IOMTT – O Turist Trophy da Ilha de Man e a criação de mitos
Durante mais de 110 anos, a Ilha de Man, ou Mona's Isle, tem tido um papel incontornável no mundo das motos. Marcas e pilotos, profissionais ou amadores, veteranos ou recém chegados, investem tudo o que de mais precioso têm em busca de glória.
andardemoto.pt @ 4-6-2015 15:42:13
A fama é tanta que, hoje em dia, a Ilha de Man é um destino ambicionado por qualquer motociclista. Um destino e um verdadeiro desafio já que durante as semanas de provas e treinos é tão difícil lá chegar como arranjar alojamento. Se para lá vai, ou se por cá fica a acompanhar à distância, então deixamos-lhe aqui, em jeito de resumo, alguns dados históricos:
As corridas chegaram à pequena ilha do Mar da Irlanda em 1904, depois de o governo britânico ter criado uma lei que proibia o fecho das vias públicas para a realização de corridas de qualquer espécie. O governo independente da ilha criou então legislação específica no sentido de permitir que as suas estradas pudessem ser fechadas para a realização dessas provas, tendo assim dado o primeiro passo para que Man (ou Manx no dialecto local) se tornasse na Capital Mundial do “Road Racing”.
No início, o circuito tinha um traçado diferente (Short Course) com apenas 24,14 km e as médias de velocidade por volta situavam-se abaixo dos 60 km/h.
A primeira prova do Turist Trophy realizou-se numa 3a feira, dia 28 de Maio de 1907. Foi organizada pelo Auto-Cycle Club, e consistia em 10 voltas ao então chamado "St John’s Short Course", cuja traçado tinha uma extensão de 15 milhas. Competiram duas classes de motos:
- A primeira categoria destinada a motores monocilíndricos que foi ganha por Charlie Collier oas comandos de uma Matchless, tendo demorado 4 horas, 8 minutos e 8 segundos a completar a prova, registando uma média de 38,21mph (61,49km/h).
- A segunda categoria, reservada aos motores bicilíndricos, foi ganha por Rem Fowler aos comandos de uma Norton, que registou uma média de 58,27km/h
Para marcar o carácter de natureza turística, as motos tinham que estar equipadas com assento, pedais, guarda-lamas e silenciadores de escape!
Em 1911, um já alargado circuito denominado Mountain Course recebeu apenas duas provas: A Júnior TT, ganha por P J Evans numa Humber com uma média de 66,7 km/h, e a Sénior TT ganha por Oliver Godfrey numa Indian com uma média de 76,7 km/h.
Mas o actual Mountain Circuit apenas começou a ser usado em 1913, mantendo hoje basicamente o mesmo traçado com 264 curvas. No total são 60,75 km de estradas públicas que se transformam numa pista de competição que, logo na estreia, criou a sua primeira vítima mortal e que todos os anos reclama novas vitimas, contribuindo para que o Tourist Trophy tenha a fama de ser a mais perigosa corrida do mundo.
Desde então que o grande objectivo dos pilotos é bater o recorde de tempo gasto para cumprir uma volta ao circuito, num desafio perigoso e inexplicável.
No início, a Mountain Road pouco mais era do que um caminho, e havia cancelas e portões ao longo do percurso que tinham que ser abertos pelo primeiro piloto e fechados pelo último. Entretanto, com a guerra, as corridas terminaram e só em 1920 é que voltaram. Nesse ano, a volta mais rápida do Júnior TT registou uma média de 70,4 km/h e no Sénior TT de 77,7 km/h. Nessa altura, as estradas apesar de terem melhorado ligeiramente, ainda não eram fechadas ao trânsito durante as sessões de treinos, causando alguns perigos extra aos pilotos.
Em 1922 surge a classe de 250cc que registou logo uma média de 80,3 km/h, bastante modesta quando comparada com o recorde conseguido no Sénior TT desse mesmo ano, uns já bastante dignos 96,5 km/h.
1923 viu a primeira corrida de sidecars que registou uma média de 85,5 km/h.
Mas foi preciso esperar 35 anos, até 1957, para se quebrar a barreira mágica das 100 milhas por hora (161 km/h), feito conseguido por uma Gilera e pelo seu piloto escocês Bob McIntyre.
Foi em 1961 que Mike Hailwood ganhou o primeiro dos seus 14 TT’s, sendo que logo nesse ano ganhou três, já que correu em 125cc e 250cc, conquistando os dois primeiros troféus para uma marca japonesa, a Honda, e ainda venceu o Senior TT numa Norton.
Segundo os especialistas, terá sido em 1967 que aconteceu a maior corrida de sempre de um TT.
