20º Lés-a-Lés - 2018 de Faro a Felgueiras
Mais de 2,5 milhões de quilómetros foram percorridos pelos 2000 motociclistas participantes
andardemoto.pt @ 6-6-2018 18:32:18
Dia 30 de Maio de 2018 - Prólogo
Tudo começou numa quarta-feira. O arranque da 20ª edição do Portugal de Lés-a-Lés, que bateu todos os recordes de presenças, com mais de 2000 motociclistas em 1800 motos, teve lugar em Faro.
O Largo de S. Francisco foi o palco do acolhimento a todos os muitos motociclistas que, como de costume, tiveram que submeter as suas motos a uma rigorosa verificação técnica, antes de receberem os seus dorsais, e o inevitável “road-book”, um livro de 64 páginas que, ao longo dos 4 dias, é mapa, enciclopédia, agenda e almanaque.
Confirmado o bom estado dos pneus, luzes e alguns importantes órgãos mecânicos, era tempo para todos completarem o prólogo, um pequeno passeio com aproximadamente 65 quilómetros de descoberta, com partida e chegada a um palanque instalado no Jardim Manuel Bívar, bem no coração da urbe farense.
Os pontos altos do dia foram, literalmente, a passagem pelo Cerro de S. Miguel, que com os seus 411 metros de altitude oferece maravilhosas vistas, e a visita à altaneira torre sineira da Sé de Faro que se eleva sobre o parque natural da Ria Formosa.
Dia 31 de Maio - de Faro até Portalegre
A 1º etapa começou com uma madrugadora partida às 6 horas da manhã para as primeiras equipas. Um percurso ao longo de bem diversificados 430 quilómetros que começaram pela Estrada Património N2, que levou os participantes pela serra algarvia, até Alcoutim.
O tempo nebuloso, que escondeu a imponência da serra do Caldeirão deu lugar ao sol e as motos seguiram rumo à aventureira passagem a vau na Ribeira de Carreira… com água que mal deu para molhar os pneus.
Este primeiro dia do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal contou com o apoio de muitos motoclubes, como Os Falcões das Muralhas, de Mértola, que criaram um Oásis de fabulosa gastronomia, dos enchidos aos queijos, passando pelo pão alentejano e pelos diversos exemplos de doçaria regional caseira.
Mas a grande novidade do dia foi mesmo a descida ao Pulo do Lobo, que este ano foi feita, pela primeira vez, pelo lado sul da formação geológica que afunila o rio Guadiana, concentrando todo o caudal num estreito fio de água. Estreia absoluta no Lés-a-Lés que justificou os quilómetros de desvio por uma estrada estreita de piso irregular, em terra batida, antes das longas retas alentejanas este ano, sem a secura de anos anteriores,cortesia de um inverno tardio.
Seguiram-se paisagens tranquilas onde os oásis foram quebrando a monotonia e ajudando a ultrapassar um tempo algo abafado, como aconteceu em Beringel, onde a Honda e o Grupo Motard local criaram um aprazível espaço de descanso e convívio.
Daí os participantes seguiram rumo a Évora Monte, passando ao largo de Alvito, Viana do Alentejo, Estremoz e Évora, para chegar ao mais exclusivo castelo da arquitetura portuguesa e ao mais apertado local de parqueamento de todo o Lés-a-Lés.
Mais à vontade parou a caravana em Monforte, com possibilidade de opção entre a visita ao Centro de Interpretação da Tauromaquia ou aos vestígios romanos da Ponte à saída da vila até às ruínas de Torre de Palma.
A “aula histórica” foi encerrada no Parque Natural da Serra de São Mamede, com uma vista ímpar sobre a cidade de Portalegre, onde os participantes do Portugal de Lés-a-Lés tiveram uma calorosa recepção com uma enchente de público a ovacionar os aventureiros. À chegada, os participantes puderam ainda aproveitar a presença das massagistas do Instituto de Medicina Tradicional que ajudaram a preparar o corpo para a segunda etapa.
