Miguel Oliveira - o “nosso” piloto em entrevista
O ano de 2017 em revista e os planos para o futuro, tudo na primeira pessoa, pelo mais bem sucedido piloto de velocidade do motociclismo português.
andardemoto.pt @ 17-12-2017 16:05:58
2017 foi um ano que serviu sobretudo para muita aprendizagem... 2016 também foi um ano importante; não me quero esquecer desse ano porque foi quando tive de me habituar a uma categoria nova e abraçar desafios que me fizeram crescer enquanto piloto, sobretudo no que à regularidade diz respeito, e cujas lições transportei para 2017, facto que me levou até à terceira posição do campeonato.
Mesmo a fazer às vezes 4º, 5º e 6º lugares, que por vezes podiam ter sido melhores, mas esses resultados mais medíocres que me permitiram pontuar constantemente, e foi isso que no final do campeonato se traduziu numa terceira posição.
“se os outros pilotos me consideram ou não candidato ao título é-me completamente indiferente!”
Logo no principio do ano, percebi que na KTM tinha algo de muito diferente. Em primeiro lugar, voltar a uma equipa em que eu sabia ser tudo mais profissional, ter pessoas ao meu redor que eu sabia estavam a trabalhar para mim, que me iam direccionar e dar-me as ferramentas que eu necessitava para evoluir enquanto piloto.
O Miguel de 2016 não é o mesmo do final de 2017. Evolui muito enquanto piloto, aprendi várias coisas novas e foi graças à equipa, ao “staff” técnico, que eu hoje sou esse Miguel. No início da época a moto era completamente protótipo, por exemplo, levávamos 10 minutos a trocar o amortecedor traseiro em vez dos 3 minutos que demora agora, as carenagens não encaixavam bem, era uma moto muito mais difícil de conduzir, vibrava muito, enfim, só não foi um balde de água fria porque estava na equipa certa para evoluir a moto, mas nem tudo foram rosas...
Foi uma melhoria passo a passo, houve vários aspectos que me faltavam para ganhar uma corrida, julgo que sensivelmente a meio do campeonato, em Junho... lembro-me que foi na corrida de Assen que liderei pela primeira vez uma prova de Moto2, já tinha feito uma “pole position” antes, mas em condições não ideais, uma “pole” duvidosa a meu ver, mas ainda assim, fomos progredindo passo a passo, e quando realmente tudo se juntou, foi o culminar de 3 vitórias seguidas que não deram hipótese aos meus adversários...
O Miguel de 2016 não é o mesmo do final de 2017. Evolui muito enquanto piloto, aprendi várias coisas novas e foi graças à equipa, ao “staff” técnico, que eu hoje sou esse Miguel.
Foi uma fase que coincidiu com o facto de a moto também estar muito bem, não teve a ver com nenhuma peça em particular, nenhum braço oscilante, nenhum aspecto técnico da moto que tivesse mudado, porque a moto permaneceu exactamente igual desde a Catalunha, recebendo apenas pequenas alterações, e por isso refiro, nada que tivesse a ver com o chassis.
Fisicamente houve pequenas coisinhas que se alteraram, o que numa categoria de Moto2 faz muita diferença, e a diferença de que falo são as duas décimas por volta que eu tive de conquistar ao Morbidelli nas últimas voltas em Valência para o apanhar. São essas diferenças que por vezes, em teste, tornam difícil perceber se a moto está melhor ou não, porque a performance em si não a retiramos no tempo por volta, mas sim ao longo de 20 voltas até chegar à frente dos outros!
O Morbidelli dizer que se começou a preocupar quando viu na placa a dizer que vinha aí o Oliveira foi simpático e genuíno, porque ele já tinha referido que eu era um sério candidato às vitórias muito antes, não foi só em Valencia... algumas corridas atrás já tinha dito que se preocupara a sério comigo, mas também se colocou numa situação em que, no campeonato, não tinha muito para arriscar, não tinha com que se preocupar, nalgumas alturas poderia até ter cedido a posição, enfim... podia ter sido mais cauteloso em certas alturas mas não foi, faz parte do estilo dele, da forma dele abordar as corridas, e arriscar sempre...
"sabia que da próxima vez que chegasse ao pé do Morbidelli tinha de o ultrapassar, sim ou sim, porque não tinha nada a perder!”
Aquela ultrapassagem ao Morbidelli, surgiu de um planeamento estratégico que eu tive de fazer, numa análise de erros que tinha cometido antes. Na Alemanha, por exemplo, passei metade da corrida atrás dele e quando o quis ultrapassar já era tarde. Aprendi com esse erro e sabia que da próxima vez que chegasse ao pé do Morbidelli tinha de o ultrapassar, sim ou sim, porque não tinha nada a perder.
