Benelli BN302 - Vida Nova
Para tudo há uma primeira vez! E como tal, desta feita tive oportunidade de conduzir uma Benelli. Quero dizer... de conduzir uma marca que nunca tinha conduzido. Quero dizer já tinha mas... a marca não é nova, mas não é a mesma marca! Eu explico.
andardemoto.pt @ 31-8-2015 13:42:01
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira.
Há muitos anos atrás, em 2002, aquando do lançamento da lindíssima Benelli Tornado 900 Tre (lembra-se dela? Então linda de morrer com as ventoínhas do radiador colocadas na traseira?), por uma série de felizes coincidências, tive então a oportunidade de conduzir uma Benelli pela primeira vez.
Não a belíssima desportiva tricilindrica que mencionei, mas antes uma que na sua época, quando o famoso empresário argentino Alejandro De Tomaso tomou conta da marca, em 1973, era considerada a mais impressionante moto de sempre. Estou a falar da mítica Benelli 750 Sei, a primeira moto de produção em série com um motor de seis cilindros em linha, refrigerados por ar, e com um design assinado por outro grande nome da época: a Carrozzeria Ghia.
Claro que os 76 cavalos de potência e os mais de 200km/h que o seu motor era capaz de alcançar, em 2002 já não eram assim tão impressionantes, mas recordo perfeitamente a sua suavidade e a sonoridade dos seus seis escapes com seis ponteiras.
Isto tudo para explicar porque é que digo que esta é uma primeira vez que conduzo uma Benelli… da era moderna. Fundada em Itália, em 1911 por Teresa Benelli, uma mãe viúva que investiu todo o seu dinheiro para garantir que os seus seis filhos pudessem ter empregos decentes, a marca originária de Pesaro sofreu os revezes de duas guerras mundiais e acabou por sucumbir, como tantas outras, face à concorrência japonesa do início da década de setenta.
E até 2005, ano em que o grupo chinês Qianjiang comprou a marca, sucederam-se diversos negócios que nunca foram bem sucedidos. A Qianjiang é um dos maiores fabricantes mundiais, que produz anualmente cerca de 1.5 milhões de veículos, entre os quais os da marca Keeway, e no ano passado já produziu cerca de 40.000 motos Benelli (pode saber mais sobre a Benelli seguindo este link).
Recém chegada Portugal, pela mão da Multimoto, a Benelli é agora completamente fabricada na China, com tecnologia chinesa, mas submetida a um rigoroso controlo de qualidade italiano que também é responsável pelo desenvolvimento e pelo design, e enfrenta agora a concorrência sem qualquer preconceito da sua origem. Até porque, e não nos podemos esquecer, a concorrência directa também é toda ela fabricada em países como a Tailândia, a Indonésia ou a Índia.
Quando em 2011 estive na China,em Chongqing, num dos maiores salões de motos do mundo, a mensagem que todas as marcas locais queriam fazer passar para a imprensa estrangeira era a de que a qualidade era a sua nova missão. Inclusivamente na altura tive mesmo oportunidade de visitar a Sede da Qianjiang e de poder ouvir da boca dos seus responsáveis o quanto a Benelli era importante para comprovar à Europa e à América que a China tinha capacidade para fazer motos de qualidade. E esta Benelli é comprovação do que então me foi dito.
O modelo que aqui testamos, a BN302, insere-se num importante segmento de mercado que ressurge agora, apesar de timidamente, no nosso país, é o segmento de iniciação onde motos leves e fáceis de conduzir, são capazes de “ensinar” aos menos experientes os prazeres das duas rodas, e em simultâneo tentam seduzir novos motociclistas para os encantos das respectivas marcas. E neste caso concreto, pode dizer-se que a Benelli o faz de uma forma muito competente.
A BN302 impressiona mal lhe pomos os olhos em cima, convence mal nos sentamos nela e lhe tocamos, delicia-nos assim que a pomos a trabalhar e faz-nos render aos seus encantos mal começamos a andar. Isto sem nos esquecermos que se trata de uma moto de apenas 300cc obviamente.
