Tiago Dias faz balanço positivo da época de 2012
Tiago Dias foi em 2012 o único piloto português a marcar presença regular no paddock e nas pistas da Taça do Mundo Superstock 1000. Aos comandos de uma Kawasaki ZX 10R o piloto da Parede conseguiu pontuar e mostrar o seu valor no final de uma época onde descobriu uma nova realidade desportiva ao participar num dos mais competitivos campeonatos a nível mundial. Terminado o campeonato é tempo de fazer um balanço, nas palavras do próprio piloto.
AdM | Hype @ 12-12-2012 00:00:00
Depois de conquistares o vice-campeonato em 2011 optaste por seguir um novo desafio na tua carreira com a participação na Taça do Mundo Superstock...o que te levou a isso?
A ideia de fazer a Taça do Mundo já existia anteriormente, mas nunca se tinha concretizado. No final de 2011 e face ao que já se sabia quanto aos participantes no campeonato nacional de 2012 começámos a preparar a presença na Taça do Mundo, um projecto que se iniciou ainda antes do Verão de 2011 e que depois de ter recebido algumas respostas positivas da parte de patrocinadores decidimos dar continuidade. Sabia que o campeonato de 2012 em Portugal seria menos competitivo mas mesmo assim a ideia inicial era fazer ambos os campeonatos, até porque os patrocinadores eram portugueses e queria dar o maior retorno possível aos mesmos.
Mas acabaste por fazer apenas a Taça do Mundo. O que falhou?
A realidade foi que falharam alguns patrocinadores que antes se tinham comprometido connosco e que inviabilizaram mesmo que o projecto fosse feito da forma que a equipa queria, com mais condições humanas e também materiais. Essa falta de suporte financeiro impediu que tivéssemos as condições que queríamos ter. Felizmente tivemos a ajuda da Federação de Motociclismo de Portugal e da Shamir Optical e sem eles teria sido impossível. Em conjunto com o esforço financeiro do meu pai conseguimos fazer a totalidade do campeonato, falhámos apenas duas corridas devido a lesão. Era impossível conseguir fazer o Nacional depois de termos ficado sem dois patrocinadores importantes.
Estás a falar por exemplo do facto de não teres competido com a Ducati, tal como inicialmente anunciado?
Por exemplo! O projecto com a Ducati era muito aliciante mas dependia desses mesmos apoios. Da parte da Ducati Lisboa e do importador tivemos todo o apoio possível mas devido à Panigale ser uma moto nova e por isso com componentes dispendiosos nesta primeira fase devido à pouca oferta por parte de preparadores que não a marca, os custos seriam muito superiores aos de uma moto japonesa e por isso com muita pena minha tivemos que renunciar a essa ideia.
A opção foi então a Kawasaki...
Sim. A Kawasaki e o Sr. Paulo Alegria mostraram-se disponíveis para nos ajudar, juntamente com o Armando da Motonova e conseguimos ter a moto que anteriormente tinha sido utilizada pelo Sérgio Batista no mesmo campeonato.
Revelou ser a melhor escolha especialmente num ano que considerámos e abordámos como sendo de aprendizagem. Graças a eles conseguimos ter bom material e uma moto fantástica.
No final desta primeira experiência que balanço fazes?
Tem que ser positivo naturalmente. Fiz um campeonato em que apenas conhecia uma pista (Portimão), com pneus que desconhecia na fase inicial e face a pilotos com mais experiência. Mesmo assim consegui pontuar diversas vezes e estive mesmo em condições de lutar algumas vezes por um lugar entre os dez primeiros, especialmente nas corridas com pista molhada. A experiência e conhecimento dos circuitos é muito importante, a maioria dos pilotos do campeonato treinava muitas vezes na semana anterior à prova e nós apenas rodámos nos treinos e nem sequer fizemos uma pré-época. Isso acaba por se revelar quando chegamos ás corridas. Mas mesmo assim acho que consegui honrar os meus patrocinadores e mostrar que posso ser ainda mais competitivo no campeonato. Os pilotos que lá estão são muito rápidos e para lutar com eles temos que ter melhores armas, não me queixo do que tive, antes pelo contrário, precisava apenas de mais tempo em pista.
Em Portimão querias certamente atingir um melhor resultado, mas as condições não o permitiram.
Não... Infelizmente! Estava ainda a recuperar da intervenção cirúrgica ao dedo e foi graças ao apoio e ajuda dos médicos que consegui participar mesmo na prova. Mas depois de duas ou três travagens perdia sensibilidade na mão e acabava por não conseguir andar depressa de forma consistente. Nos treinos ainda consegui andar porque fazia poucas voltas, mas na corrida era impossível.
E depois deste primeiro ano, qual o próximo passo?
Estamos a tentar estar de novo no campeonato, repetir a Taça do Mundo
Superstock. Gostava de poder encontrar apoios para me integrar numa equipa experiente que me pudesse ajudar, este ano o meu pai e o António Gonçalves foram incansáveis, mas todos temos consciência que junto de uma equipa com experiência no campeonato poderíamos pensar noutros resultados. Para mim o ideal era poder estar no campeonato com uma equipa experiente e ter ao meu lado o António, ele tem um grande conhecimento de corridas e foi uma ajuda muito importante para mim a partir do momento em que se juntou a nós. Mas para que isso se realize temos que encontrar os apoios necessários e é o que estamos a procurar neste momento.
Após uma primeira época na Taça do Mundo Superstock o piloto português procura agora encontrar apoios e soluções para estar novamente no campeonato em 2013. O interesse de algumas equipas da primeira metade do pelotão do referido campeonato está a ser analisado pela formação do Team Dias que espera ter novidades muito em breve quanto ao futuro de Tiago Dias, entretanto ocupado na preparação da natalidade que acontecerá no arranque de 2013.
AdM | Hype @ 12-12-2012 00:00:00
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