Teste Moto Guzzi MGX21 - Fortaleza Voadora

Quando se pretende que uma moto seja mais do que um veículo de transporte pessoal, que seja também uma afirmação de estilo e estatuto social, poucas qualificam para a escolha. Mas esta é uma delas.

andardemoto.pt @ 29-5-2018 04:50:24 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: ToZé Canaveira

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Moto Guzzi MGX-21 | Moto | MGX-21

Não vou, neste teste, debruçar-me muito sobre a vertente técnica, uma vez que pode encontrar muita informação no artigo que fizemos aquando da apresentação da MGX-21 em Lisboa, em finais de 2017, e que pode ver se clicar aqui.

Até porque, no caso desta Moto Guzzi, a ficha técnica não é a razão pela qual alguém a vai escolher. Senão veja:

Além do aspecto ameaçador das linhas simples, desenhadas pelo génio Miguel Galluzzi, que dividem nostalgia e futurismo, e do elevado conteúdo tecnológico que vai do “infotainment” às muitas peças em fibra de carbono, que conseguem manter o peso nuns “escassos” 341kg em ordem de marcha, a Flying Fortress é sobretudo um exercício de estilo ao qual ninguém fica indiferente: nem à sua passagem, nem quando passa por ela. A Moto Guzzi MGX21 é aquilo que normalmente se define como um objecto de desejo. 

No entanto não é uma moto para qualquer um. É uma moto exclusiva, para alguém que queira mostrar que é diferente. Primeiro pelo seu preço, segundo pela quase troça que faz do conceito cruiser, ao misturar um estilo antigo e quase conservador e nostalgico, com materiais compósitos, tecnologia de ponta e electrónica avançada.

E tudo isto sem precisar de compensar o déficit de cilindrada relativamente à sua concorrência mais directa.

É certo que o seu motor de 1400cc é mais do que suficiente para imprimir andamentos vigorosos, mas convertendo a cilindrada para polegadas cúbicas, a medida oficial do mundo das cruisers, 85ci não é um número que se possa chamar assombroso! 

No entanto, os 96cv de potência debitados às às 6.500 rpm, partindo de um binário de 121Nm disponível logo às 3.000rpm são, garanto-lhe, mais do que suficientes, mesmo tendo em conta o seu peso que, considerando que a MGX-21 se insere na categoria das “Baggers”, não é de admirar.

O motor “V-Twin” tem um funcionamento muito regular, soíicito desde o arranque e, a menos que se circule em 6ª velocidade que na realidade é uma “overdrive”, a resposta é decidida e a entrega de potência é linear ao longo de toda a faixa de regime. Mas mesmo em 6ª velocidade é frequente querer meter-se “uma acima”, tal é a sua disponibilidade.

O acelerador electrónico (ride by wire) proporciona controlo de tracção regulável, assim como diversos níveis de entrega de potência do motor. Conta ainda com “cruise control”, e se algo falta, em termos de electrónica, é mesmo só o sistema “keyless” para que a utilização das malas laterais fosse facilitada.

A caixa de velocidades é bastante suave, e precisa, mas o seu "toque" é ligeiramente esponjoso, bastante diferente do normal, sem que isso seja uma coisa má! A manete, que tal como o do travão, possui regulação e apresenta um accionamento muito leve.


E como, segundo parece, a sonoridade com os escapes de origem é bastante discreta, esta unidade que tive oportunidade de experimentar estava equipada com umas ponteiras arruaceiras opcionais, que deveriam fazer as delícias de qualquer motociclista com grave deficiência auditiva.

Tenho para mim que os “Loud pipes get bad vibes”, e acho que não havia necessidade! A moto já é suficientemente atractiva e não precisa de chamar mais a atenção. Mas isto digo eu… que detesto ter que estar a pedir desculpa aos vizinhos por chegar tarde a minha casa!

Passando à ciclística, esta é de referência para o segmento, seja no que diz respeito à rigidez do quadro, à grande inclinação lateral que consegue atingir antes de começar a raspar no chão, ou ainda no que à travagem diz respeito.

Também o conforto não foi esquecido. Os amortecedores traseiros, facilmente reguláveis na pré-carga, são do género que muitas cruisers (ou mesmo todas) gostavam de ter, isto para não afirmar que é o melhor que alguma vez pude experimentar, seja pela facilidade com que absorve os maiores impactos, seja pelo seu comportamento, tanto em curva como sob forte aceleração. Pena que a forquilha não esteja ao mesmo nível, não em termos de conforto, ou de comportamento em curva, mas para que o afundamento fosse ligeiramente inferior, já que é a única razão de queixa que a suspensão merece.

A direção é muito pesada em manobra, sobretudo a pé, até porque está equipada com um amortecedor específico para reduzir a violência do movimento natural do guiador quando se estaciona, ou manobra a baixa velocidade, mas ainda assim, muito menos do que na generalidade das “baggers” suas concorrentes, não obstante o facto de ser a única que, de fábrica, vem equipada com uma jante dianteira de 21 polegadas que altera substancialmente a geometria do quadro, e torna a resposta da direcção bastante mais incisiva.

No entanto, mal começa a rolar, o efeito desaparece, e a MGX-21 mostra-se tão leve como qualquer “cruiser” de pequeno porte, mantendo as trajectórias com facilidade, mesmo quando carregada com passageiro.

A ergonomia é perfeita para os dois ocupantes. O assento é muito confortável e os comandos são facilmente acedidos. Os poisa-pés são grandes, e bem colocados. Pode é ser que as estaturas mais baixas encontrem alguma dificuldade a manobrar, devido à grande largura do assento.

A protecção aerodinâmica também é muito boa. Mesmo em andamentos mais entusiasmados, consegui sempre chegar ao destino com o capacete e o blusão impecáveis. Mais uma vez, a ausência de turbulência no capacete poderia ter sido melhor apreciada, não fosse o elevado volume do escape.

As malas são relativamente grandes, apesar de nem de perto conseguirem guardar um capacete. Mas o seu formato permite levar objectos compridos, como um tripé. E trazem de fábrica os sacos interiores à medida, o que permite dosear a bagagem exactamente à medida.



O painel de instrumentos, além de requintado, é muito completo, com um menu de configuração bastante intuitivo e com conectividade via Bluetooth para emparelhar com o telefone e com o intercomunicador do capacete. O sistema de som é bom, e com bastante qualidade, mas apenas abaixo dos 80km/h. Provavelmente seria melhor com os escapes de origem, mas nesse caso, a música seria outra!

Mesmo no centro, fica a tomada USB, que permite ligar um leitor de MP3, ou carregar a bateria de um GPS ou dum telemóvel.

Muitas mordomias, para além de um enorme prazer de condução, destinados a que quem conduz a MGX-21, se sinta verdadeiramente em controlo de uma verdadeira Fortaleza Voadora.


Equipamento:

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