Em Valência já tínhamos uma distância suficiente do terceiro para podermos ficar ali em luta, durante 4 ou 5 curvas, que era o que eu, sinceramente, estava à espera... mas ultrapassei num sítio onde não deixei muito espaço para ele sair, e felizmente era uma direita dupla, portanto dava margem suficiente para eu o deixar sem espaço nenhum para qualquer resposta na curva seguinte... A partir daí, foi o Miguel de Phillip Island e o Miguel da Malásia: impus o meu ritmo para cavar aquela pequena distância...
É difícil falar na moto de 2018. Eu sei que deixei os treinos de Jerez com a volta mais rápida de sempre em Moto2, mas as decisões que eu tomei face à moto de 2018 foram baseadas sobretudo em subjectividade, num “feeling”. Algo muito relativo... porque de facto, ao cronómetro, ou na telemetria, não houve nada de muito evidente que pudesse ajudar-nos a tomar uma decisão, ou dizer “sim, isto é muito bom” ou "não, isto é para descartar"!
Neste momento é também um facto que não conseguimos encontrar meio segundo de diferença com apenas um novo componente técnico, é muito difícil... estamos a falar de circuitos de teste muito rodados, nos quais temos muitas voltas e muita informação. A moto é aquela que temos, portanto se quisermos testar muitas coisas é fácil encontrar um componente que não seja válido ou que seja mais eficaz, mas não há uma diferença significativa numa diferente biela da suspensão ou num braço oscilante, simplesmente porque não existe...
"há muitos pilotos que vão dar grandes dores de cabeça, e alguns poderão aparecer numa corrida ou outra em 2018, mas depois não vão ter regularidade...”
Eu sei que existe uma lista de supostos candidatos ao título, e naturalmente insiro-me nela porque é para mim um objectivo pessoal, ser campeão em 2018, mas não estou a pensar quem virá em segundo ou terceiro, há muitos pilotos que vão dar dores de cabeça grandes, há uns que poderão aparecer numa corrida ou outra mas depois não vão ter regularidade, não vão ser ser constantes, portanto... é algo em que sinceramente não estou a pensar...
Esta temporada fiz algo que se revelou importante, que foi não pensar nos outros. Tinha uma moto nova, que tinha de desenvolver para ser competitiva em 2018, e acabou por sê-lo toda a temporada, apesar de ter estado sempre muito focado em mim mesmo, o que resultou meu favor. E em 2018 será igual...
Houve uma significativa mudança física na moto a partir de Barcelona, numa suspensão mais flexível, com tubos mais flexíveis e isso ajudou-nos bastante... Que mais?... Logicamente, alterações aerodinâmicas, tivemos toda a temporada uma condicionante que era a refrigeração da moto, que aquecia muito facilmente, e a partir dos 85º C perdíamos sensivelmente um cavalo por cada 5º de aumento, e quando a moto passava dos 95 graus, considerando que é uma categoria em que os motores são todos iguais, sensivelmente com 130 cavalos de potência, perder 2 cavalos é uma desvantagem notável...
No entanto conseguimos funcionar bem a partir da Malásia. Retirámos alguns apêndices aerodinâmicos que tinham sido usados até essa altura, perdemos um bocadinho de velocidade de ponta, mas ganhámos na refrigeração correcta. Aparte disso foi o afinar da moto em si.
Eu passei o final de temporada a chegar aos circuitos com um “setting” base já muito competitivo, e isso permitia-me a partir do primeiro treino livre concentrar-me no aspecto técnico de conduzir a moto no circuito... houve uma ou outra sexta feira mais complicada, pois partir de certa altura os circuitos que visitávamos eram todos novos.
“o Brad ajudou porque criar tensão dentro da boxe é o que nos leva a superar-nos a nós próprios, e isso é positivo”
Aparte disso, tecnicamente a moto não alterou muito... basicamente focámo-nos nas bielas, e soluções que permitem trabalhar o amortecedor de forma diferente. A ausência do Brad Binder, por lesão, acabou por não fazer diferença. Porque tivemos o Rick Cardus como piloto de testes, a continuar um exigente programa de desenvolvimento, e o Ricky foi uma ajuda importante para que a moto chegasse a um nível competitivo o mais rapidamente possível...
O Brad veio reconfirmar as coisas que eu ia experimentando, às vezes com comentários ligeiramente diferentes, mas tudo ia bater certo, e no final do Campeonato revelou-se até uma grande ajuda em termos de motivação até mesmo para mim, pois ter um companheiro de equipa mais próximo e até por vezes à frente, termos de equipa é bom... cria a tal tensão dentro da boxe que nos leva a superar a nós próprios. Ele vai também ser um candidato ao título em 2018.
