A BMW será a primeira marca a incorporar ABS de série em toda a gama

Carlos Martins, o Motorcycle Country Manager da BMW Motorrad, explicou-nos os planos da marca alemã e revelou-nos algumas novidades em primeira mão.

andardemoto.pt @ 11-10-2012 17:51:53

Comparativamente com outros países da Europa, Portugal ainda tem poucas pessoas a escolher a mota como meio de transporte. Na sua opinião a que se deve esta situação?

Carlos Martins (CM): “ Penso que em Portugal temos uma questão histórica que ajuda a explicar a fraca adesão às motos. Apesar de um clima ameno e altamente propício à utilização de moto, em Portugal nunca houve uma verdadeira tradição de moto. A imagem de perigo que sempre foi associada ao andar de moto nunca ajudou à divulgação deste meio de transporte e o fato de não existir uma verdadeira classe média fez com que os portugueses ou não tinham qualquer meio de transporte ou tinham automóvel. Penso que essa tendência se tem alterado a par de uma maior divulgação das vantagens de usar moto.

Acredita que no futuro a mota se tornará alternativa ao automóvel?  

CM: “Penso que existem espaço para os dois. A moto já é uma alternativa ao automóvel nomeadamente nas deslocações pendulares Casa-trabalho-casa e tem ganho cada vez mais adeptos, nomeadamente após a lei das 125 e das dificuldades económicas que temos e continuaremos a sentir.

Numa empresa que fabrica automóveis e motos, sente alguma transferência de negócio de um sector para o outro?

CM: “O BMW Group tem objetivos muitos claros para os seus vários negócios. Os automóveis e as motos têm o seu lugar próprio e são tratados no seio do grupo com toda a atenção. Temos planos de crescimento e desenvolvimento para ambos para todos os produtos que passam por tecnologia, desenvolvimento sustentável e investimento em ambas as unidades de negócio. Claro que temos clientes de automóveis que compram motos e clientes de motos que compram automóveis. Para nós tem sido um valor acrescentado ter ambas as soluções. Não sentimos transferência de um produto para o outro.

Este é um dos setores que mais tem vindo a ser afetado pela crise. Que medidas têm sido tomadas para fazer face à quebra nas vendas?

CM: “A quebra de vendas tem sido inevitável nesta difícil conjuntura de mercado. Na BMW a nossa aposta tem sido desenvolver produtos diferenciados, com elevados níveis tecnológicos e economicamente viáveis, para nós e para os nossos clientes. Temos também conseguido colocar no mercado propostas de produtos que constituem oportunidades para os nossos clientes e que tornam os nossos modelos ainda mais atrativos aos olhos do público. Temos também de uma forma sustentada alargado a nossa gama de produtos o que nos permite chegar a um maior leque de clientes.

Diminuíram o preço das motas? E das peças, também têm a preocupação para que tenham um preço mais competitivo?

CM: “O preço das motos BMW tem sofrido aumentos inferiores ao da inflação anual, pelo que desse ponto de vista até temos diminuído o preço dos nossos modelos. Todos os preços, quer sejam de motos, peças, equipamentos ou acessórios são constituídos tendo por base uma noção de competitividade e sobretudo de uma boa relação preço/qualidade.”


Existem perspetivas de recuperação de mercado?

CM: “Num futuro imediato, 2012 e 2013, não me parece que sejam ano de recuperação do mercado. Todavia no médio prazo existe essa expetativa muito por influência dos recém-chegados motociclistas, fruto da introdução no mercado de clientes de motos 125 cuja esperança é que continuem no mercado de motos e o façam crescer.

O sector das motas até 125 cc tem sido um mercado em ascensão. No nosso país considera que a aposta tem tido o retorno esperado?

CM: “Sim, claramente. Dou duas perspetivas diferentes. A primeira tem a ver com a venda imediata, ou seja, os novos clientes de motos que temos em Portugal e que fizeram crescer um segmento muito específico, ou seja, o segmento das 125. No médio/longo prazo penso que este balão de oxigénio vai ter um retorno positivo para todas as marcas e para o mercado em geral com a transferência de alguns desses clientes para outros segmentos, constituindo assim uma base de sustentação deste mercado e das empresas que nele operam”.


BMW R 1200GSl

BMW R 1200GSl

*Quais têm sido os tipos de motas mais vendidas?

CM: “Na BMW o tipo de moto mais vendida continua a ser a trail, nas suas várias versões, desde a G 650 GS até à R 1200 GS. Este é por excelência o nosso meio. As Motos de turismo como a R 1200 RT e K 1600 GT continuam a ser as preferidas dos motociclistas portugueses neste segmento.

*Qual é o perfil de cliente para cada tipo de mota?

CM: “ Com o alargar da nossa gama temos no seio da nossa marca diversos perfis de clientes. Desde o cliente que compra a moto de entrada de gama e pela primeira vez experimenta a nossa marca ao cliente fiel de muitos anos. Pela nossa avaliação procuram todos um tronco comum, que tem a ver com a racionalidade da escolha, pela segurança, pelo conforto, pela fiabilidade e pelo investimento num valor seguro.

A tendência atual é de que cada vez mais os automobilistas sejam também motociclistas. Considera que ainda existe alguma resistência a esta mudança?

CM:Por natureza o ser humano resiste à mudança, pelo que neste caso não é diferente. Todavia têm chegado cada vez mais clientes ao mundo das motos quer por descobrirem o verdadeiro prazer de andar de moto, quer por constatarem que é uma alternativa confortável e economicamente mais inteligente que o automóvel para o tipo de percurso que fazem diariamente. Penso que as motos são cada vez mais encaradas por uma perspetiva economicamente racional e como uma alternativa de mobilidade diária.

