Teste Pneus Michelin Road 5 - Em seco e molhado, elevar a performance para outro nível

Apresentados nestas páginas em finais do ano passado, e disponíveis no nosso mercado desde o princípio de 2018, tivemos agora oportunidade de testar os novos pneu da marca de Clermont-Ferrand

andardemoto.pt @ 27-2-2018 03:32:40

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Apresentando-se como uma evolução dos consagrados pneus Pilot Road 4, que em pouco mais de 4 anos, desde o seu lançamento e até agora, venderam mais de milhão e meio de unidades, e que vão permanecer no catálogo da marca, os novos Road 5 da Michelin são o nível acima em termos de performance, tanto em piso seco como em piso molhado.

Para os novo pneus, a marca francesa afirma que a sua longevidade será sensivelmente a mesma da geração anterior, mas o comportamente em molhado não irá sofrer qualquer degradação ao longo de toda a vida útil do pneu.

As características que um pneu deve ter para garantir um bom desempenho em piso seco, não são as mesmas necessárias para assegurar um bom desempenho em piso molhado. E o inverso também se verifica. Por outro lado, o pneu dianteiro enfrenta desafios completamente diferentes do pneu traseiro.

Disso resulta que o fabrico de um pneu de estrada é sempre um compromisso que garanta um desempenho mais equilibrado em ambas as situações. 

Ao longo dos anos da história do motociclismo, o pneu foi um dos componentes que mais evoluiu, e um dos principais responsáveis tanto pela diminuição da sinistralidade, como pelo aumento significativo das prestações dinâmicas de qualquer moto.

Para garantir um bom desempenho, há sobretudo 3 factores que consomem, a todos os fabricantes, intermináveis horas de investigação e desenvolvimento, além de um orçamento avultado em recursos materiais e financeiros.

O primeiro desses factores é a chamada “carcaça”, a base feita numa malha grossa, composta por diversos materiais, tecida de diversas formas e com diversas camadas, sobrepostas ou não, em diversas direcções, cruzadas ou perpendiculares, que vai servir de “cama” à mistura flexível vulgarmente chamada de “borracha”.

Da sua estrutura resulta o comportamento em termos de estabilidade tanto em recta como em curva, ou a alta velocidade. Suporta as cargas de peso, da travagem e da aceleração, e ainda garante um contacto perfeito do pneu com a jante, mesmo em caso de forte impacto.


O segundo é precisamente a “borracha”, que é composta por diversos materiais elásticos, e não só, que forma a superfície de contacto com o piso. Na sua composição destaca-se a utilização de sílica, que aumenta a longevidade e melhora a aderência em piso molhado, e os elastómeros, normalmente misturados sob fórmulas secretas, que se moldam ao piso seco para conseguir níveis de aderência superiores.

A tecnologia “Dual Compound” ou bicomposto, que recorre a borracha mais macia nas extremidades da faixa de rolamento e uma borracha mais rija na faixa central do pneu é cada vez mais utilizada.

O terceiro elemento são as ranhuras que, desenhadas na faixa de rolamento, e que permitem o escoamento de água acumulada para promover um contacto efectivo do pneu com o asfalto e evitar a perda de aderência. A sua função consiste em primeiro cortar a película de água, para evitar o efeito de “aquaplaning”, conseguindo que a borracha permaneça em contacto com o asfalto, e também evacuar a água que fica entre o pneu e o asfalto.

À medida que o pneu se vai desgastando, e as ranhuras vão ficando mais pequenas, diminui a capacidade de escoamento da água, o que consequentemente diminui a aderência.

Por isso a Michelin emprega nestes novos pneus Road 5, os sucessores dos Pilot Road 4, uma tecnologia pioneira no fabrico de pneus para motociclos, para criar sofisticadas ranhuras de escoamento da água.
  
Trata-se de uma nova técnica de que recorre à impressão metálica 3D, e que por adição de partículas permite criar os moldes sofisticados e complexos que desenham os rasgos inovadores dos pneus Road 5.

Estes rasgos, na nova versão da tecnologia XST, agora denominada XST-Evo, são uma combinação de estrias e reservatórios que aumentam a capacidade da borracha para com as estrias cortar a película superficial da água, e com os reservatórios (existentes no interior da mancha de contacto) acumular e escoar a água existente entre o pneu e o asfalto, garantindo assim um perfeito contacto e uma elevada aderência.


No caso concreto da tecnologia XST Evo, as estrias e os reservatórios têm um formato cónico, com a base mais larga para o lado interior da roda, o que permite, à medida que o desgaste da borracha se vai efectivando e as estrias perdem altura, o caudal de evacuação da água se mantenha idêntico, devido à maior largura.

