Teste Victory Octane - Expresso Cruiser
Um enorme prazer de condução é o mínimo que se consegue aos comandos desta nova moto da marca americana.
andardemoto.pt @ 9-9-2016 13:13:28
Texto: Rogério Carmo Foto: Tozé Canaveira
Depois de tanto se ter escrito, falado, conjecturado e especulado sobre a Victory Octane, antes e depois da sua apresentação à imprensa, e depois de ela ter batido o recorde do maior "burnout da história, tinha uma enorme curiosidade em experimentar esta moto que é a estrela da gama de 2017 da marca nascida a 4 de Julho.
A dúvida principal era se ela conseguia, como anunciado, ser realmente a melhor cruiser da actualidade.
A Victory Octane foi apresentada como a moto mais rápida da marca, seja nos 400 metros de arranque, que completa em menos de 12 segundos, ou no arranque dos 0 aos 100km/h que atinge em menos de quatro segundos.
O facto de o seu processo de desenvolvimento ter tido a colaboração de importantes nomes da cena custom mundial, como Roland Sands, Urs Erbacher e Jack Ness, deixava-me profundamente curioso.
Também por a sua base derivar, tanto em termos de propulsor como em termos de ciclística, de uma moto conceituada e que tem sido um assombroso sucesso de vendas na Europa: a Indian Scout que tão bem conheço (pode ver o teste clicando aqui), completava a lista de razões pelas quais eu queria tirar o assunto a limpo.
Em termos de ficha técnica, a Octane apresenta-se mais potente que a Scout, com o motor a debitar 104cv e mais de 99 Nm de binário, valores mais do que suficientes para uma condução bastante divertida, sobretudo quando se aproveita o regime máximo de funcionamento que vai para lá das 8.000 r.p.m.
O quadro, fabricado em fundição de alumínio, foi revisto com o objectivo de garantir uma grande estabilidade e de um comportamento exemplar, sobretudo no que diz respeito à transferência da potência para o asfalto. Na prática isto revela-se numa enorme facilidade de fazer arrranques canhão que deixam de boca aberta muitos “racers de tupperware” em qualquer semáforo.
A grande distância entre eixos, com 1578mm, permite largar a embraiagem sem receios, e o aprumo do quadro permite arrancar a queimar borracha à moda de “Stunt rider” sem qualquer dificuldade.
A inclinação lateral é manifestamente insuficiente, pois o aprumo do conjunto permitia uma inclinação maior sem comprometer a estabilidade, mas ainda assim, os e 32º de inclinação máxima representam um valor muito superior ao da generalidade da concorrência.
A travagem é potente, mas o único disco na roda dianteira acusa o esforço caso se queira desfrutar de andamentos vivos em estradas de curvas. A sua mordida não é tão incisiva quanto poderia ser, mas ainda assim a sua eficácia é maior do que a da maioria das suas concorrentes directas.
Manobrar é fácil, com a cintura estreita o assento baixo permite um bom acesso dos pés ao chão. A brecagem relativamente boa e o baixo peso do conjunto favorecem os motociclistas de estaturas mais baixas.
A posição de condução é bastante agradável, e o único senão é a dureza do assento que se faz notar muito antes do fim da autonomia.
Tive oportunidade de ir com a Victory Octane à XXIII Concentração de Góis. Fomos pelo caminho mais difícil para uma cruiser, que é como quem diz por Castelo Branco e sem auto-estradas, e pude desfrutar com ela das curvas do Ródão e da fabulosa N112 até à Portela do Vento, onde encontrámos a N2 e uma inesperada chuva.
O regresso a Lisboa foi ainda mais agradável, com uma passagem pela Serra da Estrela. No total foram perto de 1300 km de intimidade, em que à força das curvas a Octane acabou por ficar mais leve, com o colector e os escapes a perderem peso de tanto rasparem no asfalto.
O motor mostra-se sempre disponível. Por exemplo, a rolar em sexta velocidade a 80km/h, basta rodar o punho que a Octane salta para a frente, sem hesitações, como se tivesse sido abalroada por um camião desgovernado, numa aceleração fascinante até velocidades capazes de nos tirar bastantes pontos da carta de condução!
Em termos de consumos, e apesar de não ter sido minimamente cuidadoso, a Octane mostrou-se bastante parca, com os quase 13 litros de capacidade do depósito a conseguirem fazer sempre 200km (uma média sempre inferior a 6 litros aos 100km).
Se esta nova Victory é ou não a melhor cruiser da actualidade, depende muito de uma análise subjectiva, influenciada por gostos pessoais. Mas que ela é efectivamente uma das mais rápidas, manobráveis, eficazes e prazenteiras de conduzir, disso não me ficou dúvida rigorosamente nenhuma. O epíteto de Expresso Cruiser assenta-lhe na perfeição!
Galaria de fotos:
Conclusão:
Se pretende abraçar o mundo das cruisers, e sobretudo se já teve motos mais desportivas, ou se apenas pretende mais potência, então deve considerar experimentar a Victory Octane. O desempenho do motor V-Twin de 1200cc refrigerado por líquido, com 4 válvulas em cada cabeça e corpos de alimentação de 60mm vai seguramente impressioná-lo.
Minimalista, esta moto presta-se também a, de forma muito fácil, ser personalizada a seu gosto sem grandes custos adicionais. Apesar de a unidade testada estar apenas dotada de assento para o condutor, a Octane está homologada para transportar passageiro. Basta adquirir o kit de assento e poisa-pés extra.
andardemoto.pt @ 9-9-2016 13:13:28
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