Ana Amorim Dias

Ana Amorim Dias

Escritora, advogada, empresária e motociclista

OPINIÃO

Seria imperativo

Depois de ponderada reflexão, decidi escrever a crónica que segue sem quaisquer filtros semânticos.

andardemoto.pt @ 21-6-2017 17:25:35 - Ana Amorim Dias

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Bem sei que nos fica mal (e a uma mulher provavelmente ainda mais) usar vernáculos termos, daí vos apresentar desde já as minhas sinceras desculpas mas, face ao tema escolhido e para que o texto surta os efeitos pretendidos, hoje não escreverei enquanto escritora-mãe-de-família-levemente-rebelde-mas-socialmente-serena e sim enquanto sobrevivente da estrada.  

Feitas que estão as ressalvas, avancemos!


Não é por sermos motociclistas que somos mais sobreviventes da estrada. Somos igualmente sobreviventes enquanto automobilistas ou meros passageiros. Mas quando a carroçaria que nos protege é o próprio corpo, a realidade ganha contornos diferentes. 

É por isso que, mandasse eu nisto tudo (ou apenas nesta parte) e todos (mas absolutamente todos, hã?) os automobilistas teriam que ser, também, motociclistas. Todas (mas todas mesmo) as cartas teriam de ser retiradas e só quem tivesse formação, capacidade e tomates para circular o mínimo de um mês ou dois mil quilómetros em mota é que poderia voltar à porra do carro! E os aspirantes a condutores, a mesma coisa, claro. "Queres a carta de carro? Primeiro tiras a de mota e usas uns tempos, caso contrário nada feito!"

"Ah e tal, assim és uma ditadora, Ana!" podem pensar, mas depressa veriam algumas realidades a mudar: muitos mais andariam de mota e fa-lo-iam de maneira correta e segura; e os que voltassem aos carros respeitariam toda a gente (em duas ou quatro rodas) com um instinto protetor nunca antes exercido. 

Desta forma, as bestas que (disfarçadamente, pensam eles) por inveja ou sei lá eu porquê, nos vêem a vir lá de trás a ultrapassar e se enfiam para o eixo da via quando estamos já mesmo em cima, já não o fariam, porque iam perceber a angústia que se sente.


E os que não param nos sinais de STOP? Esses grandes estupores serão tão burros que ainda não perceberam que um dia vem um camião e os esmaga??? Se fosse pelo instinto de sobrevivência dessas bestas, a humanidade já estaria extinta porque (e tenho visto isto bastante) até são capazes de não parar no STOP com os filhos dentro do carro!

As rotundas, os bandidos também não sabem para que servem. Assim houvesse um dispositivo que lhes desse uma bela descarga elétrica no rabo de cada vez que têm que parar e não param! E andassem de mota uns tempos! Todos! Bastava isto para lhes melhorar a atenção e a visão. Já veriam os sinais todos e tudo respeitariam porque a carroçaria era o seu corpo e todos seriam maiores. 

Muitos de vós concordarão com estas palavras porque conhecem bem a verdade nelas contida. Outros acharão um exagero porque nunca experimentaram o que é ter que conduzir a prever toda a merda que cada um dos outros condutores se pode lembrar de fazer; não sabem o que é aprender a conduzir com um só olho que dá a volta à cabeça toda; não sabem o que é, em caso de dúvida, dar sempre a prioridade mesmo a quem não a tem só para não nos espatifarmos todos.

Lembrem-se: andar de carro, mais do que uma utilidade, deve ser um prazer. E conduzir uma mota, além de ser algo tão sublime que só está (infelizmente) reservado a alguns eleitos, apenas é perigoso porque há milhares de pessoas a conduzir sem qualquer cuidado e respeito nem por si nem pelos outros.

Por isso reitero: fosse eu a mandar e todos poderiam conduzir carros apenas depois de passarem uns tempos em mota!

andardemoto.pt @ 21-6-2017 17:25:35 - Ana Amorim Dias


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