Teste Honda CB650F - Rainha da Suavidade

Os motores de quatro cilindros em linha são reconhecidos pela suavidade e regularidade de funcionamento. Neste caso, a Honda elevou o conceito para padrões ainda mais sofisticados, e a sua nova “naked” de média cilindrada pode mesmo ser considerada um “tapete voador”.

andardemoto.pt @ 26-11-2017 19:55:53 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Honda CB650F | Moto | Naked

Revista para 2017, a nova CB650F mantém os mesmos traços da sua antecessora, a CB600F, inspirados na mítica CB400 Four dos finais dos anos 70. Disso são testemunhas os lindíssimos 4 colectores de escape cromados, colocados de viés, para o lado direito.

Cada vez mais exclusiva na sua classe, a Honda CB650F é uma das poucas motos com motor de 4 cilindros que se podem actualmente adquirir nesta faixa de cilindrada e por este preço. As opções são sobretudo bicilíndricas, além de uma ou outra tricilindrica, bastante mais caras, e de poucas outras tetracilíndricas de substancialmente maior cilindrada.

Bastante mais refinada do que a versão anterior, com recurso a suspensões bastante mais firmes do que aquelas que já tive oportunidade de experimentar, esta nova CB650F é sobretudo mais desportiva.

O motor é mais rotativo, também à custa de uma caixa de velocidades com relações mais curtas, e tem uma dupla personalidade: calmo, suave e tranquilo na primeira metade do regime de rotação, cheio e rápido na resposta na segunda metade, quando bem “espremido” até para lá das 11.000rpm. 

A Honda anuncia consumos teóricos de 4,76l/100 km, mas na minha medição o valor registado ficou ligeiramente abaixo dos 6l/100km. Infelizmente não posso aqui revelar o método usado, mas duvido que seja possível gastar muito mais, a menos que se vá dar voltas num autódromo!

É que, passando das 8.000rpm, o som do escape torna-se viciante, e é bastante difícil prescindir dele. E rolar em regimes mais baixos, onde ainda assim a capacidade de resposta e a suavidade de funcionamento são referenciais, não tem a mesma piada!


A caixa de velocidades é de accionamento muito suave, tal como a manete da embraiagem, o que vem a gosto de quem quiser desfrutar do potencial do conjunto, numa qualquer estrada de curvas.

A travagem também foi revista, sendo bastante doseável, e por usar discos de travão de maiores dimensões, garante uma maior capacidade de desaceleração, que apesar de não contar com tubagens em malha de aço, tampouco mostrou qualquer sinal de fadiga, nem mesmo durante a habitualmente castigadora sessão de fotos.


A suspensão conta com material Showa , com uma afinação bastante mais firme, como já disse, e que apesar da sua simplicidade, em que apenas o amortecedor traseiro permite regulação, e apenas da pré-carga da mola, mostra um comportamento bastante aceitável que permite aproveitar ao máximo os predicados do quadro.

Nem o comportamento em condução “desportiva” fica comprometido, capaz de causar sorrisos múltiplos em qualquer escapadela “terapêutica”, com uma direcção precisa, e uma grande agilidade na mudança de direcção, e isto sem que os pneus Dunlop Sportmax que a unidade que testei tinha instalados, ajudassem minimamente ao desempenho, com uma total ausência de “feedback” e uma aderência bastante limitada.

No entanto, o conforto a bordo não sai prejudicado, e o único preço a pagar é um significativo afundamento da frente sob forte travagem, sobretudo com passageiro, perfeitamente compensado pelo desempenho geral da ciclística.

Além de a ergonomia ser perfeita, com os comandos a caírem naturalmente nas mãos e nos pés, há espaço mesmo para os condutores mais “encorpados”, sendo possível fazerem-se muitos quilómetros antes do esqueleto começar a mostrar sinais de cansaço.

Até porque a modesta protecção aerodinâmica, que se resume a um pequeno ecrã fixo no topo da carenagem frontal, é suficiente para diminuir substancialmente a cansativa pressão de ar no peito a alta velocidade.

Por isso, e num inequívoco sinal de polivalência, a CB650F também permite cobrir distâncias razoáveis com passageiro, em toadas mais calmas é certo, desfrutando da tal suavidade e regularidade da unidade motriz de 4 cilindros em linha. 


A brecagem, bastante aceitável, contribui para que, no meio do trânsito, esta nova Honda se comporte como uma verdadeira enguia, bastante ajudada pelo baixo centro de gravidade, pela boa distribuição de massas e pela contida altura do estreito assento ao solo, não obstante os 208kg de peso em ordem de marcha.

A qualidade de construção é inquestionável, completamente isenta de vibrações ou ruídos parasitas, com acabamentos bem cuidados que conferem linhas limpas, sem cabos nem tubagens a desfocar as dimensões compactas dos diversos elementos.

A Iluminação de LED é uma mais-valia, apesar de não se poder comparar com o melhor que a marca já nos tinha mostrado em modelos mais caros.

O painel de instrumentos, completamente digital, em cristal líquido, é espartano, e nem sequer conta com indicador de mudança engrenada, mas é de fácil leitura, e facilita a informação básica necessária, inclusivamente sobre os consumos.

Veja a Honda CB650F em detalhe:

Por tudo isto, se procura uma moto verdadeiramente polivalente e económica, com “pedigree” e fácil de conduzir, seja de forma empenhada ou em passeios descontraídos, a solo ou com passageiro, então não deve deixar de fazer um “test-ride” à Honda CB650F. Contacte um concessionário oficial Honda. Clique aqui para ver qual está mais perto de si.

Equipamento


Neste teste usámos equipamento de segurança composto por:


Veja um pequeno video feito na sessão de fotos da nova Honda CB650F

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Honda CB650F | Moto | Naked

andardemoto.pt @ 26-11-2017 19:55:53 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira