Victory Gunner / Victory Judge - Dupla emoção
Estas duas Victory têm a mesma base. As diferenças são essencialmente estéticas e ergonómicas. Uma é mais radical, a outra é mais descontraída, mas ambas dão um enorme prazer de condução. Fomos para a estrada testá-las!
andardemoto.pt @ 12-9-2015 19:32:48
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
O universo “cruiser” constitui um nicho de mercado reduzido, muito específico, onde as prioridades dos motociclistas são completamente diferentes das da generalidade. Uma cruiser quer-se potente no arranque, quer-se vistosa sob todos os aspectos, quer-se barulhenta e quer-se exclusiva.
Uma cruiser não é suposto estar apta para fazer longas viagens, nem ser económica ou ágil, e o seu desempenho dinâmico tem um peso pouco importante como factor de escolha. Importante mesmo é apaixonarmo-nos por ela e podermos modificá-la para que seja a nossa moto, exclusiva e ao nosso gosto.
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O prazer de conduzir uma cruiser está em rolar descontraídamente, sentindo o vento a bater no peito, as vibrações de um “big twin” a chocalhar as entranhas, um escape musical a acariciar os timpanos e uma reposta acutilante ao enrolar do punho direito.
Muitas motos preenchem todos estes requisitos, mas poucas são aquelas que conseguem realmente corresponder às expectativas e conquistar um verdadeiro “Biker”.
Comparadas com as tradicionais Harley-Davidson, ou com as míticas Indian, estas Victory de aspecto “Bober” destacam-se sobretudo pela contundente resposta do seu motor “Freedom V-twin a 50º” de 1731cc que, no caso destas duas versões, disponibiliza um impressionante binário de mais de 130Nm às 2.920 rpm e uma potência de 80.8 cv às 4.810 rpm, valores mais do que suficientes para colocar um sorriso na cara de qualquer um, seja nos arranques nos semáforos, seja em retomas, numa ultrapassagem ou na saída de uma qualquer curva.
E é mesmo possível cobrir rapidamente largas distâncias e por estradas retorcidas, como foi o caso da nossa ida a Góis, por altura da XXII concentração, quando levámos a Victory Gunner agora aqui testada, pela irrequieta EN2.
A sua ciclística é, tendo em conta o tipo de moto, muito eficaz, sendo tipicamente lenta nas mudanças de direcção, mas particularmente estável em curva, e dotada de uma travagem muito eficaz em ambos os eixos, o que contribui para uma elevada confiança e ritmos bastante elevados potenciados por uma inclinação maior do que a generalidade das das concorrentes.
O comportamento da suspensão é de muito bom nível, com a forquilha bastante robusta e bem regulada, e o amortecedor traseiro muito eficaz a proteger as nossas costas na eventualidade de ter que enfrentar grandes desníveis do piso. Os pneus Dunlop oferecem um comportamento de muito bom nível, muito acima das reais necessidades da ciclística, e as suas dimensões, nomeadamento o alto perfil, contribuem para um rolamento muito suave.
A qualidade geral de construção é de muito bom nível, e os componentes são de qualidade, não se notando ruídos ou vibrações parasitas. A iluminação é boa, o pequeno painel de instrumentos é de fácil leitura, combinando informação analógica e digital, e transmite a informação necessária em qualquer situação, fazendo a mudança dos diversos instrumentos através de um pequeno comando colocado ao alcance do indicador esquerdo.
Em termos de ergonomia estas duas motos diferem bastante entre si, sendo a Gunner muito mais ergonómica devido à posição de condução elevada que oferece. A Judge é bastante mais radical, forçando o tronco para a frente numa atitude bastante mais agressiva.
A diferença deve-se sobretudo ao guiador, bastante mais recuado e elevado na Gunner, e ao assento que na Judge é bastante mais cavado, sendo ligeiramente mais baixo.
A Gunner que aqui testamos estava equipada com alguns acessórios da marca, nomeadamente o assento vermelho em cabedal, e um kit original “Stage One”, composto pelas ponteiras de escape negras e rectas, um filtro de ar de rendimento e a respectiva afinação da injecção, que a tornam um caso sério de dependência, tanto pelo melhor rendimento como pelo potente som emanado.
Se está com dúvidas, não perde nada em fazer um Test-Ride num dos concessionários oficiais da marca.
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Neste teste foi usado o seguinte equipamento: blusão em pele Rusty Pistons, luvas Pele MCS Camel, capacete Nexx Groovy, e antigas botas de pele alentejanas.
andardemoto.pt @ 12-9-2015 19:32:48
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