Dia 1 de Junho - De Portalegre a Lamego
No programa da 2ª etapa estavam nada menos que 392 quilómetros, correspondentes a 12 horas de viagem, com promessa de muitas paisagens serranas e estradas ‘trabalhosas’, de exigência recompensada com vistas únicas.
Os primeiros dos mais de 2100 participantes a arrancar fizeram-no ainda noite escura, do centro de Portalegre, pelas 5 e meia da madrugada. Com início por deliciosas estradinhas, sem a amplitude cénica das enormes planícies alentejanas é certo, mas entre carvalhais centenários e muros de pedra, como que a preparar a caravana para o que que aí vinha.
Um trajeto simples, em jeito de leve introdução, que a Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal gizou até Amieira do Tejo, para a primeira paragem do dia, onde o bolo de canela e o café caseiro, simpatia da Junta de Freguesia, fizeram, em pleno castelo, as delícias dos participantes, naquele que foi também o primeiro controlo secreto do dia.
Houve tempo para muitas fotografias às formosas ‘princesas’ do Moto Clube do Porto, de imediato colocadas no Instagram, Facebook e outras redes sociais, aproveitando o wi-fi disponibilizado no Oásis da Brisa. E, sem mais portagens, seguiu a caravana sob uma meteorologia agradavelmente fresca, atravessando rios e ribeiros através de obras monumentais, fazendo mesmo um pequeno desvio por pisos de terra, apenas para utilizar a ponte romana de Albarrol, uma construção da época medieval sobre a ribeira de Figueiró, que de romana tem a lenda da fundação.
Seguiram-se as barragens do Fratel, sobre o Tejo, e de Pracana, que represa o rio Ocreza, antes de uma dramática mudança de cenário, com entrada em Mação, um dos concelhos mais massacrados pelos incêndios do ano passado e, por isso mesmo, foi um dos apoiados pela FMP no âmbito da campanha de sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés.
Com o património natural consumido pelas chamas, que muitos meses depois ainda ‘mexe’ com quem por lá passa, a enorme caravana passou de forma quase silenciosa, como que respeitando a dor da natureza onde o verde tenta romper o negrume que domina a paisagem.
Valeram, para reconfortar, as curvas deliciosas e a espetacular vista sobre a albufeira do Cabril. que aprisiona o rio Zêzere e onde a NEXX acolheu os mototuristas, mostrando a nova coleção de capacetes. Mais umas curvas até à Pampilhosa da Serra e à sua aprazível praia fluvial, onde a autarquia, com apoio do Góis Moto Clube e do endurista Diogo Ventura, organizou (mais um…) agradável Oásis, onde, imagine-se, foi servido um apetitoso reforço do pequeno almoço – ou seria almoço?… – incluindo deliciosos ovos mexidos com bacon, feitos na hora e acompanhados por uma vasta seleção de doces e compotas. De fome ninguém se pode queixar!
Depois, já com estômago ‘compostinho’, nada como uma barrigada de curvas nas N112 e N344 em direção ao Piódão, aproveitando a viagem para umas fotos na barragem de St.ª Luzia cujo paredão de 76 metros represa as águas do rio Unhais, bem como uma volta pela bonita aldeia de Fajão. Mas seria a mais famosa das Aldeias de Xisto a merecer a paragem mais prolongada. Momento único que justificou uma saudável caminhada, degraus acima, até ao cimo da aldeia, onde os elementos do renovado Moto Clube da Covilhã – Lobos da Neve, fizeram as honras da casa.
Imagens únicas para recordar por muito tempo e que foram o motivo das conversas no Oásis da Bomcar, instalado poucos quilómetros adiante, ou em Mangualde, onde até havia massagens a cargo dos alunos do Instituto de Medicina Tradicional, com direito a lanche na Câmara Municipal e visita àquela que foi a primeira praia artificial da Europa, mesmo ao lado da Sr.ª do Castelo.
