Teste KTM 1290 Super Duke GT - Alucinação desconcertante
Não há forma de explicar bem o que é esta moto. Nem os números impressionantes da ficha técnica conseguem transmitir o que realmente vale esta nova KTM destinada a “viagens rápidas”. Mas vamos tentar!
andardemoto.pt @ 3-6-2016 01:08:28
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Basicamente, a Super Duke GT é uma alucinação. Uma alucinação desconcertante pois é uma máquina para andar depressa, muito depressa, e mais depressa ainda, e no fim deixar-nos frustrados por ser muito difícil, senão impossível, a não ser que se vá (sacrilégio) para uma autoestrada, ou então (sim, sim, sim…) para um autódromo, esgotarmos todo o seu potencial.
O seu motor LC8 de 1.301cc debita 173cv para mover um peso (a cheio e Ready to Race… Ride, eu queria dizer Ride!) de apenas 228 kg. Os 144 Nm de binário, dos quais 80% estão disponíveis logo a partir das 3.250 rpm, são avassaladores e mal se ultrapassam as 6.000 RPM, catapultam-nos para velocidades capazes de nos tirar, pelo menos, 6 pontos na carta de condução.
Mas toda a electrónica que controla a KTM 1290 Super Duke GT faz um trabalho excelente a proporcionar ao condutor (ou piloto) uma grande confiança para poder enrolar o punho direito com cada vez mais convicção, cada vez mais cedo, e durante mais tempo…
O MSC, o controlo de estabilidade em curva, coordena os travões, o acelerador e as suspensões, para que quando inclinadas no meio de uma curva, as borrachas se mantenham ambas a rolar, e sem transferências de massas, para evitar ao máximo qualquer perda de aderência. A travagem combinada, por via do ABS, evita qualquer mínimo bloqueio de qualquer roda, e o controlo de tracção actua para evitar qualquer derrapagem sob o efeito da aceleração ou desaceleração.
Enquanto isso, as suspensões semi-activas, para além de estarem permanentemente a analisar as ondulações do piso, também ficam mais ou menos rijas, conforme o necessário, para manter a moto perfeitamente horizontal, evitando assim qualquer eventual transferência de pesos que desequilibre o conjunto, anulando qualquer ondulação ou afundamento.
E para que o LC8 não nos apanhe desprevenidos durante alguma redução mais forte, o Motor Slip Regulation (MSR) ajuda a embraiagem deslizante na tarefa de não permitir que a roda bloqueie sob a acção do massivo binário negativo que emana do V2 a 75º quando sob desaceleração.
Mas depois de percebermos a agilidade do conjunto, a precisão da direcção, a eficácia dos travões e a rapidez com que se faz a transferência de massas de uma curva para outra, a KTM 1290 Super Duke GT ainda nos convence a entrar nos menus de comando, e começar a subir na escala de dificuldade, diminuindo o nível de intervenção das ajudas electrónicas.
Por isso, por muito bom que seja o “kit de unhas” e por muito que estejamos habituados a ela, (Ok, pronto… alguns superdotados não!) esta moto é sempre um desafio.
Aqueles que não temem pela sua carta de condução, podem perfeitamente fazer-se à estrada para umas boas viagens rápidas.
Apesar de a suspensão em modo conforto, ser bastante mais firme do que em algumas motos supostamente desportivas, ainda assim, desde que o alcatrão seja regular, nem ela nem a posição de condução a carregar algum peso sobre os punhos, ou as pernas relativamente flectidas, ou a protecção aerodinâmica algo escassa, nada nos impede de passar umas boas horas consecutivas em cima da KTM 1290 Super Duke GT.
Um depósito de 23 litros de capacidade, aliado a um consumo que teima em não baixar dos 6,5 litros aos 100, mas que pode subir assustadoramente caso se esteja num "circuito fechado" a puxar terceiras e quartas serra acima, garante autonomias que, sem grande esforço, podem rondar os 300 Km, ou duas horas de condução! O que não é nada mau!
Para isso, podemos contar com um dispositivo de controlo automático de velocidade que funciona a partir de terceira e acima dos 40 km/h, permitindo desfrutar das vistas dentro da cidade ou da paisagem no cimo de uma montanha, sem ir a levar "caroladas" do passageiro, sendo também bastante conveniente no combate às brigadas do radar, evitando distracções.
Outra vantagem é a redução do consumo, já que se mantêm velocidades mais constantes sobretudo nos troços mais rápidos.
Quick Shift ascendente, monitorização da pressão dos pneus, punhos aquecidos, luzes de curva inteligentes, em LED, semelhantes às estreadas na “Big Trail” 1290 Super Adventure, piscas que se desligam automaticamente, ecrã regulável em altura (com um sistema manual bastante prático) mas que não pode ser regulado em andamento, são factores que favorecem a concentração por via de uma significativa diminuição do cansaço ao fim de algumas horas de condução.
Nem lhe falta o sistema de travagem automático em paragem, o HHC (Hill Hold Control) que activa os travões em caso de grande inclinação da via, para facilitar o arranque, sem que a moto descaia quando é necessário ter ambos os pés bem assentes no chão, sobretudo quando estão instaladas e carregadas as malas laterais, e se transporta passageiro.
Galeria de Imagens
O prazer de condução é garantido, desde que não se vá para o centro da cidade, nem para o meio do trânsito, ou para qualquer lugar onde não se possa dar largas ao temperamento do LC8, já que o seu comportamento bipolar compensa toda a alegria que nos dá em estrada aberta, com um temperamento irascível e quase desesperante, quando se tem de rolar abaixo das 4.000 RPM.
Até porque nessas circunstância junta-se ao chocalhar e à permanente necessidade de recorrer à caixa de velocidades e à embraiagem, o calor emitido pelo motor que, já se sabia dos outros modelos que usam este LC8, é muito forte, sentindo-se sobretudo nas pernas, mas que, a baixa velocidade ou parados num semáforo, nos cozinha literalmente, tornando-se bastante desgastante.
Mas esses serão os únicos pontos negativos a atribuir à KTM 1290 Super Duke GT. Bem, o descanso lateral também não é do mais prático, sendo difícil encontrar o sítio onde se faz força para o descer. Mas também não é isso que tira mérito a esta “Monstra” com vocação turística.
Como concorrência, esta KTM tem a mira apontada para a BMW S1000XR e para a Ducati Multistrada, e qualquer escolha vai depender apenas do gosto particular de cada um, ou da empatia com uma marca específica, porque todas elas estão perfeitamente ao mesmo nível, um patamar muito elevado em termos de segurança, prestações dinâmicas e prazer de condução. A KTM tem apenas com o “factor laranja” a diferenciá-la.
Se não sabe qual escolher, e se a indecisão o estiver a roer, apenas lhe podemos adiantar que nem com um Test-Drive se vai conseguir decidir! Por isso, confie no seu instinto e deixe-se apaixonar.
Equipamento:
Neste teste usámos o seguinte equipamento:
Blusão Rev’it Outback
Capacete Nexx X.D1 Baja
Botas TCX X-Ride Waterproof
Luvas OJ Grip
andardemoto.pt @ 3-6-2016 01:08:28
Clique aqui para ver mais sobre: Test drives