Suzuki V-Strom 1000 - Fiel Companheira

Extremamente competente a cobrir longas distâncias em pouco tempo seja qual for o tipo de estrada, a renovada V-Strom revelou-se uma agradável surpresa

AdM @ 11-7-2017 11:06:39 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Suzuki V-STROM 1000 | Moto | Turismo enduro

Este teste à nova  Suzuki V-Strom 1000 começou com uma agradável sensação de bem estar aos seus comandos. “Maneirinha” foi o primeiro item da lista de adjectivos que normalmente vou registando, mentalmente, durante os dias em que ando a testar qualquer uma das motos sobre as quais, semanalmente e já há alguns anos, lhes tenho vindo a apresentar.

Maneirinha porque entre o complicado trânsito suburbano da nossa capital, ela esgueirava-se muito bem, apesar do volume criado pelas malas laterais. A boa brecagem, a muita precisão da direcção, o bom equilíbrio dinâmico e o aprumo da ciclística marcaram este meu primeiro contacto com a “big trail” da casa de Hamamatsu.

Efectivamente não tinha tido oportunidade de testar o modelo que a antecedeu, chegado ao mercado em 2014, e ao qual ela permanece basicamente idêntica, apesar das imposições da normativa Euro4 terem originado uma “revisão” do motor bicilíndrico em V, e de terem sido feitas algumas ligeiras alterações sobretudo estéticas, a nível da carenagem e do assento.

Inserida por direito próprio na categoria das motos da moda, a das “Sport Adventure”, “Dual Sport”, “Big Trail”, ou Turismo Enduro como a Suzuki a define,  a V-Strom 1000 é, sem qualquer dúvida, uma das mais ágeis motos da sua classe.

Muito fácil de manobrar, quer a baixa velocidade quer à mão, e mesmo com passageiro, a V-Strom surpreende pela sua elevada agilidade.

A ciclística é imaculada, com uma suspensão bastante firme, mas cómoda, e uma travagem potente e muito doseável na roda da frente, que podia ser um pouco mais incisiva na roda traseira. No entanto, isso não pode ser considerado um ponto negativo.

Em contrapartida, muda de direcção com enorme facilidade, mantém-se estável mesmo nas travagens mais fortes, absorve as maiores irregularidades do piso com grande mestria, sendo por isso também, muito confortável em andamento.

O ABS apresenta-se muito pouco intrusivo, mal se dando pela sua existência, e é pena que  não possa ser desligado, sobretudo o da roda traseira, tendo em conta que a V-Strom se revela bastante competente a andar em pisos menos firmes.

Já que comecei a falar das ajudas electrónicas à condução, fica aqui já uma menção de agrado pelo desempenho do controlo de tracção, gerido por uma unidade de medição de inércia (IMU) da Bosch, que analisa as acelerações em 5 eixos, e cuja resposta muito rápida proporciona uma intervenção também muito pouco intrusiva.

A sua regulação, em dois níveis, é muito fácil, ao alcance do polegar esquerdo, e o nível de intervenção fica permanentemente indicado no painel de instrumentos, mantendo-se memorizado mesmo depois de se desligar a moto, inclusivamente quando se opta por o desligar, particularidade muito conveniente para quem quer aproveitar as competências da V-Strom fora de estrada.


A suspensão mostra-se firme, mas muito confortável, e não perde qualidade com carga e passageiro. A forquilha invertida mostra um comportamento muito saudável, mesmo quando tem que enfrentar curvas a descer e com carga. O amortecedor traseiro garante um comportamento compatível, e possui regulação remota da pré-carga.

Muito intuitiva a curvar, proporciona uma grande confiança, tanto pela estabilidade como pela precisão da direcção.

O motor bicilíndrico a 90º, DOHC, catapulta a V-Strom decididamente para a frente, com os seus 101cv de potência e 100Nm de binário, a revelarem-se incansáveis na tarefa de levar condutor, passageiro e carga, em bom ritmo, estrada fora, por mais movimentada, retorcida ou inclinada que seja. A grande disponibilidade de binário a baixa rotação e a facilidade que mostra em subir de rotação, tornam-na extremamente agradável de conduzir e fácil de levar, sobretudo quando se está com pressa.

No entanto o seu funcionamento é pouco cativante, sobretudo pelo registo bastante rústico e pouco melódico e pela falta de suavidade de funcionamento, sobretudo a baixa rotação. Mas a disponibilidade da entrega de potência, practicamente logo a partir do ralenti, é notável, e acaba por compensar a rude sonoridade. 

Por outro lado, a caixa de velocidades é muito precisa e de accionamento muito suave, apresentando um curso de pedal que poderia eventualmente ser mais curto, mas que em nada afecta nem a eficácia nem o prazer de condução.

O depósito, com capacidade para 20 litros, mostra-se suficiente para garantir autonomias muito perto dos 300 quilómetros. Ao longo dos mais de 1000km que pude desfrutar da sua companhia, incluindo uma ida e volta de Lisboa a Faro num só dia, com temperaturas a rondar os 35ºC e a desfrutar das curvas do troço histórico da N2 entre Almodôvar e Faro, com passageiro e carga e em ritmo apressado, a V-Strom mostrou-se muito comedida em termos de consumo, registando valores sempre abaixo dos 7 litros aos 100km.


A iluminação é boa, com um foco bem distribuído e boa amplitude, mas o farol carece de regulação, pelo que, com passageiro e carga, é quase imperativo aumentar a pré-carga da mola traseira, sob pena de os máximos terem pouca utilidade e os médios encandearem os condutores que circulem em sentido contrário.

A ausência de descanso central, apesar de o lateral ser bastante estável, pode ser um problema casa se pretenda estacionar a moto em segurança em pisos menos nivelados, ou quando for altura de lubrificar a corrente.

E por fim a ergonomia. A Suzuki V-Strom é, entre toda a concorrência, a que oferece a posição de condução mais desportiva, com o guiador mais baixo e os poisa-pés mais recuados, mas oferece diversas possibilidades de regulação.

A protecção aerodinâmica é razoável, e o calor irradiado pelo motor é bem dissipado nunca chegando a comprometer o conforto, mesmo nos dias mais quentes.

Apenas o assento poderia ser um pouco mais confortável já que, ao cabo de um dia de viagem se mostra demasiado desconfortável, sobretudo pela sua exagerada firmeza.

Conclusão: se pretende uma moto simples, descomplicada, com um motor eficaz que permita uma condução despreocupada em viagem, seja por estradas encadeadas ou por auto-estrada, a Suzuki V-Strom 1000 é uma moto que deve considerar.  

No entanto, se pretende uma moto mais polivalente, não deve colocar de lado a hipótese de optar pela sua “irmã” mais pequena, que recentemente lhe demos a conhecer nestas páginas (clique aqui para ver o teste da Suzuki V-Strom 650) e que além de mais leve e manobrável, é também mais económica sob todos os aspectos.

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:


Capacete Schuberth E1

Botas TCX Infinity Evo Gore-Tex

Blusão RSW Touring 

Calças Macna Transfer

Luvas Macna Saber


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AdM @ 11-7-2017 11:06:39 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira



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