A condução de uma Moto2 acaba por ser mais espectacular, porque, ao contrário de uma MotoGP (uma Moto 3 é raro ver-se a derrapar) não tem nada que controle a derrapagem, temos que ser nós mesmos, com o travão, a tentar parar o mais rapidamente possível, e a derrapar apenas a quantidade certa para entrar em curva...
Se houve um momento em que passamos de uma atitude de desenvolver a uma de obter resultados? Boa pergunta... Talvez logo a seguir a Silverstone. Acabámos por simplificar as coisas. A equipa técnica disse-me que a moto ia ser aquela até final do ano, não valia a pena estar a mexer muito. Assim a ronda asiática seria muito importante no aspecto técnico de terminar as corridas e ganhar experiência, porque se queremos lutar pelo título, essas eram 3 corridas super-importantes. Por isso não mexemos muito na moto, apenas a nível de “settings”, mas isso foi a nível psicológico algo que também me tranquilizou, fui apenas com o objectivo de fazer os melhores resultados possíveis.
O teste da MotoGP não me ajudou em nada na Moto2. As motos são tão completamente diferentes a nível de condução!
A MotoGP dá a sensação de se estar dentro de uma máquina de lavar, isto sem eu nunca ter estado dentro de uma, mas imagino que seja um bocado parecido... Não se tem noção, ou é difícil ter-se a noção, do que é andar numa MotoGP... 270 cavalos para 150 Kg de peso, talvez 230 Kg de massa total com moto e piloto. É um impacto brutal que se sente. Os travões em carbono, nem sei o diâmetro mas é quase o tamanho da roda da frente, basta travar com um dedo e aquilo pára mesmo...
São sensações muito diferentes e vai requerer também uma habituação. Julgo eu quando chegar lá, - e espero chegar brevemente - que deve ser uma categoria difícil de adaptação... Há muitos aspectos a nível de electrónica que, quanto mais invasiva for, mais o piloto está limitado a nível de tempo por volta. A velocidade, a entrega de potência a moto limita-nos muito quando desliza, pelo que será uma adaptação complicada, mas não impossível, porque neste teste, inclusivamente, consegui ser bastante competitivo!
Em relação à Kalex do ano anterior, a diferença de entrar na KTM foi brutal, especialmente por o meu chefe dos mecânicos ter trabalhado antes por duas vezes com o Campeão Mundial de Moto2, e toda essa informação que ele tinha, basicamente passou directamente para mim. Os dados todos do Zarco, durante a temporada foram comparados com os meus, e só por isso a diferença é brutal. Tinha sempre uma referência!
Depois, a nível de estrutura, estar envolvido com parceiros como a Red Bull e a KTM, parceiros sérios que têm uma intenção muito positiva em relação ao desporto motorizado, é preciso referir que a KTM, em conjunto com a Red Bull, tem um projecto de formação de pilotos que vai da “Rookies Cup” à MotoGP havendo uma linha contínua para uum miúdo que, com 13 anos, consegue entrar na “Rookies Cup” e aspirar à MotoGP. Eu já passei por todas elas, falta agora a MotoGP...
“nos dias maus vou contentar-me com um ou sexto ou sétimo lugar, sem deitar nada por terra – literalmente! – por que é assim que se ganham campeonatos!”
Gostava de ter uma estratégia para 2018, mas é difícil. O importante é não construir expectativas, porque as expectativas defraudadas alimentam a desilusão e, como disse, focar-me apenas em mim mesmo, sem esperar nada, teve uma vantagem em 2017. Por isso em 2018 quero entrar com a mesma mentalidade. Sei que sou um candidato ao título, mas não há nada garantido, portanto vou entrar focado...
Todos começam com zero pontos, quem chegar ao final com mais, ganha o Campeonato... e esse é o meu objectivo, precaver-me nos dias maus, em que a vitória seja impossível, contentar-me com um ou sexto ou sétimo lugar sem deitar nada por terra – literalmente! – porque é assim que se ganham campeonatos.
Os meus pontos fortes… isso é difícil de responder! Talvez seja uma certa capacidade de manter a calma, mesmo quando imensos pilotos ultrapassam com entusiasmo, para depois acabarem na curva seguinte. Consigo ler os adversários muito bem, não sei bem como, mas prever o desenvolvimento da corrida, e também sei ver que a corrida é longa, e sei poupar um bocadinho os meus pneus, que é algo que é muito difícil de fazer... E tudo isso joga a meu favor, porque no final consigo fazer sempre boas recuperações...
Os anteriores campeões Moto2 que passaram à MotoGP... Não queria comparar o Tito Rabat com o Zarco. A nível técnico o Zarco é um piloto bastante superior, não tirando mérito ao Tito. O Tito foi Campeão com muito trabalho, é o exemplo de que, com muito trabalho se atingem os objectivos... Mas o Zarco é um piloto que soube esperar pelo momento certo, e pela moto certa, e isso foi algo que o Tito não fez... Julgo também que não tivesse tido muitas hipóteses, a aceitar entrar com uma moto satélite...