Protagonizada por Hailwood na sua Honda e Agostini na sua MV Agusta, num Senior TT onde Hailwood estabeleceu um recorde de 175 km/h que se manteve até 1975. Em 1972, Giacomo Agostini e Phil Read, na sequência do acidente fatal de um piloto de 125cc, declararam que o circuito era demasiado perigoso para as potentes motos da época. “Ago” ainda venceu o Senior TT desse ano, que terá sido o último em que participou. Ele e os demais pilotos de primeira linha, deixaram de estar presentes na mítica competição.
Em 1975 o recorde de Hailwood foi batido, por uma Kawasaki tricilindrica a dois tempos, passando para uma média de 176,7 km/h.
1976 foi o último ano em que o TT coincidiu com o British Grand Prix. Muita gente pensou que isto fosse o fim da mítica prova, mas não.
1977 assistiu à primeira das 26 vitórias de Joey Dunlop. E também Phil Read voltou à prova para vencer a Formula One e assim se sagrar novamente campeão do mundo. O ano ainda ficou assinalado pelo facto de, pela primeira vez, um sidecar ultrapassar a média das 100 milhas por hora.
1978 assistiu ao regresso de Mike Hailwood após 11 anos de ausência, facto que arrastou multidões curiosas de saber se ele iria ser capaz de ganhar ou iria sair derrotado. Mas Hailwood venceu a Formula One e sagrou-se novamente campeão do mundo.
Em 1980 Joey Dunlop voltou a bater o recorde absoluto do circuito, colocando-o em 185,4 km/h. 1983 marcou o início de uma série de seis vitórias consecutivas de Dunlop em Formula One, como piloto Honda. 1989 ficou marcado pela mão de Steve Hislop que, aos comandos de uma Honda, ultrapassou a marca das 120 milhas por hora, com o cronómetro a comprovar uma média de 195,3 km/h.
O primeiro ano do novo milénio ficou para a história por ser o último em que Joey Dunlop viria a vencer os últimos três TT’s da sua vida. Venceu a Formula One, a Ultra Lightweight e a Lightweight somando no total 26 vitórias em TT. Veio a falecer poucos dias mais tarde, em Tallinn na Estónia, também numa corrida de "road Racing", após perder o controle de sua moto na pista molhada e ter embatido violentamente contra as árvores da berma.
2009 deu-nos a alegria de ver o saudoso português Luís Carreira, entrar para a história do TT por ser o melhor "rookie" do ano, registando uma média de 196,4 km/h aos comandos da sua Suzuki.
Actualmente John McGuinness é o piloto mais cotado nesta competição. Com 21 troféus conquistados, é o piloto no activo mais bem sucedido da competição. O seu principal rival no momento é sobrinho do único homem que tem mais troféus do que ele, o mítico Joey Dunlop. Michael Dunlop é um dos poucos pilotos capaz de deter a ambição de McGuinness de roubar o estatuto do seu tio.
Também as marcas se digladiam por visibilidade, e esta apenas se consegue sob a forma de vitórias, ou pelo menos, idas ao pódio.
A par com as corridas principais, há ainda o SES TT Zero da Ilha de Man, onde motos eléctricas competem entre si, e indirectamente contra as motos convencionais, com motores de combustão interna, numa vertiginosa escalada de recordes.
É o caso da Mugen, que venceu a prova em 2014, 2015 e 2016, detendo o recorde de volta mais rápida para veículos eléctricos, conquistado no ano de 2015 por John McGuinness, que registou uma média de 119,279mph (191,96 km/h), bastante próximo já do recorde das motos convencionais, que se situa nas 130,685mph (210.317km/h) registado em 2016 por Michael Dunlop, aos comandos de uma BMW S 1000 RR.
Entre as marcas, a Honda lidera em número de vitórias:
- Honda 256
- Yamaha -232
- Suzuki 110
- Norton 94
- Kawasaki 43
- BMW 36
- MV Agusta 34
- Triumph 22
Mas é a Yamaha que lidera no que diz respeito a participações completas:
- Yamaha 9719
- Honda 6695
- Suzuki 3845
- Norton 3679
- Kawasaki 2467
- AJS 1384
- BSA 1056
- Triumph 876
- Ducati 704
Sendo a Yamaha também recordista de subidas ao pódio:
- Yamaha 767
- Honda 677
- Norton 321
- Suzuki 321
- Kawasaki 169
- BMW 77
- AJS 66
- Triumph 64
- MV Agusta 61
Em termos de Pilotos, os mais vencedores são:
- Joey Dunlop 26
- John McGuinness 23
- Dave Molyneux 17
- Mike Hailwood 14
- Ian Hutchinson 14
- Michael Dunlop 13
- Bruce Anstey 11
- Steve Hislop 11
- Phillip McCallen 11
- Giacomo Agostini 10
John McGuinness (que em 2017 não pode participar devido a convalescença de um grave acidente sofrido semanas antes da prova - clique aqui para saber mais) lidera em termos de regularidade, com 46 subidas ao pódio!
Veja um vídeo histórico com a evolução das corridas na Ilha da Man
andardemoto.pt @ 4-6-2015 15:42:13
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