A ciclística é de muito bom nível, contando com uma forquilha sólida de 41mm de diâmetro, invertida, com regulação da compressão, um amortecedor traseiro regulável em pré-carga e também em extensão que garantem um comportamento de muito bom nível em qualquer circustância, e travões duplos na roda dianteira com discos recortados e pinças de quatro pistões, que proporcionam uma elevada confiança mesmo em andamentos mais vivos. A manete tem regulação e permite um dosagem razoável da travagem. Infelizmente não se pode optar por uma versão com ABS. O seu comportamento em curva é muito intuitivo, sendo fácil alcançar inclinações elevadas, sendo que para o lado direito o ângulo é um pouco reduzido devido à protecção da ponteira do escape que teima em roçar no chão cedo demais, para as capacidades dos pneus Pirelli Angel GT que tem calçados.
O motor dá um enorme gozo. O seu som impressiona desde que se dá arranque, e a subida de rotação é rápida e contundente com uma entrega de potência bastante linear, tornando-se mais viva à medida que o ponteiro sobe na escala das rotações. Mesmo a baixos regimes o “pequeno” bicilíndrico tem um comportamento de “gente grande” sendo bastante elástico, não obrigando a frequentes passagens de caixa. E quando rodamos punho, no acelerador de longo curso (o que aumenta a doseabilidade para os condutores menos experientes), oferece uma resposta pronta, com um som viciante sobretudo a partir das 6.000rpm’s. O seu funcionamento é muito agradável e regular, logo desde o arranque, e é quase isento de vibrações.
Por seu lado, a caixa de velocidades está bem escalonada e é suave e precisa, tendo notado apenas alguma rigidez de funcionamento logo após o arranque, enquanto o motor não atingia a temperatura normal de funcionamento, facto que se pode dever à juventude do modelo testado. O ponto morto encontra-se sem qualquer dificuldade. A embraiagem por cabo tem um accionamento normal, não sendo demasiado penosa a circular em cidade., e mesmo quando abusada nunca deu sinal de fraqueza.
A iluminação é bastante boa, apesar de não ser referencial, e o painel de instrumentos é de boa leitura, com elevado contraste, mas apenas apresenta a informação indispensável, disponibilizando só um contador de quilómetros parcial e não dando indicação de mudança engrenada, mas oferecendo nível de combustível e temperatura do líquido refrigerante. A protecção aerodinâmica é muito boa, graças ao pequeno defletor colocado sobre o farol que quase miraculosamente afasta o vento e os mosquitos da nossa viseira. Em termos de ergonomia a BN302 é praticamente perfeita, com muito espaço para o condutor e para um passageiro.
Com um design moderno e atraente, uma qualidade de construção muito boa, um nível de acabamentos muito acima da média, oferecendo de série farolins em LED e requintes como a chave escamoteável, as regulações dos pedais por excêntrico e os cabos de travão revestidos a malha de aço, esta BN302 pode enfrentar a concorrência sem qualquer espécie de preconceitos, pois consegue reunir um conjunto de predicados essenciais para desfrutar o dia-a-dia ou mesmo eventuais pequenas viagens de fim-de-semana, mesmo com passageiro.
O preço é também ele muito bom, muito abaixo do que custam modelos de cilindrada inferior como a Suzuki Inazuma 250, e a qualidade em nada fica a dever a modelos com mais pergaminhos, como a Kawasaki Z300 nem as prestações ficam muito longe de modelos muito mais “racing” como a KTM 390 Duke.
Por tudo isto, esta marca que agora ganha uma nova vida, também promete dar uma nova vida a um utilizador iniciado, ou a um utilizador experiente que queira ou necessite de uma mobilidade descomplicada para o seu dia-a-dia. Se este texto lhe suscitou alguma curiosidade, então contacte a rede de concessionários da marca e peça para fazer um Test Ride. Olhe que vai ficar impressionado!
Para saber mais sobre esta Benelli BN302, consulte o nosso catálogo clicando aqui..
Para este teste contámos com a preciosa ajuda do André Canaveira, que estava equipado com um Capacete Nexx X.T1 Exos Neon Verde e um Casaco Drenaline da Linha Fifty Seven Series, modelo Capetown, em algodão encerado, e luvas têxteis OJ modelo MY
andardemoto.pt @ 31-8-2015 13:42:01
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