Teste Ducati Multistrada 1200 Enduro - Até ao Infinito...

A luta pela conquista do título de melhor “Big Trail” do mercado continua feroz e inclemente. Num contra-ataque magistral, a Ducati apresenta uma nova moto que não vai deixar ninguém indiferente, seja no alcatrão, seja fora dele.

andardemoto.pt @ 7-7-2016 20:50:11

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Ducati Multistrada 1200 Enduro | Moto | Multistrada

Texto: Rogério Carmo e Joaquim Silva  Foto: ToZé Canaveira

Foram menos de 1000km. Durou apenas 5 dias. Mas esta Ducati vai ficar na minha memória por muito tempo. Tal como ficou a experiência da primeira vez que, eu entre uns poucos eleitos, pude sentar-me aos comandos da primeira Multistrada 1200 S, nos idos de 2010, por terras de Lanzarote, aquando da sua apresentação à Imprensa internacional.

Desde então, já tive oportunidade de me tornar íntimo das diversas evoluções do modelo, tendo a última sido há relativamente pouco tempo, com a versão “S” de 2015, já dotada do motor DVT, e cujo teste, com todos os detalhes, pode encontrar nesta ligação.

No entanto nada disso me tinha preparado para o confronto com esta nova versão Enduro. Quando a vi pela primeira vez, no último Salão de Milão, pareceu-me apenas um mero arranjo estético em jeito de “Aventureira”.

Mas estava enganado, e agora ela revelou-se uma surpreendente transformação de um conceito que prometia, mas que não conseguia estar ao nível da concorrência deste segmento, sobretudo no que ao fora de estrada dizia respeito.

Aparte do motor, a verdade é que muitos dos componentes desta “Enduro” foram modificados e são diferentes dos da versão “normal”, e o resultado final é mesmo surpreendente, notando-se perfeitamente logo nos primeiros metros e na primeira curva.

Nem o novo depósito com capacidade para 30 litros de combustível, capaz de impressionar pelo volume que cria, mesmo os motociclistas de maior estatura, é capaz de prejudicar o desempenho desta verdadeira “Maxi-Big-Trail-Sport-Adventurer”.


Em asfalto, esta Multistrada apresenta todos os predicados da versão “S”, já que o motor tem exactamente as mesmas características, mas mostra-se mais intuitiva em curva, sobretudo no momento de entrar em ângulo, devido à maior distância entre eixos e ao maior peso do conjunto. 

A geometria da direcção, revista nesta versão, também a torna menos brusca no momento em que o pneu e a suspensão traseiros têm que digerir toda a violência do bicilíndrico.

A estabilidade a alta velocidade, com vento lateral e sob travagem, também beneficiam das alterações da ciclística. O conforto também aumenta substancialmente muito por culpa dos mais 3 centímetros de curso da suspensão.

Até o apoio do pé do descanso central já não interfere com o calcanhar esquerdo quando conduzimos em pé!

À semelhança da versão “S”, a caixa de velocidades não é referencial, mostrando um trato rústico, e com uma indesculpável ausência de “Quick shift”. No entanto, esta versão Enduro tem a primeira relação mais curta, especificamente para permitir manobrar com mais precisão a baixa velocidade.

A roda de 19 polegadas na frente, tampouco prejudica o comportamento dinâmico, tendo-se a Enduro revelado mais estável em todas as situações do que a sua “irmã” mais asfáltica.


Confrontada com diversas estradas, diferentes tipos de utilização e estados de espírito alternativos, a “Enduro” surpreendeu-me pela positiva, mas foi sobretudo fora do alcatrão que ela se revelou e justificou a sua existência no catálogo da marca. 

Se alguém tinha como referência neste segmento as máquinas austríacas, ou mesmo as alemãs, pois fique a saber que esta nova Ducati não lhes fica atrás em nenhum capítulo, mostrando-se, pelo contrário, extremamente ágil a baixa velocidade e a contornar obstáculos, intuitiva a alta velocidade, e confortável, muito confortável mesmo, por pior que seja o caminho escolhido.

A Enduro conquista sobretudo pela confiança que oferece em pisos de gravilha e pedra solta onde, com pneus "mistos", passar com outras motos seria uma verdadeira aventura.

Manobrar e contornar obstáculos nos trilhos mais difíceis é quase uma brincadeira, sendo todo o conjunto muito intuitivo e fácil de inserir na trajectória pretendida.

A posição de condução em pé é muito agradável e o guiador largo oferece um bom suporte. Os pedais têm uma regulação fácil para ajustar ao tipo de bota utilizado. 

A Iluminação por LED é referencial e inclui faróis de curva que são uma verdadeira bênção para quem faz muitos quilómetros à noite, sem ser por auto-estrada.

A marca anuncia consumos de combustível ligeiramente superiores para esta versão, mas a verdade é que com todos os predicados que a Enduro exibe, o consumo não é um factor importante, até porque se mantém dentro de valores razoáveis para o nível de potência que oferece.


Galeria de imagens

Para nos tirar toda e qualquer dúvida sobre o desempenho da Multistrada 1200 Enduro no “fora de estrada”, recorremos à experiência do nosso estimado Joaquim Silva, proprietário e instrutor da Escola de Condução Off Road Maxi Trail da Casa da Serra, motociclista que trata por tu os maus caminhos, sejam eles quais forem. 

Veja abaixo a opinião dele sobre esta moto.