Outra paragem digna de nota aconteceu no Parque Botânico Arbutus do Demo, uma recuperação do espaço que foi em tempos viveiro da Junta Autónoma de Estradas, onde eram criadas as árvores que depois dariam sombra nas bermas das estradas da Região Centro.
Como as que foram plantadas nos acessos ao rio Paiva ou junto à bem-conhecida N2, caminho que iria levar a caravana até Castro d’Aire, onde o bolo podre e um chá deram mais um aconchego ao estômago e ajudaram a ‘fazer tempo’ enquanto passavam alguns aguaceiros que não intimidaram sequer, nem os participantes de todo o País, e menos ainda os de todas as províncias de Espanha, ou os da França, Suíça, Itália, Alemanha, Luxemburgo, Rússia, Croácia, Canadá e Estados Unidos.
Mas o dia não iria acabar sem a subida ao Santuário da Senhora dos Remédios! Não a pé, pelos 686 degraus da sua famosa escadaria, mas de moto, pela estrada, que o corpo não estava pelos ajustes e, para os mais afoitos, havia ainda uma visita ao castelo e passagem pela Sé, a caminho do palanque, ponto final do longo dia, desgastante mas extremamente enriquecedor.
Dia 2 de Junho - De Lamego a Felgueiras
Foi, para muitos dos experientes motociclistas, uma das mais espectaculares etapas do Portugal de Lés-a-Lés ao longo dos seus 20 anos de existência. Uma jornada memorável onde tudo se conjugou em prol de uma perfeição mototurística, e que vai deixar fortes memórias para toda a vida.
Num dia excelente para a prática da modalidade, a fabulosa ligação entre Lamego e Felgueiras encerrou, assim, com chave de ouro a edição comemorativa do 20º aniversário da grande aventura organizada pela Federação de Motociclismo de Portugal.
A 3ª etapa foi um verdadeiro regalo para os sentidos, desde as deslumbrantes vistas do Douro vinhateiro ao paladar das deliciosas cerejas de Resende, do olfato serrano do Marão ao excelente ‘tacto’ do asfalto no Alvão, ou ainda o som do do silêncio à passagem pelas serranias do Barroso.
Até a temperatura era a acertada para andar de moto, exatamente no ponto em que o frio deixa de incomodar para dar lugar ao calor, mas sem que o aconchego do indispensável equipamento crie a desagradável sensação de abafo, e sem chuva, apesar das nuvens sempre presentes ao longo de todo o montanhoso percurso, de estradas fabulosas e paisagens soberbas. Daquelas que espairecem a alma e enchem o coração, ao longo de 353 quilómetros de puro prazer mototurístico.
Na passagem pelas margens do Douro, onde a vinha cede terreno à mais deliciosa cereja do Mundo – comprovado pela longa e heterogénea caravana que dela teve direito a prova em Resende!
Na subida à Serra do Marão, através da ‘arredondada’ e algo esquecida N15, os participantes puderam apreciar ao longe, os sinais de modernidade rodoviária, do IP4 e da mais recente A4 e do seu enorme túnel.
Emoções fortes que foram motivo de conversa na primeira paragem do dia, no Alto do Velão, mesmo antes da entrada na Serra do Alvão, onde o concessionário da BMW nos Carvalhos, a Antero, criou um Oásis que juntou vistas deslumbrantes ao agradecido café e a deliciosas natas.
Em direção a Mondim de Basto, tempo para apreciar mais paisagens fabulosas, num dia a todos os títulos excelente, por zonas menos afetadas pelos incêndios, e com floresta autóctone mostrando o quão mais bonitas podiam ser as paisagens portuguesas.
Na imponente e senhorial Casa da Tojeira, construída no séc. XVII, bem perto do Arco de Baúlhe, tempo para provar o vinho verde produzido na propriedade de 20 hectares, acompanhando as bifanas servidas pelos indómitos Bombeiros Voluntários de Cabeceiras de Basto, e usufruir das massagens do IMT. Não do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, antigo IMTT, mas sim do Instituto de Medicina Tradicional que tanto ajudou a minimizar as mais aborrecidas dores de costas e até algum formigueiro causado por tantas horas de condução.
