Teste Benelli TRK 502 X - Polivalência económica

Fomos testar uma das “Best Seller” do nosso mercado, que agora chega aos concessionários numa versão ainda mais apetecível, destinada aos mais aventureiros.

andardemoto.pt @ 13-8-2018 15:30:18 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Benelli TRK 502 X | Moto | Motos

Costuma dizer-se que: em equipa que ganha não se mexe! Pois bem, a Benelli não deu ouvidos ao ditado, e partindo da base da TRK 502 que há pouco mais de um ano tive a oportunidade de testar (clique aqui para ver) , apresentou recentemente a nova versão “X”, sigla que a define como uma moto de aventura.

Com este novo modelo, a Benelli pretende conquistar uma ainda maior fatia do mercado, sendo que a versão base, até agora a única disponível e que se vai manter no catálogo da marca, tem sido um dos motociclos mais vendidos ao longo de 2018 no nosso país, e isto apesar de ter tido algumas roturas de stock.

Obviamente que não foi só a sigla que mudou, apesar de, depois de analisadas bem as coisas, aquilo que mudou também não ter sido assim tanto, pois a versão base já tinha bastantes predicados de aventureira.

No entanto, as pequenas mudanças revelaram-se terrivelmente eficazes, ao ponto de alterarem por completo o “feeling” e o desempenho do conjunto.

A começar pela ciclística, a mudança mais óbvia encontra-se nas rodas. A da frente passa a medir 19 polegadas, as jantes passam a ser raiadas e o pneu traseiro é ligeiramente mais estreito, na medida 150/70-17.

A pinça do travão dianteiro também é nova, com instalação igualmente radial, mas que com a ajuda de discos recortados, flutuantes, afigura-se agora mais eficaz e menos susceptível de mostrar sinais de fadiga. O ABS, a cargo de uma unidade Bosch, é bastante competente e continua a poder ser desligado.

A suspensão também sofreu alterações. Apesar de a forquilha invertida ser a mesma, com 50mm de diâmetro, e de continuar a não permitir afinações, a sua taragem é mais macia, mantendo praticamente o mesmo curso de 150 mm, enquanto que o novo amortecedor traseiro, completamente regulável, vê a sua amplitude quase duplicada, para uns mais consensuais 45mm, que proporcionam através do sistema de ligação um movimento da roda superior a 140mm.


Todas estas alterações fazem consequentemente aumentar a distância livre ao solo, que ganha 3 centímetros, que representam no total uns mais convenientes 220mm. Claro que tudo isto tem um custo em termos de altura do assento, que assim se vê mais elevado em 4 centímetros, cifrando-se na versão “X” nos 840mm.

O mais do que comprovado motor bicilíndrico mantém-se praticamente inalterado, mas a nova programação da electrónica faz toda a diferença, mostrando-se ainda mais suave e a permitir uma subida de rotação mais rápida, limpa e linear. Até dá a sensação que o nível de vibrações parasitas foi substancialmente reduzido.
Para isso terá também contribuído o melhor escalonamento da caixa de velocidades, e a relação de transmissão final, ligeiramente mais curta.

A ponteira do escape também é nova, colocada lateral e superiormente, libertando espaço útil por debaixo da moto, para permitir transpor maiores obstáculos, ficando assim também mais protegida. A sua sonoridade é bastante inspiradora, realmente muito bem conseguida. 
Para completar a lista das melhorias, não posso deixar de referir a protecção de cárter e o cavalete central, que nesta versão vêm instalados de série, sendo ambos, a par com as novas jantes, os maiores responsáveis pelo aumento de peso que a Benelli TRK 502 X regista relativamente à versão “normal”, que já tinha tido oportunidade de testar (clique aqui para ver). 