A opinião de Joaquim Silva da Escola de Condução Off-Road da Casa da Serra

Foi com muito gosto que recebi o convite para testar esta nova Ducati Multistrada 1200 Enduro.

Não me vou aqui alongar sobre especificações e soluções técnicas ou materiais desta Ducati, porque essa parte é para os jornalistas da especialidade. O que vou escrever de seguida, é sobre as sensações que ela me transmitiu em termos de Off Road.


Os percursos que fiz e os pisos onde rodei, foram os mesmos onde já andei com muitas outras motas de outras marcas com a mesma tipologia. Apesar de os pneus não serem os adequados para o Off Road, a curiosidade e a vontade era muita, por isso arranquei em modo Enduro, com o motor a debitar “apenas” 100cv e a suspensão no modo correspondente, mas com o ABS e o controlo de tracção desligados.

- Mas que arranque! Não da moto, mas dos meus sentidos. Fiquei logo a perceber que tinha entrado num novo mundo. Os quilómetros seguintes e a mudança de pisos, os percursos abertos ou fechados, resumem esta máquina a apenas duas palavras: Mota soberba!

Com uma estabilidade que nunca tinha experimentado noutros modelos, mesmo dotados de pneus adequados (claro que não estou a falar de tracção), num percurso com cerca de 80 km, obtive sensações realmente muito boas: primeiro porque o motor não “cai”, e trabalha em regimes que até há bem pouco tempo eram duvidosos para um bicilíndrico desta configuração.


A travagem na traseira é poderosa. Com um pneu adequado ainda melhorava mais. A da frente, apenas a usei com muita cautela para reduzir a velocidade e garantir que devolvia a moto com os plásticos inteiros. 

Das suspensões não vale a pena falar: são exemplares! E imagino que rolar com bagagem, com a quantidade de opções que a electrónica oferece, deve ser, digo eu, igual a rodar sem bagagem, excepto na travagem devido ao acréscimo de peso. 

Mandar a frente para as curvas abertas, em velocidade, acontece de forma incrível, intuitiva, e muito melhor que nas curvas fechadas, pelo menos sem pneus de tacos.

O peso: qual peso? O equilíbrio de pernas e a transferência de massas do nosso corpo para cada lado, acontece sem esforço, e nunca nos deixa desequilibrados ou em risco de cair, mesmo a baixa velocidade. 

É pois um caso sério, em que convém dosear a confiança pois inevitavelmente ela pode morder, se bem que primeiro matica para avisar!

A posição de condução e a visibilidade, seja sentado ou em pé, é muito amiga do condutor e não preciso de entrar em pormenores para garantir que é confortável, mesmo com grandes irregularidades do piso e por largos períodos.

Posso por isso afirmar que nós, amantes do fora de estrada, somos uns privilegiados por termos fabricantes a apostar em fazer modelos de motos que nos permitem fazer Off Road com todo o conforto, até mesmo sentados, sempre com uma estabilidade inquestionável e da forma que qualquer Maxi Trail devia ser… 

As velocidades de Dakar não vale a pena descrevê-las aqui, mas o amortecedor de direcção que vem de origem basta, e muito bem, para garantir uma enorme confiança em qualquer situação. 

A velocidades reduzidas, esta Ducati Multistrada 1200 Enduro também proporciona uma experiencia muito interessante e uma sensação de aventura sublimes.

Para terminar o teste, e com muito cuidado e apreensivo, arrisquei um troço muito técnico, de pedra fixa, alternada com pedras altas e laje solta, para ver se toda aquela agilidade aparente era mesmo verdade… 


Acabar de fazer aqueles quase 1000 metros e não ficar com os braços rijos, nem estar a tremer nem cansado, surpreendeu-me bastante e pela positiva. Por isso, transpor obstáculos? Eles que apareçam, e muitos de preferência!

Quem pretender ter uma moto para passear no alcatrão e desfrutar dos outros 95% de estradas do mundo, já desde há alguns anos atrás que a opção mais correcta é comprar uma Maxi Trail. Mas agora, e se dúvidas ainda houvesse, dissiparam-se ou deixaram mesmo de existir.

E se ninguém desmentir o que já está escrito sobre o comportamento desta moto no alcatrão, então estamos muito perto de realizar um sonho de criança.


Para terminar, apenas quero dizer que não gostei do angulo do descanso lateral. No Off Road muitas vezes temos de parar onde é possível e não onde queremos, pelo que o descanso lateral é fundamental. Mas se o seu angulo não ajuda, pode tornar-se um desafio difícil de superar, mesmo para os mais destemidos.

Também não gostei do tamanho dos poisa pés, sobretudo do esquerdo. É adequado para viagens em alcatrão, e são ambos confortáveis e ergonómicos, mas para Off Road, com botas de cross calçadas, 2 a 3 cm a menos evitavam que as botas e as calças prendessem quando temos de por os pés no chão ou usar o descanso lateral.

Quero ainda agradecer o convite e a oportunidade de ter andado nesta moto. Agora já faço parte dos privilegiados que conhecem uma nova dimensão que, com uns pneus apropriados, me punha a andar até acabar o dinheiro para a gasolina! 

Nem precisava de comida, já que esta mota alimenta a alma. Uma moto que é quanto basta para vivermos as aventuras e as emoções únicas e inesquecíveis que as Maxi Trail proporcionam: até ao infinito… e mais além!

Neste teste usámos o seguinte equipamento:

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Ducati Multistrada 1200 Enduro | Moto | Multistrada

andardemoto.pt @ 7-7-2016 20:50:11


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