Apoio muito agradecido na hora de apreciar as paisagens desta etapa fabulosa, uma das mais bonitas de sempre do Lés-a-Lés, cumprindo as promessas da Comissão de Mototurismo da FMP, para um dia pleno de locais pitorescos e muito fotogénicos, como Pedraça ou Cavez, Vilela ou Meijoadela, Uz ou Moscoso, pequenas aldeias a caminho da Serra do Barroso, que marcaram a entrada discreta no concelho de Montalegre, que teve ainda direito a visita a Vilarinho Seco, uma das mais altas aldeias de Portugal, na rápida incursão ao concelho de Boticas.
Deslumbramento ao virar de cada curva, como na aproximação a Montalegre, passando bem junto da barragem do Alto Rabagão em momento de enorme descontração antes do ‘susto enorme’ oferecido pelas bruxas, dráculas e outros seres bizarros do Moto Clube Os Conquistadores, nada mais do que divertidos motociclistas de Guimarães (e não só…) que proporcionaram o mais irreverente e bem-disposto dos 18 controlos, juntamente com os eletricistas-sabotadores dos Moto Galos de Barcelos, que haveriam de ser descobertos mais à frente, mas também do MC Albufeira e Motards do Ocidente, todos eles com geniais momentos de animação, que dão outra vida ao Lés-a-Lés.
Claro que o maior propósito desta que é a maior aventura mototurística da Europa é, claro está, a descoberta de paisagens e do património, e o conhecimento de um Portugal pouco explorado. E esse princípio ficou bem patente na abordagem ao único Parque Nacional do País, o da Peneda-Gerês. Onde continuaram as curvas, milhares delas, capazes de agradar a ‘gregos e troianos’, e que, no dia de todas as montanhas, haveria ainda de passar pela serra da Cabreira, na transição de Trás-os-Montes para o Minho, e onde, além de mais curvas, existem mais barragens.
Como a Guilhofrei, uma das mais antigas do País, construída em 1938 para impulsionar o crescimento da indústria têxtil do Vale do Ave. Momento que, por si só, ajudou a perceber e justificou a mudança do património paisagístico e histórico que havia marcado todo o evento até este momento, dando lugar ao património industrial. Mas sem que isso implicasse qualquer desvirtuar da filosofia do Lés-a-Lés, sempre através das mais cativantes estradas e com motivos de interesse acrescido em cada paragem, em cada um dos 18 controlos horários secretos.
O último, às portas do Mosteiro de Pombeiro, inspirou os monges… perdão, os sócios do Moto Clube do Porto, único clube totalista com controlos em todas as 20 edições do Lés-a-Lés, a presentearem os 2100 participantes com a última marca na tarjeta que atestava o cumprimento integral do percurso. E, com ajuda da ‘Madre Superiora’ e do próprio ‘Bispo’, encorajaram todos para os derradeiros quilómetros da aventura até Felgueiras.
Na chegada à Capital do Calçado, a receção foi apoteótica, juntado milhares e milhares de espectadores no centro da cidade, ovacionando todos os participantes, dos quais os mais conhecidos eram Carmona Rodrigues, ex-presidente da CM de Lisboa, João Oliveira e Miguel Tiago, deputados do PCP, os actores Helena Costa, Vítor Norte e Alexandre da Silva, o ex-ciclista Cândido Barbosa, os autarcas Rogério Bacalhau (Faro) ou Ângelo Moura (Lamego), entre os milhares de ‘anónimos’ motociclistas que tornaram este 20º Portugal de Lés-a-Lés, ao longo dos 1160 quilómetros entre Faro e Felgueiras, com paragens em Portalegre e Lamego.
A FMP - Federação de Motociclismo de Portugal, está de parabéns pela organização, manutenção e sucesso deste evento cuja importância para o fomento do motociclismo e do turismo em Portugal é simplesmente incontestável!
andardemoto.pt @ 6-6-2018 18:32:18
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