O efeito funciona de tal forma que, os testes que foram mostrados à comunicação social presente no evento organizado pela marca para esta apresentação do Road 5, em que o andardemoto.pt esteve presente, concluíram que, um pneu em meio uso, equivalente a 5.000 quilómetros de rolamento, consegue assegurar uma performance equivalente à de um pneu Michelin Pilot Road 4 completamente novo, nas mesmas condições.

Em curva, os novos Michelin Road 5 beneficiam também desta tecnologia, mas por outra razão.  As estrias do pneu traseiro, que na sua construção “bicomposto” 2CT+ apresenta uma mistura mais rígida na zona central e uma mais macia na zona exterior, estão circunscritas a uma área específica do pneu, para garantirem um compromisso optimizado tanto em asfalto seco como em asfalto molhado. 

Por isso as estrias estão colocadas sobre a zona central do pneu, alargando-se apenas até à zona equivalente a 30º de inclinação, valor máximo geralmente conseguido em asfalto molhado, sendo que a partir dessa inclinação, a borracha mais macia não tem rasgos, fortalecendo a zona do “talão” do pneu, proporcionando uma maior aderência em seco, e estabilidade a alta velocidade.


Neste Teste, tive a oportunidade de me fazer à estrada com duas motos equipadas com os Michelin Road 5. Ambas a calçarem a mesma medida de pneus, 120/60-17 e 190/55-17, e ambas a debitarem valores de binário avassaladores, tanto a KTM Superduke GT como a Aprilia Tuono 1100RR são muito exigentes em termos de pneus.

Mas os Road 5 não se deixaram intimidar e as estradas das serras a norte de Sevilha, com a sua grande diversidade de asfaltos, e diversidade de degradação, formam um cenário perfeito para se poder avaliar o comportamento dos pneus.

Em ritmos rápidos, e sendo inclemente com o acelerador, confiando no sistema de controlo de tracção regulado para níveis de intervenção muito pouco intrusivos, os Road 5 mostram um comportamento bastante consistente, sendo muito previsíveis na chegada ao limite, e os níveis de confiança que proporcionam na direcção, devido à boa “leitura” do asfalto, são bastante elevados. Destacam-se também na travagem e na suavidade de rolamento.

Depois de uma manhã em estrada, ao cabo de mais de 140km de curvas, foi hora de entrar em pista assistir aos diversos “workshops” que os técnicos da marca tinham preparado para os jornalistas. Os mais impressionantes foram os testes em circuito molhado.

No traçado do circuito de Monteblanco, com a pista bem regada e duas motos diferentes para teste, os diversos ganchos, obstáculos e pontos de travagem, conseguiram provar que o desempenho destes novos pneus está muito para além da necessidade e da coragem da esmagadora maioria dos motociclistas. Sim, o piloto de teste que nos acompanhava conseguiu provar que mesmo a “crème de la crème” da imprensa especializada europeia, não passa de “meninos”. 


Fica-me na memória o excelente desempenho sob travagem em piso molhado, numa desacelaração dos 110 para os 10 km/h, sobretudo nos ensaios que fiz com a nova Triumph Street Triple RS que, equipada com os Road 5, os punha à prova sob o efeito dos dois discos de travão de 310mm, mordidos por pinças Brembo M50 de 4 pistões, e que parecia que estava a travar em piso seco.

Isto por comparação com a outra moto disponível para o teste, a Yamaha MT-10, equipada com os mesmos pneus, e que devido à menor dosagem da travagem e ao maior peso, fazia com que o ABS actuasse cedo demais, aumentando demasiado a distância de travagem.

Para acabar o dia, ainda foi possível rodar em circuito com a Ducati Supersport e com a BMW S1000XR, não para fazer tempos, mas para poder avaliar a capacidade de travagem, usando a vantagem do “cornering ABS” e do controlo de tracção, para ver até onde é que os Road 5 aguentavam.

Claro que o resultado final foi um sorriso de orelha a orelha, ou a filosofia dos “Road 5” não fosse a de ser um pneu de estrada, que também serve muito bem para uns “track days”.

Medidas disponíveis:

Para mais informações sobre os índices de velocidade e carga clique aqui

Os pneus Trail nas medidas 120/70-19 e os 170/60 -17 só estarão disponíveis a partir de Junho 2018

A Michelin promoveu um teste comparativo com a concorrência directa, assistido por uma entidade independente, e reclama resultados superiores. Abaixo fica um resumo.

andardemoto.pt @ 27-2-2018 03:32:40


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