Teste Suzuki SV650A - Fénix renascida
Vinda directamente do passado, a "SV" apresenta-se renovada no aspecto, mas fiel à sua filosofia original.
andardemoto.pt @ 16-9-2016 12:19:52
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
A primeira Suzuki SV650 saiu da fábrica de Hamamatsu no limiar do século passado. Foi descontinuada dez anos depois, em 2009 sendo substituída pela famigerada Gladius que nunca foi bem compreendida pelos motociclistas, apesar de apresentar significativas melhorias relativamente à versão original.
Finalmente a Suzuki decidiu fazer algo em prol dos motociclistas urbanos e mais conservadores, e reeditou a sua bicilíndrica de média cilindrada, com características que respeitam a directiva Euro4. Basicamente recebe ABS e tem uma injecção de combustível optimizada para fazer face aos limites de emissões de poluentes.
Bastante mais estilizada, com linhas mais limpas e esguias, os menos oito quilos de peso total, quando comparada com a versão anterior, são resultado do "restyling" desta versão que se vê aligeirada sobretudo ao nível das carenagens.
As sua linhas clássicas, com o motor “V-Twin” suportado por um elegante quadro em treliça de tubos de aço, e o distinto farol redondo na dianteira, contrastam com a revolução que tem sido feita, ao longos dos anos, no mais do que provado e comprovado motor, e cuja suavidade de funcionamento é quase desconcertante e pouco comum nesta configuração.
A começar nos corpos de admissão duplos, com 39mm de diâmetro, que melhoram o consumo e a resposta ao acelerador, até aos pistões, com saias revestidas a resina, tendo o do cilindro superior visto ser alterada a configuração dos segmentos, tudo em prol de uma significativa redução do atrito de funcionamento. No total são mais de 60 novos componentes que contribuem para o resultado final, tudo isto mantendo (assim se espera e nada indica o contrário) a fiabilidade que lhe é típica.
Também a nova linha de escape e a nova caixa de ar dão o seu contributo para a notória melhoria de desempenho do bicilíndrico em “V” a 90º que assim consegue um ganho de 5cv na potência (apesar de a Suzuki não divulgar oficialmente os valores de potência debitados pelos seus motores, várias fontes revelam uma cifra perto dos 75cv).
Esta nova SV650A revela-se uma excelente companhia para o dia-a-dia. Leve, ágil, suave na potência e no tacto, minimalista nas linhas, no consumo e no conceito, presta-se também a umas sessões de terapia numa qualquer estrada de curvas.
Muito intuitiva e fácil de mudar de direcção, o motor e o quadro estão manifestamente acima da capacidade de travagem, um dos poucos aspectos menos positivos do conjunto e que poderia perfeitamente ser alvo de um “Up-grade” urgente, apesar de não ser pior que as soluções oferecidas pela concorrência directa.
Mas esse aspecto é minimizado quando se encara todo o conjunto, que não está vocacionado para prestações altamente desportivas, mas antes para deslocações mais calmas coniventes com uma utilização frequente em ambiente urbano.
Aí, a Suzuki faz-se valer de uma arma secreta que dá pelo nome de “Low RPM assist”, um sistema de regulação automática do ralenti durante o arranque, e que minimiza o risco de deixar o motor “ir abaixo”.
Em qualquer semáforo, basta engrenar a primeira relação de caixa e, mesmo sem acelerar, largar a manete da embraiagem. Uma boa ajuda sobretudo para os motociclistas mais inexperientes. Os mais experientes nem sequer dão pelo sistema!
Também o arranque do motor tem ajuda electrónica, bastando apenas premir ligeira e brevemente o botão de arranque, para que a centralina ponha o motor a funcionar.
Renascida das cinzas, esta renovada Suzuki agrada pela simplicidade do conceito e pela facilidade e prazer de condução que transmite.
Conclusão
Se pretende uma moto clássica e discreta, polivalente, económica e fiável. Se a sua estatura é baixa e gosta de assentar bem ambos os pés no chão. Se de vez em quando gosta de ir “fazer umas curvas”, então esta Suzuki SV650A pode bem ser a moto que procura.
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andardemoto.pt @ 16-9-2016 12:19:52
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