Teste: Capacete Schuberth C4

Um capacete modular, polivalente, que é uma referência em termos de conforto e praticidade

andardemoto.pt @ 13-5-2018 19:26:46 - Texto: Rogério Carmo

Começo já por dizer que sou um fã incondicional da Schuberth. Nos últimos anos fiz muitos quilómetros com diversos modelos deste fabricante alemão, cuja produção é integralmente feita na Europa, sempre sem qualquer problema. Comecei com o C3, que usei durante mais de 3 anos, depois passei para o C3 Pro, que usei durante quase 4 anos, e recentemente rendi-me ao C4, como provavelmente tem visto em diversos testes que tenho feito a diferentes motos. 

Uso-o numa base quase diária, e vou-o alternando com outros capacetes de outros géneros e marcas. Posso afirmar que estou bastante satisfeito com o seu desempenho.

Normalmente recomendo-o, mas no entanto, tenho perfeita consciência que um capacete é uma escolha muito pessoal, e que o conforto e satisfação que proporciona depende de diversos factores que vão de preferências pessoais ao formato do crânio de cada um. Isto para dizer que, quando pretender escolher o seu capacete, deve experimentar sempre mais do que um, e avaliar bem alguns parâmetros detalhados noutro artigo anteriormente publicado (clique aqui para ver).

Pelo seu preço e correspondente nível de acabamento e qualidade de construção, o Schuberth C4 é indiscutivelmente um capacete topo de gama, de formato clássico, muito discreto, que se adapta perfeitamente a diversos estilos.

A calota exterior é fabricada em fibra compósita, e o seu acabamento em termos de pintura e verniz é irrepreensível, mostrando-se mais resistente aos riscos que as versões anteriores. A zona da nuca é relativamente elevada, pelo que não transtorna quando se utilizam casacos com golas mais volumosas, ou “Hoodies” por debaixo do blusão, mesmo quando, como é o meu caso, o motociclista tem um pescoço curto.

Os forros interiores, removíveis, em têxtil altamente técnico que é anti-bacteriano, lavável e de rápida secagem, são extremamente agradáveis ao tacto, mesmo quando completamente ensopados de transpiração, coisa que em andamento normal não acontece, mas que, durante as sessões de fotos ou durante algumas incursões fora de estrada mais trabalhosas, é suposto acontecer! A parte central não apresenta costuras, já que é soldada a ultra-sons, o que além de a tornar mais higiénica, ainda promove uma melhor ventilação. 


As entradas de ar são fáceis de abrir e fechar, mesmo com as luvas calçadas. A abertura e o fecho da ventilação da queixeira faz-se com apenas um toque, injectando ar na zona do nariz e sobrancelhas, e a do cimo da calota tem duas posições de abertura, para mais ou menos caudal de ar a passar pelo topo da cabeça.

A viseira interior solar, escamoteável, de alta qualidade, que não provoca distorções, e que está disponível como opcional em diversas cores., tem o accionamento feito por uma muito acessível patilha deslizante, operada com o polegar esquerdo, que conta com um limitador para evitar que toque nos narizes mais proeminentes.

A viseira exterior é ampla, pelo que além de muita luminosidade, proporciona ainda uma grande ângulo de visão, bastante maior que o da sua concorrência mais directa, sendo um dos factores que mais me agrada no C4, sobretudo quando circulo na cidade, onde os olhos têm que estar atentos, e assim me confere uma maior visão periférica.

Também me agrada bastante o facto de poder abrir a viseira, facilmente, com apenas uma mão, seja a direita ou a esquerda. Seis posições de abertura intermédia são possíveis, mas a partir de uma certa velocidade, que depende da protecção aerodinâmica da moto, ela tem tendência a fechar-se sozinha.

Antes disso, quando aberta, e a velocidades acima dos 50km/h, o seu grande tamanho cobra dividendos sob a forma de elevada vibração, sendo quase obrigatório fechá-la mesmo. A sua estanquidade é elevada, mesmo sob grandes dilúvios, e quando se abre a viseira, ou se levanta a queixeira, dificilmente entra água para o interior do capacete.

O sistema de anti-embaciamento da viseira, das unidades mais antigas, tinha algumas falhas, mas foi entretanto substituído por um “Pin-Lock” original.

Para limpar a viseira o melhor mesmo é removê-la, já que o sistema de encaixe e fixação é um dos mais práticos do mercado, conseguindo fazer-se a operação de remoção e colocação em escassos segundos.



O seu formato aerodinâmico, apurado em túnel de vento, torna-o bastante silencioso e estável a alta velocidade, mesmo quando é necessário virar a cabeça para olhar para os lados. Como todos os outros capacetes, é extremamente sensível à turbulência causada pelos ecrãs das motos, que se transforma em mais ou menos ruído, consoante o caso. Ainda assim, e mesmo sem considerar que o C4 é um capacete modular, ele é um dos capacetes mais silenciosos do mercado.

Não sendo o pouco peso necessariamente uma coisa boa, não se pode dizer que o Schuberth C4 é um capacete leve. No entanto, a diferença para a concorrência é praticamente nula, mas  a grande vantagem que assiste ao C4 é o seu grande equilíbrio, que na prática o torna muito mais leve do que à partida pode parecer. E há ainda que referir que vem de fábrica pré-equipado com auscultadores, antena e microfone, pronto para receber o sistema de intercomunicação específico, opcional, SC1, que, quando instalado e com a bateria incluída, perfaz um peso de aproximadamente 1700g.

Relativamente ao C3 Pro, o sistema de abertura e fecho da queixeira foi revisto, sendo agora ainda mais fácil de abrir e fechar com apenas uma mão. O C4 foi concebido para ser usado em andamento com a queixeira fechada, não tendo, por isso, homologação “J” nem o inerente sistema de tranca da queixeira para que esta não se possa mover e eventualmente bloquear o campo de visão do motociclista.

O sistema de aperto, cuja cinta está completamente embutida no forro interior, oferecendo um excelente conforto mesmo depois de muitas horas de condução com vento, conta com um fecho rápido, micrométrico, semelhante ao das anteriores versões, mas conta com uma prática patilha de tecido que torna a operação de desaperto muito mais fácil, mesmo com luvas grossas calçadas.

Ao fim de quase um ano de utilização, nenhum dos seus componentes metálicos apresenta qualquer sinal de oxidação, um dos incompreensíveis defeitos das versões anteriores. As molas de fixação das almofadas laterais também se mantêm com um aspecto impecável. 

Não posso ainda deixar de referir o facto de os capacetes Schuberth estarem abrangidos por uma garantia de 5 anos, que inclui substituição, por um preço muito reduzido, em caso de acidente. Clique aqui para saber mais detalhes.

Pode clicar aqui para consultar todos os pontos de venda Schuberth em Portugal.



andardemoto.pt @ 13-5-2018 19:26:46 - Texto: Rogério Carmo