Teste Honda CB125R - Mais do que uma 125cc

As novas gerações de motociclistas têm cada vez mais pretextos para abraçar o mundo das motos. E esta nova Honda de inspiração “Neo Sports Café” é, sem dúvida, um deles!

andardemoto.pt @ 11-3-2018 22:48:36 - Texto: Rogério Carmo

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Honda CB125R | Moto | Naked

Se é verdade que os homens não se medem aos palmos, também é cada vez mais um facto que as motos não se medem nem pelos cavalos nem pelos centímetros cúbicos. A Honda é, talvez, o grande construtor que melhor aplica na prática esta premissa, e desde os modelos de maior cilindrada até às mais modestas motos de iniciação, tanto a cavalagem como a cilindrada não são uma das suas principais preocupações quando desenvolvem um novo modelo, preferindo debruçar-se sobre factores como a qualidade de construção, a segurança e a facilidade de condução.

Esta nova Honda CB125R, que tive a oportunidade de ser dos primeiros a testar após o convite da marca para a sua apresentação internacional em Lisboa, há cerca de uma semana, é disso um exemplo, e além de ser um exercício de estilo muito bem conseguido, é uma excelente solução de mobilidade para “miúdos e graúdos de todos os sexos”.

Inspirada no conceito “Neo Sports Café”, apresentado mo final de 2017 no Salão de Milão - EICMA, a  sua qualidade de construção é irrepreensível a todos os níveis. Os acabamentos são perfeitos e cuidados, a ergonomia é excelente mesmo para alguém de tamanho XL, com uma posição de condução elevada e muito espaço, sendo que o conforto é elevado e o comportamento dinâmico revela-se superior à média da sua classe.

Dotada do mais que consagrado motor monocilíndrico de refrigeração por líquido da CBR125R, a debitar apenas menos 2 cavalos do que o máximo permitido pela “lei das 125”, mas com um peso em ordem de marcha recordista, de apenas 126kg, esta nova CB125R proporciona um enorme prazer de condução.

Apesar de o binário máximo de 10Nm se registar apenas às 8.000rpm, a sua disponibilidade é linear, e a partir das 4.000rpm a resposta é viva, limpa e sem reservas, sempre com enorme suavidade, sem vestígios de vibrações ou ruídos parasitas.

O som, emitido por um escape desenhado e posicionado especificamente para potenciar a experiência de condução, parece provir de uma moto de bastante maior cilindrada e potencia a sensação de velocidade.

Com um depósito de combustível com capacidade para 10 litros, a Honda anuncia autonomias a rondar os 300km, e a verdade é que no final do teste, os computadores de bordo das diversas motos apresentavam, todos eles, valores inferiores a 3,5 litros aos 100km. 


Isto sem que tivesse havido, durante todo o dia e ao longo dos mais de 120km percorridos, qualquer tipo de contemplação economicista ou ecológica (antes pelo contrário) por parte dos jornalistas presentes, que puderam desfrutar de curvas tão interessantes como as da estrada da Lagoa Azul, em Sintra, onde a grande revelação foi a suavidade e precisão da caixa de 6 velocidades, e desafios tão interessantes quanto o IC19, a caminho de Lisboa, que deu para perceber que, aos comandos desta moto, é mesmo necessário ter atenção aos radares de velocidade!

Por falar nisso, o painel de instrumentos em cristal líquido é extremamente legível, com muito contraste, e personalizável tanto em termos de brilho, como em termos de programação e intensidade do sinalizador de optimização de binário, uma luz branca que pisca em intervalos regulares para avisar que está na hora de mudar a relação de caixa.

Além disso o painel apresenta informação essencial, incluindo o nível de combustível e a mudança engrenada, para além de outros dados habituais. A navegação é feita a partir de dois botões no próprio painel, que infelizmente obrigam a retirar as mãos do guiador.

