Ducati em destaque: Harley-Davidson, “Final Edition” Panigale 1299, e V4 Superbike
A marca italiana está na ribalta, e acumulam-se as (boas) notícias em torno do futuro da marca.
andardemoto.pt @ 25-6-2017 16:12:57
Foi uma semana intensa para a marca de Borgo Panigale. Depois de sucessivos rumores sobre a intenção do grupo Volkswagen em vender a sua participação no capital da Ducati Motor Holding, o facto tornou-se real, e em menos de nada começaram a surgir mais rumores sobre os potenciais candidatos à compra da mítica marca italiana que já conquistou 17 títulos na categoria máxima do Campeonato do Mundo de Superbikes, e este ano vai muito bem lançada no MotoGP, arriscando-se a conseguir conquistar o título (de momento Dovizioso lidera a classificação), e repetir o feito que apenas Stoner conseguiu em 2007.
Entretanto, a comunicação social mais irrequieta tem inundado o cibermundo com hoaxes, especulações e conjecturas, sobre quem seria o mais provável candidato à compra da “galinha dos ovos de ouro”. Para acabar de incendiar as redes sociais, a agência Reuters emitiu há dias um comunicado, com uma lista de vários interessados no negócio de 1.500 milhões de euros, conforme foi definido no relatório encomendado pela marca alemã à Goldman Sachs (veja mais detalhes, clique aqui).
Entre eles encontram-se vários potentados do mundo das motos, como a Bajaj Auto, que parece estar também interessada em entrar na corrida para a notoriedade, comprando, à semelhança de outras marcas asiáticas, uma coqueluche europeia, para contrariar a tendência e evitar que sejam as marcas europeias a invadir o seu mercado, esgrimindo o fascínio de pertencerem a uma sociedade mais “avançada”.
Outro dos potenciais interessados neste negócio é o gigante de Milwaukee. O decréscimo, apesar de ligeiro, registado nas vendas de Harley-Davidsons nos últimos anos, conjugado com o aumento da concorrrência directa (a Indian tem vindo a conquistar quota de mercado nos últimos anos) e a tendência do mercado de exigir preocupações ambientais e ecológicas elevadas, por parte dos motociclistas mais novos (os potenciais futuros clientes), obriga a marca a apostar numa diversificação da oferta.
O aparecimento da Street 750 e da mais recente Street Rod vinha supostamente colmatar essa falha, mas parece não ser suficiente.
Alguns analistas económicos têm-se debruçado sobre o caso, e há várias explicações e teorias (clique aqui para ver uma boa análise -em inglês- deste caso).
Por outro lado, os modelos da sua gama não são, por várias razões, os mais indicados para poderem atacar os mercados emergentes (sobretudo asiáticos mas também sul-americanos) que vivem com fortes limitações económicas, financeiras e políticas, e cujos consumidores anseiam por motos rápidas, leves e económicas, e com elevado conteúdo tecnológico.
As mais recentes gerações de Harleys também têm um elevado conteúdo tecnológico, sobretudo depois do início do Project Rushmore, que incidiu sobretudo na gama Touring, e mais recentemente, com o lançamento do novo motor Milwaukee Eight, mas que são propositadamente escondidas e pouco divulgadas, para não assustar ou intimidar uma clientela mais purista e mais conservadora, como a doméstica, que continua a ser a sua grande fonte de rendimentos.
E ainda, não nos podemos esquecer que a Harley-Davidson já foi, em anos recentes, dona de parte significativa da MV Agusta, pelo que se pode considerar que a marca americana tem um certo fascínio pelo design e carisma italianos.
Entretanto, nada disto parece afectar minimamente a equipa de trabalho de Claudio Domenicali, que desde 1991 tem feito em excelente trabalho a colocar a mítica marca italiana em patamares de modernidade e tecnologia muito elevados, e assim ter conquistado público e muita notoriedade, um pouco por todo o mundo.
Mais ou menos a par com todo este burburinho, a Ducati anunciou oficialmente, através de uma “leak”, a “Final Edition” Panigale R 1299, que será apresentada em Laguna Seca. O nome, ao que tudo indica, anuncia e descontinuação da produção da Panigale 1299, sendo esta, literalmente, a sua última edição. O seu preço irá andar na casa dos 40 mil euros, justificados por um peso a seco de 168 kg (190 em ordem de marcha) que apenas difere 12 kg do da Superleggera apresentada em Milão em 2016, sendo uma série limitada a apenas 500 motos numeradas.
No entanto, segundo dados também recentemente revelados, a unidade motriz que equipa esta versão R parece ser muito semelhante à da Superleggera, mesmo na potência declarada, de 209,4 cv a escassos 5 cavalos dos 215 reclamados pela Superleggera, e que segundo parece, nem é assim tão grande, já que a diferença deve-se sobretudo às técnicas de medição (à roda na Final Edition e à cambota na Superleggera).
A confirmar que algo se vai passar no próximo dia 7, em Laguna Seca, durante a ronda do Campeonato do Mundo de Superbike, há este pequeno vídeo teaser oficial da Ducati, apresentado também esta semana.
E agora, surgem fotos espia identificáveis com algo que pode ser a substituta da Panigale 1299. As fotos conseguidas pelo site belga MaxxMoto, revelam uma já várias vezes badalada super-desportiva com motor V4, já confirmada também pelo próprio Claudio Domenicalli, como sendo a moto que em 2018 vai substituir na estrada e nas pistas a 1299 Panigale, e que já está, efectivamente, em fase de testes tanto em estrada como em pista.
A Desmosedici V4, vai ser inicialmente produzida apenas em quantidades suficientes para ser homologada para o Campeonato do Mundo de Superbikes, (prevê-se que chegue às pistas já em 2018) e a sua unidade motriz apresentará uma raça semelhante à da que equipa as MotoGP de Dovizioso e Lorenzo.
Até porque, segundo consta, a Dorna quer mesmo acabar com as tolerâncias de cilindrada que a Ducati sucessivamente tem tido ao longo últimos campeonatos de WSBK, à conta dos seus exclusivos motores V2 que teimosamente enfrentam, com relativa desvantagem, a horda de máquinas com 4 cilindros de toda a concorrência.
E não nos podemos esquecer que a época dos irmãos Flaminni já acabou, e com ela também, a influência da marca italiana nos destinos deste campeonato.
Acabando a vantagem da cilindrada, (1200cc em vez dos 1000cc das 4 cilindros) a partir de então a Ducati só poderá ganhar à concorrência se combater directamente com regras e oportunidades iguais. Eis o V4!
Das fotos, podem-se tirar algumas conclusões, que de certa forma já foram melhor ou pior abordadas por muitos dos jornalistas que acompanham, de perto, tanto as marcas como os campeonatos do mundo. Salta imediatamente à vista a posição do banco de cilindros traseiro, e a forquilha, provavelmente Öhlins, mas certamente com regulação electrónica semi-activa.
Fontes não reveladas, mas comuns a diversos meios de comunicação, mencionam também que a V4 irá exibir a mesma tecnologia “sem quadro” das MotoGP, sendo o motor o elemento estrutural que suporta a mesa de direcção, o monobraço oscilante e o subquadro.
Segundo as mesmas fontes bem informadas, a Ducati V4 será provavelmente apresentada ao mundo no próximo Salão de Milão, EICMA 2017. Provavelmente ainda antes disso, iremos ter mais umas “leaks”, até para ajudar o negócio da venda da Ducati seja à Harley-Davidson, ou a qualquer outro potencial candidato!
andardemoto.pt @ 25-6-2017 16:12:57
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