Teste Yamaha Tracer 900 / 900GT - Rastilho Curto

A Yamaha fez uma aposta forte na renovação da sua "Sport Tourer" de cilindrada intermédia. Mais adulta, para enfrentar os desafios de quem gosta de fazer viagens rápidas, a Tracer está agora disponível em duas versões, que correspondem a dois níveis de acessorização. Fomos ver como se comportam.

andardemoto.pt @ 24-4-2018 02:36:25 - Texto: Rogério Carmo


O segmento Sport Touring é o segundo mais bem sucedido da gama Yamaha. Com uma fatia de 22% do bolo total de vendas, logo atrás do segmento Hyper Naked responsável por 48% do total e bastante destacado do segmento Sport Heritage, que ainda assim tem uma importância de 12% das vendas, a nova Yamaha Tracer 900 pretende com esta nova versão conquistar ainda mais corações do que as 35.000 unidades vendidas desde o seu lançamento, em 2015.

Tanto em 2016 como em 2017 as suas vendas representaram mais de 30% de cota de mercado europeu do seu segmento, sendo líder de vendas absoluta. Segundo dados fornecidos pela marca, a sua mais feroz concorrente é a BMW S1000XR, a quem atribui uma cota de 18%, logo seguida pela Triumph Tiger 800, com 14%. Não muito longe anda a Ducati Multistrada 950, com 12% das vendas.

Mas não nos vamos alongar sobre os números, porque a Yamaha Tracer 900 é uma moto para ser usada, abusada até! E a Yamaha empenhou-se em torná-la ainda mais eficaz. Aumentou-lhe a versatilidade, o conforto, a qualidade, apurou o design, e ainda criou uma versão “topo de gama”, que torna esta "sport turística" ainda mais apetecível. Vamos por partes.

O aumento da versatilidade e do conforto começou com a diminuição da largura do guiador: 10cm mais estreito, além de se tornar menos intrusivo no meio do trânsito, é mais confortável para os motociclistas de estatura mais débil, e ainda contribui para manter a direcção mais estável.

Para aumentar a estabilidade a alta velocidade, e a tracção, sobretudo com malas, o braço oscilante das novas Tracer 900 foi redesenhado, e o seu comprimento aumentou 6 centímetros, o que fez com que a distância entre eixos se alongasse para precisamente 1500mm, isto sem perder nem um dos 150mm de altura livre ao solo.

Também o assento foi revisto, mantendo a regulação em duas posições, mas estando agora meio centímetro mais alto, sobretudo devido ao novo estofo, que tenta disfarçar um formato mais estreito entre as pernas, que favorece as manobras, mas que castiga um pouco o fundo das costas. No entanto, o triângulo ergonómico (punhos, assento, poisa-pés) mantém practicamente a mesma proporção.

Regra geral, foi dada muita atenção ao passageiro, que agora poderá desfrutar de poisa-pés colocados mais abaixo, e mais largos, tal como as pegas do assento, bastante mais ergonómicas que as da versão anterior. O estofo do assento também foi cuidadosamente revisto para proporcionar uma viagem mais confortável. Foi inclusivamente modificado o sub-quadro, que agora é ligeiramente mais longo e comporta os discretos suportes para as malas laterais.

A protecção aerodinâmica também foi alvo de atenções, tendo sido modificadas as protecções de punhos, agora de dimensões mais reduzidas, e o ecrã pára-brisas, com um novo formato e que conta com uma regulação simples e prática que pode ser feita em andamento e com uma só mão.

As linhas simples e leves das carenagens foram modernizadas, enfatizando o elemento desportivo, a par com uma grande praticidade, e ainda realçando a qualidade e o refinamento tecnológico.

E para elevar a Tracer 900 do patamar “Sport-Touring” para o “Grand-Touring”, a Yamaha criou, para 2018, uma versão “GT”.

Destinada a uma clientela mais exigente e tecnológica, a GT, ligeiramente mais cara,  apresenta-se com pretensões “premium” que esgrimem bons argumentos perante a concorrência.

Dotada de suspensões completamente reguláveis, que na traseira contam com um afinador remoto da pré-carga, controlo de velocidade automático (Cruise Control), painel de instrumentos em TFT, punhos aquecidos, malas laterais rígidas, com capacidade para 22 litros cada (infelizmente não comportam um capacete integral) e pintadas à cor das carenagens, e ainda um “quickshifter” que (também infelizmente) não é integral, apenas funcionando para subir nas relações da caixa de velocidades, a versão GT é uma séria candidata a roubar os corações de muito bom motociclista.


E a versão GT foi precisamente aquela com que mais quilómetros percorri as belas estradas envolventes da Sierra (literalmente) Nevada, nos arredores de Granada, aquando da apresentação internacional aos média, destes modelos de 2018 da Yamaha.

