se desfrutar de uma caixa de velocidades com “quickshifter” para subir de relação (infelizmente a Yamaha ainda só disponibiliza uma versão integral, que permite subir e descer nas relações de caixa, na R1).

A travagem é potente, muito doseável, e o ABS é, como seria de esperar devido ao acréscimo de aderência, muito pouco intrusivo. O quadro mantém-se firme, permitindo que haja alguma leitura do piso. A suspensão, completamente regulável, tem uma afinação desportiva, mas os componentes de qualidade garantem um excelente conforto sobre pisos degradados.

Mas porquê, então, as duas rodas na frente?

As vantagens são óbvias e residem sobretudo na maior aderência proporcionada pelos dois pneus dianteiros de 16 polegadas, desenvolvidos pela Bridgestone especificamente para a Niken, e que proporcionam além de uma maior confiança, uma segurança acrescida em curva e em travagem.

No entanto, o sistema de paralelogramo deformável que integra ponteiras de direcção, com todas as articulações providas de rolamentos, garante uma extrema leveza na inclinação lateral, que é em tudo semelhante à de uma moto normal. Até se a largarmos, ela cai para o lado.

A distribuição de pesos é optimizada (50/50), à custa do facto do guiador ter sido recuado 5cm relativamente à Yamaha MT09

O teste que a Yamaha Portugal proporcionou aos meios de comunicação lusos, em território nacional, num trajecto diversificado que até deu direito às belas curvas do Bombarral, foi suficiente para perceber que, no que respeita à travagem, além de um acréscimo de estabilidade, há em situações de aderência reduzida nítidos ganhos na tarefa de reduzir a distância de paragem, permitindo travagens vigorosas mesmo com ângulos de inclinação elevados.

O único aspecto em que se notam diferenças para uma moto normal é a agilidade na mudança de direcção, que se vai perdendo com o aumento da velocidade, causado pelo efeito giroscópico a duplicar, e que está na base da utilização de jantes de 15 polegadas precisamente para o diminuir.

Atingir elevados ângulos de inclinação é extremamente fácil, proporcionando altos níveis de adrenalina. Os mais afoitos irão seguramente gostar das manobras de “drift” que a Niken permite, já que também é possível desligar o controlo de tracção, e seguramente que alguns se vão deliciar a fazer uns “wheelies”.


Claro que há limites, mas estes, apesar de dependerem igualmente das condições do piso e da velocidade, estão muito para lá do expectável e só se revelam numa condução excessivamente efusiva e pouco recomendável na via pública.

Apesar de a Niken ter sido concebida para as curvas, a circulação em trânsito urbano não se vê penalizada pela existência das duas rodas dianteiras, já que a sua largura total, de 410mm, é inferior à do guiador, que nem é exagerada, havendo no mercado motos com guiadores mais largos que o da Niken. 

As capacidades turísticas deste novo modelo da Yamaha também não são de desprezar. Uma posição de condução elevada e muito ergonómica, espaço desafogado para o passageiro, uma suspensão bastante confortável e a instalação de “cruise control” fazem da Niken uma potencial candidata a uma “roadtrip” pelo centro da Europa ou mais além!

A Niken já se encontra em comercialização, exclusivamente através de um sistema de reservas on-line. Clique aqui. 

O seu preço, chave na mão, é de 15.901,98€ e está apenas disponível na cor Grafite.
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andardemoto.pt @ 29-7-2018 19:48:02 - Texto: Rogério Carmo