Entrevista: pouco antes do arranque da quarta edição do Lisboa Art&Moto estivemos à conversa com o seu organizador
César Rufino é o responsável por este evento. A sua persistência e determinação fizeram crescer o Lisboa Atr&Moto para um nível nunca imaginado há três anos. Qual o segredo?
andardemoto.pt @ 13-5-2016 02:38:21
AdM - César, qual o significado que tem para ti, como organizador e mentor do evento, o facto de 4 grandes marcas estarem a fazer importantes apresentações de novos modelos no Lisboa Art&Moto?
CR - É uma honra e um traço de reconhecimento do evento mas, sobretudo, a presença desta subcultura urbana, enquanto afirmação de criatividade artística, de vivências cosmopolitas, da procura da ligação direta a um público influente e criador de tendências.
Fico também muito grato, pois são as grandes marcas que permitem que o evento exista e tenha a qualidade que todos procuramos. Por outro lado, significa que a ligação afetiva entre quem produz e quem consome tem-se estreitado. As marcas beneficiam dessa ligação e o público também, pois já não se limita a ser um mero seguidor dos produtos, começa a sentir que também é influente nessas criações.
AdM - Achas que a cena motociclistica portuguesa está a mudar? Que o revivalismo já passou a fase de “hype” e já é efectivamente uma cultura?
CR - Continuam a haver movimentos revivalistas, e isso é bom, mas as culturas agora são muito transversais e transnacionais, manifestam-se em múltiplas frentes, e umas podem ter mais visibilidade que outras em determinados momentos, mas há sempre elementos que vão permanecendo, mesmo quando se vão renovando.
Afinal, é isso que estimula a inovação, a criação, o desenvolvimento. Preocupante seria que tudo permanecesse na mesma. O que importa é que a essência continue, mesmo quando as formas se alteram.
AdM - Achas que, a acontecerem, as inspecções obrigatórias das motos podem vir a inverter esta tendência, e começar a inibir os construtores com menos recursos e orçamentos mais reduzidos?
CR - Construir não é fazer ilegal, é o oposto. Há Código de Estrada para todos, ninguém pode considerar-se imune a regras só porque se intitula “construtor”. Imagine-se alguém que retira os piscas, os espelhos e dobra a matrícula ao meio ou a vira para os aviões. É um criador? Pode-se fazer isso numa mota, é legal! Circular com ela é que não. Há regras, não é uma questão de inspeções.
Espero é que todo esse processo seja eminentemente técnico, de verificação documental, orientado para a segurança e cumprimento e não para uma perseguição a detalhes estéticos que em nada influenciem o desempenho da máquina. E para alterações muito radicais há sempre a hipótese de um processo específico de homologação.
AdM - Será que a tendência de serem as marcas a vender Kit's homologados não vai desvirtuar um pouco os princípios do "built not bought" que seria precisamente a génese dessa mesma cultura?
CR - Sempre existiram esses dois mundos. O facto de as marcas terem agora mais Kits dedicados e com grande qualidade só aumenta a oferta. Na verdade, muitas das pessoas que usam esse lema não constroem efetivamente as peças, não sabem usar uma fresadora, nem têm acesso a uma CNC... é a composição final que eles consideram a “construção”.
Ora isso pode ser feito com peças de diferentes origens, entre as quais, as das marcas. A expressão estética não passa propriamente por aí, é muito mais que isso, depende de quão longe se quer ir.
AdM - E 2017? Trás outras perspectivas? Ou 2016 ainda vai ter mais Art&Moto?
CR - Não faço ideia do que poderá acontecer, mas cada dia, cada ano, abre sempre novas perspectivas. Ainda nem chegámos a meio do ano, mas posso adiantar que o Art&Moto está já associado a atividades que se prolongarão para além deste evento. A seu tempo se saberá.
andardemoto.pt @ 13-5-2016 02:38:21
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