A ciclística convence em diversos aspectos: o centro de gravidade muito baixo e compacto é o resultado de um excelente exercício de engenharia, que centraliza as massas e as reparte numa proporção de 51,6% na frente e 48,4% na traseira, que não torna a direcção demasiado pesada, mas optimiza a tracção e a travagem.

O peso, reduzido ao máximo, conta com elementos como o farol de LED extra-fino, o compacto painel de instrumentos digital, o estilizado suporte de matrícula, as jantes em liga leve, o braço oscilante (completamente redesenhado) de espessuras variadas e as próprias suspensões de paredes finas, que foram fundamentais para o resultado conseguido.

Como resultado prático de tudo isto, a CB125R revela-se extremamente manobrável, ágil e o seu comportamento tanto em curva, onde pode atingir os 40º de inclinação lateral, como sob forte travagem, é referencial. 

A forquilha invertida, uma Showa de 41mm, do mesmo tamanho da usada na Honda X-ADV, tem um comportamento muito honesto, com um desempenho firme mesmo em pisos pouco nivelados como os da calçada Lisboeta, enquanto que mantém os níveis de conforto dentro de parâmetros muito aceitáveis; tal como o faz o amortecedor traseiro, de pré-carga regulável, um novo modelo com câmaras de gás e óleo separadas, que permite a sua instalação mais perto do centro de gravidade, para centralizar ainda mais as massas.

A travagem, por seu lado, revela-se bastante tolerante. Sem uma mordida inicial brusca, a pinça de 4 pistões de montagem radial, semelhante à que equipa a Africa Twin, e que morde um disco flutuante de 296mm, é suficientemente potente para garantir desacelerações bastante fortes, sendo perfeita em pisos menos aderentes ou para condutores iniciados, mas a permitir uma boa dosagem.


E ainda é assistida por um ABS cujo modulador está ligado a uma unidade de medição de inércia (IMU - Inertial Measurement Unit‎) de duas vias, ou seja, a actuar em ambos os eixos, sendo a primeira moto da sua categoria a utilizar esta tecnologia até agora reservada apenas às “grandes cilindradas”.

A IMU faz 100 leituras por segundo, e calcula a travagem simultânea de ambas as rodas, de forma a impedir que a traseira descole do solo, maximizando a travagem e a própria estabilidade da moto, algo que nas outras 125cc dotadas de ABS (são ainda muitas que apenas contam com travagem combinada) este apenas incide sobre a roda dianteira.

E como para travar é preciso criar atrito, a Honda não se fez rogada, e fazendo também um grande favor à estética, dotou esta nova CB125R de pneus com dimensões impactantes: 110 na frente e 150 na traseira, ambos de 17 polegadas.

Os comandos são leves, e bem posicionados, com destaque para a manete da embraiagem que tem um accionamento extremamente suave, pecando apenas por não ter afinação. O descanso lateral é estável e de acesso fácil, o assento é firme, mas muito confortável, e ao final do dia ainda não causava qualquer desconforto. Também os espelhos estão bem colocados e proporcionam uma boa visibilidade da retaguarda.

Por isso a CB125R é mais do que uma 125cc. É um veículo urbano de alta mobilidade, confortável, seguro e com um inquestionável estilo moderno elegante e apelativo.

Disponível nos concessionários Honda durante o mês de Março 2018, em quatro cores: vermelho, preto, branco e cinza metalizado, por um preço de 4.390€ (iva incluido), esta é seguramente uma opção a ter em conta se procura uma moto cheia de estilo para o seu dia-a-dia urbano, e para umas pequenas voltas ao fim-de-semana. Se é novo neste mundo das motos, e se apenas tem carta de categoria B, pois fique a saber que dificilmente encontra melhor opção no mercado. Sobretudo se a sua estatura física for acima da média.

Veja a Honda CB125R em pormenor:

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Honda CB125R | Moto | Naked

andardemoto.pt @ 11-3-2018 22:48:36 - Texto: Rogério Carmo