Que medidas poderiam ser tomadas a nível governamental para contrariar esta situação?

CM: “Se o Governo quiser fortalecer e fazer crescer o mercado das duas rodas pode enveredar por diversas iniciativas. Umas de cariz de longo prazo como seja a educação para a mobilidade sustentada com a aposta nas motos como meio de transporte seguro e económico. No curto prazo o incentivo fiscal, quer pela dedução de parte do valor da compra, quer via IVA e ISV, pode ser uma forma de dinamizar o setor. Além disso a criação de corredores para motos nas autoestradas citadinas e a permissão de utilização dos corredores BUS dentro das cidades podem, facilmente, tornar a moto ainda mais atraente para a mobilidade urbana.

Que vantagem apresenta a vossa marca em relação aos concorrentes?

CM: “Quem compra uma BMW sabe que compra tecnologia, segurança conforto e valor seguro. Apresentamos todas estas vantagens a uma relação preço/qualidade superior.”

Quais são os principais fatores que podem prejudicar os planos de crescimento da marca: a concorrência ou o cenário económico?

CM: “Ambos. Quando estamos num mercado global com forte concorrência ambos os fatores influenciam a nossa prestação. Com as nossas atuais propostas e com as novidades que vamos apresentar num futuro próximo acreditamos que estamos bem preparados para enfrentar a concorrências e os desafios de uma situação económica complexa.

Qual a sua avaliação do mercado de motos de mais de 125cc?

CM: “É um mercado com potencial de crescimento. A lei das 125 veio trazer para o universo moto ciclístico muitos clientes novos e alguns que tinham deixado de andar de moto. Por esse facto, o potencial de mercado é animador pois contamos que alguns desses recém chegados continuem no mundo das motos por muitos e bons anos.”.

Quais são os requisitos mais procurados numa mota?

CM: “Essencialmente penso que a generalidade dos clientes procura boa relação preço/qualidade. Mais concretamente, e no cenário atual, procuram economia de utilização e versatilidade. Nas gamas mais altas os nossos clientes procuram performance, conforto, fiabilidade e segurança.

Quais são os planos da marca para um futuro próximo?

CM: “A marca pretende continuar a reforçar as suas características base oferecendo produtos de excelente qualidade a preços competitivos. Esse tem sido o segredo do nosso sucesso e vamos continuar a apostar nessa direção. Numa perspetiva mais objectiva, pretendemos continuar a crescer, alargando a nossa gama e fazendo crescer o nosso leque de clientes, oferecendo produtos de qualidade, racionais e repletos de tecnologia.

Planeiam expandir os concessionários?

CM: “A rede de concessionários é, sem dúvida, um dos factores de sucesso da nossa marca em Portugal. Temos uma rede sólida e uma excelente relação de parceira. Estamos sempre muito atentos à nossa rede de retalho e, atualmente, consideramos que temos uma rede adequada aos atuais, e futuros desafios, que a marca nos apresenta.

A marca está implementada em vários países, em que medida o público português é ou não diferente dos outros? O que nos distingue na altura de comprar mota?

CM:O público português não é especialmente diferente do restante público europeu. Todos procuram na nossa marca a fiabilidade, segurança e tecnologia que nos caracteriza. Em alturas economicamente mais difíceis o público procura melhores oportunidades de compra, campanhas e serviços adicionais.

Quais são as novidades BMW Motorrad para 2013?

CM: “Para 2013 temos a comercialização da já apresentada R 1200 GS, o maior ícone da BMW Motorrad, temos igualmente a apresentação da S 1000 RR HP4 que é uma versão tecnologicamente mais desenvolvida da versão base da S 1000 RR e ainda outras novidades que ainda não podemos divulgar.

Neste momento quais as campanhas que têm a decorrer?

CM: “Em resposta à difícil situação que todos atravessamos tem sido nossa preocupação proporcionar oportunidades vantajosas aos nossos atuais e futuros clientes. Neste momento temos campanhas baseadas na oferta de acessórios para a moto e de excelentes condições de financiamento que chegam a ser de 0% de juros.

Têm adoptado algumas medidas específicas na concepção de novos modelos, face à subida dos combustíveis? Tem havido uma maior aposta no desenvolvimento de motas eléctricas ou híbridas?

CM: “Uma vez que é característica da BMW Motorrad a procura de soluções tecnologicamente avançadas, temos tido a preocupação de tornar as nossas motos o mais eficientes possível no consumo de combustível. No capítulo das motos eléctricas, temos atualmente em estudo a introdução dessa tecnologia através das nossas scooters, nomeadamente da C Evolution.

Quanto às motas elétricas, a sua autonomia tem sido melhorada, mas considera que é uma boa compra para que tipo de consumidor?

CM: “As motos elétricas são uma excelente solução para quem efetua percursos pendulares de curta extensão, preferencialmente urbanos e com acesso à rede de eletricidade. Esses são os clientes indicados para a solução elétrica de duas rodas. Ainda não é para todos os motociclistas, mas sem dúvida que pode ser um excelente solução para alguns deles, ou para utilizações específicas dos nossos clientes."

De que forma a marca exerce sua responsabilidade social perante seus consumidores no sentido da segurança rodoviária?

CM: “Um dos pontos fortes da BMW Motorrad é a segurança. Prova disso foi a introdução do ABS pela primeira vez numa moto. Continuamos apostados em desenvolver tecnologia virada para a segurança dos nossos clientes. Vamos registar mais um marco em prol da segurança ao ser a primeira marca no mundo a incorporar o ABS de serie em toda a nossa gama.

andardemoto.pt @ 11-10-2012 17:51:53

Galeria de fotos


Clique aqui para ver mais sobre: Reportagens