Teste Ducati Monster 797 - Qualquer coisa de novo

Como é que a Ducati menos Ducati que já experimentámos, é também a melhor Ducati que já experimentámos?

andardemoto.pt @ 13-11-2017 19:30:44 - Texto: Paulo Araújo | Fotos: ToZé Canaveira

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Ducati Monster 797 | Moto | Monster

Algo está diferente na regressada Monster 797. Algo mudou, e mudou para melhor.

Foi-se a reacção quase brutal a cada pequena modulação do punho do acelerador, o barulho quase de máquina agrícola mal oleada, o carácter roufenho e tentativo da resposta do motor bicilíndrico em L que, confessemos, era embriagante, mas que por outro lado não encorajava à condução em trânsito denso, nem a passeios descontraídos.

Em vez dessas sensações, há agora uma nova suavidade de operação e de resposta, na mais pequena das Ducati, a única com refrigeração a ar da unidade desmodrómica de 803cc, num piscar de olhos à memória das primeiras Monster dos anos 90. 

A diferença era grande demais para não indicar uma mudança considerável nalgum parâmetro do motor, mas qual? Decalagem da cambota? Perfil das cames? Curvas de ignição? Sobreposição do "timming" de válvulas? 

A explicação ia ser extensa, mas pode dizer-se que o motor respira agora mais consistentemente, e numa maior faixa de regimes, daí a sua actual docilidade. 

Parte dessa suavidade também foi conseguida à custa do acelerador “Ride-by- Wire” que comanda as borboletas da injecção o mais suavemente possível.

Por outro lado, e não sem antes realçar a suavidade e precisão da caixa de velocidades, a embraiagem actuada por cabo é suavíssima, e equipada com um mecanismo de deslizamento que liberta ligeiramente a pressão nos discos em caso de reduções bruscas, evitando a blocagem da roda sob o efeito do binário negativo.

Claro que a outra face do binómio que fazia a Monster bem Ducati, continua presente:

A relativa leveza, proporcionada pelos 175 Kg de peso a seco, e o rigor da ciclística que, como poucas, oferece uma facilidade quase estonteante ao escolher uma trajectória e ficar nela. 


Esta Ducati Monster 797 foi feita para se atirar para as curvas e para as rotundas, mantendo a linha escolhida com um rigor cirúrgico, tal como as de antigamente.

A travagem é potente e modulável, não estivesse a cargo de material de topo, como é o caso da pinça de travão 
Brembo M4.32 monobloco, de 4 pistões, que mordem um avantajado disco de 320mm, monitorizada por um também topo de gama sistema ABS 9.1 MP da Bosch.

Nisso, a Monster não mudou. A posição de condução também é excelente, pese embora o guiador tipo street-fighter algo direito e talvez um pouquinho largo demais.

A 797 tem ainda suspensão dianteira invertida Kayaba de 43mm, decerto responsável em grande parte pela sua já referida compostura em andamento, sendo eficiente e firme, mas não ao ponto de ser desconfortável. 

Como em Monster anteriores, este modelo também foi alvo de uma evolução estética pronunciada, mas é composta apenas pelo essencial, e a visão da frente a partir do lugar do condutor é ampla, parece que a moto não tem nem roda da frente, pois nesta 797 apenas vemos a pequena consola digital TFT que parece minimalista na informação dada, mas depois, além da velocidade e rotações, esconde uma série de avisos e informação diversos.

Depois, está cheia daqueles detalhes que os italianos fazem tão bem, como o aplique tricolor sobre o depósito a anunciar o modelo, a grande óptica elipsoidal que inclui as luzes de estacionamento em ferradura, accionadas por uma posição extra da chave, ou o  delicioso grampo de alumínio que supostamente prende o depósito à frente.

O escape, que acaba numa ponteira curta e grossa, que também remata perfeitamente o lado direito da moto, no caso da 797 sem o benefício estético do monobraço, mas que deixa a mola amarelo-viva do amortecedor Showa montado assimetricamente, em destaque. Há ainda uma tampa para o banco do pendura.

Visto isto tudo, e depois de constatar a facilidade de condução e características dinâmicas que a tornam mesmo agradável como companheira do dia a dia, esperava uma etiqueta de preço algo “premium”. Mas quando descobri que custa apenas 9.295 € (claro que acrescem mais 560€ de documentação), fiquei ainda mais impressionado. 

Pelo nível de equipamento, pelo charme da marca, pela facilidade de condução, pelas prestações dinâmicas, a Monster, apesar de ser a mais pequena e económica das Ducati, não envergonha em absolutamente nenhum aspecto a sua linhagem desportiva.


Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Ducati Monster 797 | Moto | Monster

andardemoto.pt @ 13-11-2017 19:30:44 - Texto: Paulo Araújo | Fotos: ToZé Canaveira