O Jack Miller teve também esse problema, devido à moto competição-cliente Honda, que é sempre uma moto na minha opinião, bastante inferior às restantes... já o Zarco, teve uma moto cliente da Yamaha, que é uma moto muito competitiva, ele andou com a moto do Viñales, que foi vencedora das duas primeira corridas do ano, e andou com ela até Valencia. Este ano, temos outros dois exemplos de pilotos da Moto2 que passam à MotoGP muito rápidos, muito talentosos, que são o Luthi e o Morbidelli. Vamos ver como corre...
2018 será o meu terceiro ano na KTM, com pilotos que descem da MotoGP, como o Barberá e o Lowes e com novos da Moto3 como o Mir e o Fenati. Vai ser uma época mais emocionante... o que eu acho uma coisa boa. Traz mais emoção às corridas, é mais aliciante a luta pelas posições entre 3 ou 4 pilotos, que apenas entre 1 ou 2... Realmente, os testes indicam muito pouco, vamos ver depois em condições de corrida, mas julgo que dos que se juntam à categoria, talvez o mais forte em luta pelas posições cimeiras possa ser o Joan Mir, tal como foi o Francesco Bagnaia nesta temporada.
Quanto ao Viñales... passou por equipas muito diferentes, que lhe deram oportunidades também muito diferentes... eu em 2016, tive a época que tive, e em 2017 parecia um piloto completamente diferente. Este é um desporto individual em que o piloto conta muito, mas quem está ao redor dele, a equipa e a moto, também contam muito... ele teve oportunidades diferentes das minhas e chegou lá mais cedo do que eu!
“o Ronaldo pode ser o maior jogador de futebol do Mundo, mas não faz tocar muitas vezes o hino nacional!”
O desporto motorizado é muito consensual, é fácil de entender... quem chega em primeiro ganha, não há "rankings" nem pontuações complicadas, e há um leque enorme de fãs que seguem o Miguel Oliveira, desde os pequeninos que ainda mal conseguem falar, a pessoas mais idosas. Abrange uma faixa etária enorme porque todos vibram da mesma forma... e quando toca o hino é muito emocionante. O Ronaldo pode ser o maior jogador de futebol do Mundo, e a meu ver é, mas não faz tocar muitas vezes o hino nacional, e eu já o fiz tocar 9 ou 10 vezes...
E naquele momento da vitória, todos os portugueses vibram, e talvez por essa empatia emocional tenho cada vez mais adeptos. Consigo transparecer cada vez mais cá para fora aquilo que eu sou enquanto pessoa, e não tanto como piloto, e acho que as pessoas acatam isso de forma positiva..
De resto, ser português nunca me causou embaraços, pelo contrário, tenho muito orgulho nisso... Talvez seja uma desvantagem nalguns aspectos, mas por outro lado tenho a sorte de ser o único português no campeonato do Mundo, o que traz um apoio muito mais massivo do que se tivesse de repartir o sucesso com outro compatriota!
Ainda posso andar nas ruas sem ser reconhecido, mas quando alguém me aborda, é sempre um prazer para mim parar e tirar uma foto... eu trabalho com um capacete, portanto, se conhecem a minha cara, é bom sinal!
Estou confiante para o próximo ano. A KTM investe para ganhar, se alguma coisa não estiver em conformidade, se o objectivo não estiver a ser cumprido, vai-se fazer o que for preciso... por isso, independentemente de ser o último ano do motor Honda, vão investir o que for preciso para vencer.
2019 (n.d.r: os motores Honda serão substituídos pelos motores Triumph em Moto2 - clique aqui para saber mais), naturalmente, será um ano que se vai começar a preparar cedo, mas é algo completamente alheio a 2018, até porque a KTM quer angariar clientes, e para isso é preciso que consiga bons resultados...
Neste momento o meu programa de exercício físico está parado desde o fim do campeonato, sobretudo para poder recuperar a clavícula lesionada, facto que torna treinar altamente complicado...
Em resumo, o ano de 2017 foi muito positivo. Fui muito regular em todas as corridas, apenas não terminei duas, e tive poucas quedas, apenas três ou quatro, o que face às 30 quedas do Marquez não é nada! E foi um ano de aprendizagem muito positivo, com 3 vitórias e um terceiro lugar no final do campeonato...
Passar de nem sequer ser considerado, a ser candidato ao título mundial, em 2018, muda totalmente a perspectiva das coisas, mas para mim, se os outros pilotos me consideram ou não candidato ao título é-me completamente indiferente...
Para o ano vou correr na mesma moto, com algumas alterações mas na mesma equipa, e com aspirações a poder ser um candidato ao título…
Vamos ver!
andardemoto.pt @ 17-12-2017 16:05:58
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