Poderia pensar-se (e eu estava quase certo disso) que os 235kg da versão aventureira (mais 22 do que a versão normal) iriam ser um ainda maior fardo, tendo em conta os pouco menos de 50cv que o motor debita mas, curiosamente, e devido às alterações que mencionei anteriormente (a melhor electrónica, a caixa de velocidades e a transmissão final revistas) a TRK 502 X é agora mais leve e mais rápida, proporcionando um prazer de condução muito maior.
Em andamento, o motor esgota rapidamente cada relação de caixa, e apesar de obrigar a algum trabalho do pé esquerdo, conseguem-se ritmos muito interessantes, sobretudo em asfalto, em estradas de montanha. 
Com as modificações da ciclística passou-se o mesmo. A TRK 502 X mostra-se mais estável em curva, mesmo sob travagem, sem registar um afundamento pronunciado da suspensão, e a resposta ao guiador até parece mais leve e rápida. As trajectórias são traçadas mais facilmente, permitindo aproveitar a maior inclinação lateral.

No capítulo da travagem, apesar de a manete direita exigir convicção no accionamento, o poder de desaceleração foi substancialmente melhorado com o novo equipamento, e beneficia ainda das boas prestações dos novos pneus Metzeler Tourance, que também protagonizam uma agilidade maior, se bem que, tal como já referi, também à custa da diminuição da largura da roda traseira.
Em termos de manobrabilidade, seja à mão ou a baixa velocidade, a Benelli TRK 502 mantém-se igual a si mesma, sendo muito fácil de conduzir e exigindo muito pouco esforço físico. 
Em termos de ergonomia mantém-se tudo semelhante à versão normal, mas com um conforto acrescido devido ao novo “setting” das suspensões, permitindo tiradas longas sem qualquer problema, potenciadas pelos 20 litros de capacidade do depósito de combustível.


Apenas em condução em pé é que se pode fazer um reparo, precisamente ao formato do depósito, cujas paredes laterais com protuberâncias muito vincadas, acabam por ser um pouco incómodas devido ao seu contacto com as pernas.

Por falar em reparos, há ainda que mencionar o descanso central, cujo accionamento, apesar de extremamente fácil, requerer alguma estratégia, já que a alavanca do pé, está colocada demasiado junto do poisa-pés do passageiro, o que obriga a que primeiro se o empurre para baixo, com a biqueira da bota, e depois se recoloque o pé, e então aí se faça pressão para o instalar. Nada demais, mas é um ponto a merecer alguma atenção. Pelo menos tem o mérito de não interferir com a condução em pé!
A boa proteção aerodinâmica, o painel de instrumentos bastante legível, os comandos bastante acessíveis, a tomada USB acessível para ligação do “smartphone” ou dum GPS, e o espaço desafogado para o passageiro, e a qualidade de construção isenta de “chocalheiras”, mantêm-se inalterados nesta nova versão, isto apesar de as soldaduras do quadro, algo imperfeitas, já serem quase uma imagem de marca!

Considerando que nenhuma das Benelli TRK 502 tem vocação de endurista, é no entanto inegável que a versão “X” apresenta um comportamento bastante aceitável em pisos mais difíceis. É tão competente, dentro das suas limitações, como qualquer das motos de “Aventura” do segmento “premium”.

Claro que não terá o mesmo arranque, nem as mesmas mordomias, e em asfalto o seu handicap de potência é notório, mas num passeio com amigos, ou numas tiradas pelo campo, por estradões ou mesmo até por trilhos de piso mais firme, a diferença já não será assim tanta.

A quem é que recomendo esta nova Benelli TRK 502 X? Pois sobretudo aos recém chegados ao mundo do motociclismo, ou aos recém chegados ao mundo dos passeios de “aventura”. A sua facilidade de condução, a suavidade dos comandos e o seu aspecto imponente, agradarão seguramente à maioria. Sobretudo aqueles que se preocupam com o preço. Além do mais a TRK 502 X também pode ser conduzida com carta A2.

A unidade que testámos estava equipada com malas Shad, mas existem outras opções. Disponível em 3 cores, Branco, Vermelho e Cinza, o seu P.V.P. é de 6.480,00, cerca de 500 euros mais cara que a versão normal, o que não deixa de ser uma verdadeira pechincha, tendo em conta o equipamento extra que se recebe em troca, isto já para não falar no estilo!

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção:


Capacete Nolan N53

Blusão RSW Touring

Luvas RSW MSL – 009

Botas TCX Airtech Evo Gore-Tex


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Benelli TRK 502 X | Moto | Motos

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