Teste Suzuki SV650XA - Emoções à antiga

Não é preciso gastar muito dinheiro, perder muito tempo e paciência, ou abdicar de uma construção fiável ou níveis de segurança elevados, para reviver o espírito motociclista de antigamente. A Suzuki, com esta variação da sua SV650, encarregou-se de tratar disso. E o resultado é mesmo impressionante!

andardemoto.pt @ 4-9-2018 04:24:05 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Suzuki SV650XA | Moto | Estrada

Conheço muita gente que gastou bastante mais dinheiro do que o que custa esta nova Suzuki SV650XA para ter uma “cafe racer”, e acabou por ficar com um “mono” sem fiabilidade, pouco confortável e, em muitos casos, de gosto bastante duvidoso, para não dizer pior. Já para não falar que alguns estragaram de forma irreversível algumas motos que eram verdadeiras e intemporais pérolas clássicas, se apenas tivessem sido recondicionadas. Mas isso é outro tema!

O tema de hoje é precisamente esta Suzuki, que apesar de já ser literalmente uma velha conhecida, e cujo modelo de 2017 também já tinha tido oportunidade de testar para estas páginas (clique aqui para ver o teste Suzuki SV650A - Fénix Renascida), se me revelou uma moto extremamente divertida de conduzir e conviver, mesmo no dia-a-dia.

Mantendo todas as características referidas no teste da versão normal (que continua perfeitamente actual), esta nova versão “XA” apresentada no Salão de Milão (EICMA) em 2017, revelou-se uma agradável surpresa, logo quando a lá vi.

As linhas esguias e os pormenores de acabamento bastante cuidados eram evidentes, mas foi agora, quando iniciei este teste, e mal dei arranque ao motor e a “XA” me brindou com um ronco interessantíssimo, que ela me deixou praticamente rendido. 

A posição de condução é “da velha guarda”, bem ao estilo das corridas de café, com um guiador de avanços a forçar uma posição de condução mais desportiva, que até faz parecer os poisa-pés ficarem mais elevados e recuados.

Esta pequena alteração, comparando com a versão normal da SV650, a par com a sonoridade do escape, que foi revista, foram suficientes para converter a pacata SV650 numa moto extremamente agradável e fácil de conduzir, capaz de devolver em prazer cada curva e todas as “enroladelas” do punho direito que lhe atiremos!


Apesar de extremamente bem equilibrado e praticamente isento de vibrações, o motor bicilíndrico em “V” a 90º de 645cc não é obviamente um portento de força, mas a caixa de velocidades potencia até cerca de 74cv, o aparentemente débil binário de 6,4 kg/m às 8100rpm (dados não oficiais como habitual na Suzuki), valor que no entanto é mais do que suficiente tanto para divertir um motociclista veterano, como para encantar um jovem motociclista. E nesse aspecto, esta SV650XA até pode ser limitada para os titulares de carta A2.

Em andamento não há nada a apontar! Tudo é suave, desde a embraiagem à mordida do travão, à resposta do motor que sobe de rotação alegremente desde baixo regime, mas sem sobressaltos, e às mudanças, que entram em ambas as direcções como que por magia, mesmo sem recurso à embraiagem.

E mesmo quando se enrola o punho com convicção, a suspensão, neste caso regulável em pré-carga e compressão, e que tem de fábrica uma afinação bastante confortável, mantém-se firme, proporcionando mudanças de direcção muito rápidas, mesmo considerando o guiador de avanços.

Apenas a travagem dianteira podia (na realidade devia) ser um pouco mais potente, já que todo o conjunto permite, sem qualquer problema, ritmos de condução bastante rápidos e entusiasmados, com extrema facilidade, incutindo uma enorme confiança, mesmo a pisar os laterais dos pneus.

Apesar da posição de condução ser um pouco mais radical do que é aconselhável para uma utilização urbana, também não tive problemas em andar diariamente no meio da cidade. Faz doer um pouco mais o pescoço, ao fim do dia, mas nem ao nível dos pulsos nem das costas e respectivo fundo, senti qualquer excesso de fadiga.

À noite, o farol dianteiro mostra as limitações naturais do seu género, não sendo extremamente potente, e mostrando um foco pouco homogéneo que, tendo em conta o espírito cafe racer, não deixa de criar um ambiente realista.

O passageiro, pode contar também com algum conforto, proporcionado tanto pelo bom posicionamento dos poisa-pés, como pelo estofo do estiloso assento que imita um monolugar, e ainda tem desculpa para se encostar bem ao condutor, para se poder apoiar no único local possível: o depósito!


Encantadores são os consumos, que o fabricante refere como sendo inferiores a 4 litros aos 100km, e que na prática não se revelaram muito superiores, apenas passando ligeiramente os 4,2 l/100km, como de costume, sem qualquer preocupação ecológica ou economicista.

Esteticamente a “XA” evoca um estilo “retro”, e a pequena carenagem que cobre o farol é disso uma prova. Mas o verdadeiro estilo das corridas de café é definido sobretudo pelo “feeling” da condução e não pelos apêndices aerodinâmicos, e aos seus comandos, tudo transmite emoções à antiga, e durante as semanas que pude desfrutar da sua companhia (sim, foi quase um teste de longa duração) me fez pensar em “juke boxes”, em “rockabillies”, em “Pin-Ups” e em muita, muita, brilhantina! 

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Suzuki SV650XA | Moto | Estrada

andardemoto.pt @ 4-9-2018 04:24:05 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira