14/6/2017 a 17/6/2017
19º Portugal de Lés-a-Lés – Os caminhos da aventura
A Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal apresentou no passado domingo, no Grande Hotel do Luso, o itinerário do 19º Portugal de Lés-a-Lés. Esta será a edição mais extensa de sempre, com um total de 1100 quilómetros a serem percorridos durante quatro dias entre Vila Pouca de Aguiar e Faro, com passagem pelo Fundão e Elvas.
andardemoto.pt @ 6-2-2017 15:34:19
A apresentação do evento contou uma vez mais com a presença de um grande número de entusiastas e com a inscrição presencial dos primeiros 250 participantes. As inscrições online para os restantes participantes arrancam no dia 15 de Fevereiro em www.fmp-live.pt.
O maior passeio mototurístico da Europa realiza-se entre os dias 14 e 17 de Junho de 2017 e estreia este ano um novo formato, com três etapas mais curtas e um passeio de abertura no dia das Verificações Técnicas, a ter lugar no concelho de Vila Pouca de Aguiar. São quatro dias de aventura à descoberta do país, em viagem sempre longe das autoestradas, Itinerários Principais, Secundários e outros sinais de modernidade rodoviária, sendo dada preferência às mais pitorescas estradas nacionais, regionais e municipais, e até uns quantos caminhos de terra para chegar aos locais mais inóspitos e surpreendentes.
As partidas de cada etapa serão feitas em cadência de 3 equipas (seis motos) por minuto, o que vai permitir uma maior regularidade na estrada face a outros anos, com um percurso mais equilibrado em termos de quilometragem por etapa que irá possibilitar a visita a mais locais.
Este ano, a aventura arranca com o Passeio de Abertura em Vila Pouca de Aguiar, mostrando, ao longo de cerca 90 quilómetros, praticamente todas as aldeias do concelho transmontano, atravessando grandes carvalhais e soutos de castanheiros centenários. Tempo para subir a pé ao Castelo de Aguiar, para apreciar o lago formado pela barragem do Alvão ou uma enorme pedreira de granito, de visitar a nascente de água das Pedras Salgadas ou de ajudar os dois únicos habitantes da aldeia de Cubas (por sinal irmãos!) a fazerem as pazes depois de anos e anos desavindos. Ribeirinha, aldeia de xisto no meio de paisagem granítica, ou as minas de Trêsminas, exploradas desde o tempo dos Romanos, são outros marcos de relevo deste primeiro dia, que termina com uma tradição aguiarense, que consiste no reboque, com recurso a cordas, de um enorme bloco de granito com 12 toneladas de peso.
Depois do jantar e de um merecido descanso após o desafio de peso, é altura de partir para a primeira etapa, com cerca de 400 quilómetros, pelas mais sinuosas e exigentes estradas do Alto Douro Vinhateiro e do Douro Superior, por onde o Lés-a-Lés nunca andou. Estradas “rendilhadas” e com paisagens soberbas que prometem abrir o apetite para paragens gastronómicas em locais como Santa Marta de Penaguião, de onde a caravana descerá até ao miradouro de S. Leonardo da Galafura, onde Miguel Torga buscava tranquilidade e inspiração para as suas obras. Muitas curvas na travessia do concelho de Sabrosa até ao Pinhão, subindo depois até S. João do Mundo e continuando na senda dos miradouros por Ferradosa, S. Xisto, Freixo de Numão e Vila Nova de Foz Côa, com visita ao Museu das Gravuras.
A entrada na Beira Alta faz-se pelas aldeias de Castelo Melhor, Almendra, Algodres ou Vale de Afonsinho, com destaque para os pelourinhos que se destacam pela altura elevada e pela elaborada decoração. Paragem em Pinhel, antes das rectas rumo ao Sabugal, com recepção em amniente de festa na aldeia histórica de Sortelha, que não figurava no percurso do Lés-a-Lés há vários anos. E ainda antes da chegada ao centro do Fundão, cidade dedicada à cereja e defensora das aldeias de xisto, a caravana vai poder visitar Alpedrinha e Castelo Novo.
Depois do descanso no Fundão, é altura de partir para a segunda etapa desta aventura, mais rolante na transição entre as serranias beirãs e as planícies alentejanas. Começando junto ao rio Zêzere, a caravana vai passar o rio Tejo nas Portas do Ródão e entrar no Alentejo por Póvoa e Meadas, já no concelho de Castelo de Vide. Aí, os participantes vão visitar Arronches e os vestígios de pinturas pré-históricas com data estimada entre 4 mil e 20 mil anos AC.
Depois de uma passagem por Ouguela, sentinela sobre a fronteira espanhola, a caravana vai rolar pela zona raiana até chegar à grande surpresa do dia, em Campo Maior. Nesta cidade, os participantes vão poder visitar duas grandes obras do Comendador Rui Nabeiro: O Centro de Ciência do Café, considerado o melhor museu de Portugal em 2015, e a Adega Mayor, obra do galardoado arquitecto Siza Vieira. O dia termina na cidade fortaleza de Elvas, com palanque final instalado na Praça da República, mesmo em frente à Sé, onde haverá música e muita animação à espera da longa caravana.
A terceira e última etapa contará com 300 km entre Elvas e Faro, quase sempre com o Guadiana à vista. Os participantes vão poder apreciar o maior lago artificial da Europa, o Alqueva, e parte dos seus mais de 700 quilómetros de margens. Depois, a caravana segue para Monsaraz, regressando a Barrancos depois de mais de uma década de ausência, passando ainda por St.º Aleixo da Restauração e pelas minas de S. Domingos.
Tirando partido da melhor vista de Mértola em Além-Rio, do outro lado do Guadiana, a caravana segue para sul, até Alcoutim, já no Algarve, voltando a olhar para lá do Guadiana, desta vez para apreciar a espanhola Sanlúcar do Guadiana. Descendo até Almada do Ouro por uma das mais belas estradas do percurso, a caravana chega por fim a Faro. A “recepção” vai ser feita na passagem pelo Palácio de Estói e nas Portas da Vila, rumando até ao destino final, no palanque montado na Praça Manuel Bívar.
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