Teste Aprilia Tuono V4 1100 RR - Trovão e Relâmpago
Um trovão é algo que impressiona, pela sua potência e pelo respeito que impõe. A Aprilia não podia ter escolhido melhor nome para esta moto! Saiba porquê.
andardemoto.pt @ 17-6-2016 11:58:58
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Tuono em italiano significa Trovão. E a Aprilia definiu de forma perfeita esta moto, rápida e tão electrizante como um relâmpago, e sonante como um trovão.
Esta Tuono é outra daquelas motos que o médico me proibiu rotundamente de utilizar. Na minha grave condição de dependente de adrenalina alimentada da paixão pela relação tempo/distância, as consequências de uma utilização prolongada de uma moto com estas características pode (e será seguramente, segundo o prognóstico clínico) nociva para a minha carteira e para a minha carta de condução.
Apesar de ter que admitir que nas primeiras impressões a Tuono não me convenceu completamente, não obstante o som do motor, logo desde o arranque, ser extremamente cativante e sugestivo, a verdade é que com o passar dos quilómetros, ela foi-me conquistando paulatinamente até me deixar completamente rendido.
Depois de me habituar ao peso excessivo nos pulsos, e aos mosquitos na viseira, fui-me rendendo sobretudo ao desempenho do fantástico motor V4 que a Truono tem instalado, e que convém não esquecer, encerra a mesma fórmula do da RSV4, moto que conquistou quatro Campeonatos do Mundo de Superbikes nos últimos anos.
Também a suavidade da caixa de velocidades, a leveza dos comandos, a potência e sensibilidade da travagem e o conforto da suspensão foram fazendo aumentar a empatia, ao ponto de conseguir, realmente, esquecer que estava a fazer um teste, e apenas desfrutar da sua condução.
O motor, muito “redondo”, é capaz de surpreender nos extremos da faixa de rotação, e revela-se deslumbrante durante toda a escala intermédia do tacómetro, tanto em termos de potência como em termos de sonoridade, e sempre com uma resposta decidida dos 175cv que o animam.
Mantendo-se sempre muito composto no que às vibrações diz respeito, o V4 devolve em prazer todo o empenho com que se enrola o punho direito, obrigando a electrónica, sob a forma do interessante sistema aPRC que integra todas as ajudas electrónicas à condução, a cálculos acrescidos para levar a cabo a “simples” missão de manter colada ao piso a roda dianteira. Tarefa tanto mais dificultada pela inexistência de uma suspensão electrónica.
Apesar de tudo, a suspensão é de muito bom nível, oferecendo conforto e um bom comportamento em qualquer situação, pecando apenas por alguma instabilidade da frente, sob aceleração, nos modos de motor mais violentos, e enquanto não nos habituamos ao débito de potência do V4.
Neste particular, também se pode culpar o estreito guiador que, com todo o peso do tronco em cima, obriga a uma maior precisão nos movimentos, sobretudo na entrada em ângulo nas curvas de raio mais reduzido.
De qualquer forma, depois de habituados, e em piso regular, ganha-se bastante confiança na frente. Fora isso, qualquer que seja a nossa preferência, ela poderá ser perfeitamente conseguida caso nos debrucemos sobre as possibilidades de afinação do material Sachs.
O sistema de ajudas electrónicas à condução, integrado na plataforma aPRC, engloba o ABS, o AWC (anti-cavalinho) e o ALC (controlo de arranque) conjuntamente com o controlo de tracção, e é regulável através de um menu simplificado e com recurso a dois botões colocados ao alcance do polegar e do indicador esquerdos.
Nos modos de motor, fiquei-me pelo Sport, o mais adequado para uma condução muito rápida em estrada e no meio do trânsito. Em modo “Race” a resposta ao acelerador é bastante mais bruta.
Em modo Sport, a resposta ao acelerador é contundente, e acima das 5.000 R.P.M é avassaladora, subindo de rotação num crescendo típico de um V4, sem vibrações nem ruídos parasitas, com o escape a soltar a sua nota grave e rouca que nos faz insistir até para lá do razoável.
A caixa de velocidades é referencial em termos de suavidade, e o “quick shift” funciona na perfeição, apesar de apenas actuar a subir nas relações. No entanto a precisão do pedal e a suavidade da caixa são tão grandes, que se consegue muito facilmente reduzir sem embraiagem, e também suavemente, apenas com recurso ao acelerador.
A posição de condução é confortável e ergonómica, com o assento a fornecer um bom apoio nos arranques. O calor do motor practicamente não se faz sentir em estrada aberta; e quando se fica preso no meio do trânsito, ainda assim a Tuono consegue dissipar bastante bem o calor.
A sua grande agilidade apenas se vê limitada pela escassa brecagem. Sobretudo em cidade, cenário onde, curiosamente, a Aprilia Tuono V4 1100 RR não se deixa intimidar.
Todos os comandos estão bem posicionados e permitem regulação, e também a iluminação é muito boa, com um feixe bem espalhado e potente.
A qualidade de construção é francamente boa, com os plástico a apresentarem-se muito sólidos, a pintura com um bom acabamento, os cabos bem escondidos e arrumados, e uma montagem perfeita de todos os componentes da carenagem.
Os mais desportistas, ou os mais exigentes, podem escolher a versão "Factory", que ostenta uma "baquet" idêntica à da RSV4, e gráficos exclusivos. Mas também as suspensões são substituídas por unidades Öhlins: forquilha, amortecedor traseiro e amortecedor de direcção, todos eles afinados para uma condução agressiva. Os discos de travão também são mais leves. E contas feitas, custa apenas cerca de 2.000 euros mais.
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Equipamento:
Neste teste usámos o seguinte equipamento:
Blusão em pele Rusty Pistons,
Capacete Nexx XR2 Trion,
Luvas OJ Grip,
Botas TCX X-Ride Waterproof
andardemoto.pt @ 17-6-2016 11:58:58
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