Mal me sentei na Tracer 900 GT, reavivou-se-me imediatamente a sensação de leveza e agilidade típicas da plataforma CP3, originária da MT-09.

Assim que comecei a traçar as primeiras curvas, percebi que a Tracer, apesar de mais “madura” e debaixo das novas e mais elegantes vestes, continua a ser a deliciosa arruaceira de rastilho curto que tinha conhecido há cerca de 3 anos, quando testei para estas páginas (clique para ver) uma das primeiras unidades a chegar ao nosso país.

O motor tricilíndrico de cambota "crossplane" continua a colocar um sorriso na nossa boca a cada enrolar de punho, e sobe de rotação alegremente, escondendo com a música do escape, o formigueiro que se sente nos pés, nas virilhas, nas mãos e nos espelhos retrovisores, quando o regime passa pra lá das 5.000rpm.

A caixa de velocidades é um pouco rústica, mas precisa e bem escalonada, aproveitando ao máximo o potencial que o motor tem de responder prontamente, mesmo a baixa rotação. A  ritmos mais “acesos” a embraiagem deslizante e assistida tem alguma dificuldade em digerir o elevado binário negativo que o motor desenvolve em desaceleração, sendo ainda assim uma preciosa ajuda em estradas de montanha.

Os travões são incrivelmente potentes, muito doseáveis, de trato muito leve tanto na manete como no pedal. 

A suspensão, que como já referi, na versão GT é completamente regulável, é muito eficaz a digerir as irregularidades do piso, mantendo as borrachas bem coladas ao asfalto, no entanto, em termos de conforto, ou se opta por uma regulação mais macia e confortável, ou por uma condução mais desportiva, já que devido à sua extrema sensibilidade e rapidez, a direcção necessita de uma grande firmeza na forquilha para transmitir confiança. O mesmo acontece com as malas instaladas. Quanto maior a velocidade, mais duro necessita estar o amortecedor traseiro, para evitar ondulações.

Ao nível do posto de condução, a versão GT brinda-nos com a clareza e alegria do painel TFT de cor integral, e de um conjunto de comandos que, de forma intuitiva, nos permite navegar por entre a muita informação disponível, além de permitir ainda aceder a outras funções da electrónica como os modos de motor, o nível de intervenção do controlo de tracção, ou até mesmo ligar e regular o aquecimento dos punhos.

Tracer 900 - A versão base

A versão base da Tracer 900 difere da versão GT por um nível inferior de equipamento. Não possui TFT, antes tem um painel LCD que relembra o das Super Ténéré, as suas suspensões não apresentam regulação nem o acabamento dourado na forquilha, não tem punhos aquecidos, nem “Cruise Control”, nem “quickshifter”. As malas laterais são opcionais, mas no entanto, também possui de série descanso central e protecções de punhos, e os suportes das malas laterais também estão incluídos.

O depósito de combustível mantém os 18 litros de capacidade, mas o consumo mais reduzido das novas Tracer 900, potencia a autonomia.

Durante os mais de 230km que pude efectuar ao longo do dia do teste dinâmico, o computador de bordo registou valores médios na ordem dos 5,6 litros, com andamentos que em certas alturas, se poderiam considerar pouco ortodoxos.

Não tendo tido oportunidade de andar de noite, e sem qualquer referência nem no “press kit” nem na apresentação estática, presumo que a iluminação se mantém sem alterações.


A quem recomendo esta nova Tracer?

Pois independentemente da versão, qualquer motociclista experiente, que tenha pretensões de adquirir uma moto versátil, polivalente, capaz de dar umas boas voltas aos fins-de-semana, ou mesmo nas férias, com passageiro e bagagem moderada, vai poder usufruir do potencial de qualquer uma delas. Mesmo um “lobo solitário” que aprecie longas tiradas com elevadas doses de adrenalina, não verá as suas expectativas defraudadas se decidir fazer-se à estrada com qualquer uma das duas versões.

Claro está que a “GT” oferece um maior nível de conforto, permitindo cobrir grandes distâncias, mesmo com fracas condições meteorológicas.

Qualquer uma delas, tirando-lhes as malas, é ainda perfeitamente capaz de enfrentar o caos do trânsito urbano, esgueirando-se bem entre as filas, beneficiando da boa brecagem, da agilidade do conjunto, e da elevada visibilidade que a posição elevada oferece.

A versão base já está disponível nos concessionários da marca, em duas opções cromáticas; Nimbus Grey e Tech Black

A versão “GT” apenas está prevista chegar a Portugal em Junho de 2018, e vai estar disponível em 3 cores: Midnight Black, Nimbus Grey e Phantom Blue

Clique para ver as especificações técnicas e os preços.

Veja a Yamaha Tracer 900 GT em pormenor:

Equipamento:


andardemoto.pt @ 24-4-2018 02:36:25 - Texto: Rogério Carmo